"O melhor dos filmes de Mazzaropi é o Mazzaropi", diz uma frase popular. Todos sabem que o ator e diretor taubateano brilhava quando aparecia nas telas.
De acordo com pessoas que trabalhavam com o cineasta, as câmeras precisavam estar viradas para ele a todo momento.
"Todos falam que ele tinha um ego grande. Mas afinal, ele era grande", afirma o escritor Antônio Leão da Silva Neto, que lança seu livro "Enciclopédia Mazzaropi de Cinema" no Taubaté Shopping nesta quarta-feira, dia 18 de dezembro, a partir das 19h30.
Especialista em cinema, o autor começou sua pesquisa sobre Mazzaropi ainda nos anos 1990.
O paulistano viajou para Taubaté, entrevistou pessoas que trabalharam diretamente com o cineasta para escrever um livro.
Em sua obra, Neto decidiu dar evidência aos bastidores do cinema de Mazzaropi. O livro conta com depoimentos de pessoas como Carlos Garcia, que trabalhava como braço direito de Amácio.
A publicação conta com 888 verbetes entre atores, atrizes, técnicos, parentes, amigos, herdeiros e outras pessoas que de alguma forma participaram da vida e dos filmes de Mazzaropi.
"Vários livros sobre Mazzaropi foram lançadas nos últimos anos. Procurei me diferenciar buscando dar destaque às figuras que nunca são evidenciadas nessas biografias", conta o escritor.
De acordo com o escritor, todos os entrevistados tinham carinho por Mazzaropi, que o cineasta era muito correto em seus pagamentos aos funcionários.
"Ele contratava diretores, mas quem dirigia o filme era ele. Todas as câmeras deviam estar voltadas para si, ele era o destaque de seus filmes, os outros eram coadjuvantes", disse Neto, que lembra que Mazzaropi contratava muitos funcionários em Taubaté.
"Enciclopédia Mazzaropi de Cinema" também conta com uma biografia de Mazzaropi, focando a narrativa principalmente no empreendedorismo do taubateano.
"O sucesso de Mazzaropi era sobretudo devido a sua estratégia empreendedora.", completa o escritor.
De acordo com o escritor, Mazzaropi contava o número de pessoas que assistiam seu filme com ajuda de pessoas que trabalhavam para ele, para evitar evasão de renda da bilheteria.
Além disso, seus funcionários faziam a distribuição de seus filmes a locais de difícil acesso, como o interior de São Paulo e Paraná, onde o ator e diretor era extremamente popular.
"Caminhões de pessoas da roça chegavam ao cinema para ver seus filmes", conta o escritor do livro..