O México concedeu nesta segunda-feira asilo político ao ex-presidente da Bolívia Evo Morales. Por meio de sua conta na rede social Twitter, o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, confirmou a informação. O líder boliviano renunciou ao cargo no domingo após uma onda de protestos que já durava 21 dias.
"Faremos valer o direito de asilo que o México sempre promoveu e exerceu em diferentes circunstâncias históricas que caracterizam nossa política externa", destacou nota divulgada pelo governo mexicano. O comunicado cita que o país vai pedir uma reunião urgente com a OEA (Organização dos Estados Americanos) para tratar dos recentes acontecimentos na Bolívia.
"Pedimos a criação de uma conduta segura para garantir a segurança e a vida de Morales, e que sua integridade pessoal não esteja em perigo", disse Ebrard, que explicou que a decisão responde à longa carreira diplomática do México no país.
"A América Latina testemunhou em sua história eventos infelizes e violentos em que a ordem democrática é quebrada, em inúmeras ocasiões com a participação de forças militares", lembrou o chanceler.
Além de Evo, também renunciaram ao cargo o vice-presidente do país, Álvaro García Linera, o presidente da Câmara de Deputados, Víctor Borda, e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra. Cabe agora ao Legislativo escolher um novo presidente do Senado, para que possa acatar a renúncia de Morales e dar início ao processo de novas eleições.
CRÍTICA.
Em entrevista coletiva, o presidente do México, Andrés Manuel Lopes Obrador, acusou o exército boliviano de "violar a ordem constitucional" e criticou a OEA (Organização dos Estados Americanos), que denunciou irregularidades nas eleições do país da América Latina no dia 20 de outubro, por ficar calada diante das pressões militares.
"Pedimos que a OEA estabeleça uma posição o mais rápido possível. Não há silêncio ", disse Obrador. A organização americana emitiu uma declaração poucos minutos depois para rejeitar "qualquer saída inconstitucional" para a situação.
Evo Morales ficou quase 14 anos no poder na Bolívia, tendo assumido o cargo no começo de 2006, época em que Lula estava ainda em seu primeiro mandato como presidente do Brasil. Além do petista, outros políticos da esquerda brasileira também se manifestaram acusando o "golpe".
Depois de uma crise política que só aumentou a partir das denúncias de fraude nas eleições por parte da oposição boliviana, o mandatário disse que renunciava para "pacificar o país". Casas de sua irmã e políticos do MAS (Movimento para o Socialismo, em português) foram atacadas por opositores do governo..