Política

Ortiz destina 87% da publicidade da prefeitura para TVs e rádios

Por Da redação@jornalovale |
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O prefeito de Taubaté, Ortiz Junior (PSDB)
O prefeito de Taubaté, Ortiz Junior (PSDB)

As emissoras de TV e rádio concentraram 87,67% dos pagamentos com publicidade do governo Ortiz Junior (PSDB) entre o fim de 2013 e de 2018. O levantamento foi feito pela reportagem com base nas planilhas de despesas do primeiro contrato mantido entre a Prefeitura de Taubaté e a Central Business, que vigorou de dezembro de 2013 a dezembro de 2018.

Nesses cinco anos, o município repassou à agência R$ 16,789 milhões. Desse total, R$ 10,094 milhões foram usados para comprar espaço publicitário em veículos de comunicação - o restante pagou os custos internos de produção da empresa e também a subcontratação de serviços de outras agências pela Central Business.

Do montante usado para comprar espaço publicitário, a maior fatia (R$ 6,4 milhões, ou 63,48% do total) foi para as emissoras de TV. Afiliada da Rede Globo, a Vanguarda ficou com R$ 3,371 milhões. Na sequência aparecem TV Band Vale (R$ 1,474 milhão), Record (R$ 1,252 milhão) e SBT (R$ 202 mil). A TV Cidade (R$ 91 mil) e a TV Funvic (R$ 16,6 mil) também figuram na lista.

A segunda maior fatia, de R$ 2,442 milhões (24,19% do total), foi para as emissoras de rádio. Embora 10 delas apareçam na lista, uma recebeu mais do que as outras nove somadas: a Metropolitana FM, que ficou com R$ 1,286 milhão (52% do total destinado às rádios). A relação ainda tem 99 FM (R$ 323 mil), Jovem Pan FM (R$ 279 mil), Band Vale FM (R$ 259 mil), Difusora AM (R$ 154 mil), Cacique AM (R$ 51,9 mil), Jovem Pan AM (R$ 50,3 mil), Ótima FM (R$ 28,6 mil), Energia FM (R$ 5,2 mil), Cultura AM (R$ 2,3 mil).

Os jornais impressos ficaram com R$ 379 mil (3,75% do total). As maiores fatias foram para Voz do Vale (R$ 200 mil), Contato (R$ 99,5 mil) e SOS Vale (R$ 47,9 mil).

Os sites receberam R$ 317 mil (3,12% do total), com destaque para G1 Vanguarda (R$ 154 mil) e Portal Agora Vale (R$ 63,3 mil). As revistas receberam R$ 227 mil (2,25% do total), sendo os maiores pagamentos para Revista Jornal Via Vale (R$ 128,8 mil) e Isto É (R$ 50 mil). Também foram pagos R$ 257 mil (2,55% do total) por espaços em outdoors e R$ 61,9 mil (0,61% do total) por anúncios em cinemas.

Em novo contrato, gasto anual da prefeitura teve um aumento de 71%

Firmado também com a Central Business, o segundo contrato de publicidade do governo Ortiz prevê aumento de 71% nas despesas anuais com propaganda. Enquanto o contrato que vigorou de 2013 a 2018 tinha teto anual de R$ 3,5 milhões, o contrato assinado no fim de 2018 tem limite de R$ 6 milhões. Anteriormente, gestão tucana alegou que a ampliação foi necessária "devido ao aumento de projetos e programas que a prefeitura vem desenvolvendo", e que "dar publicidade a todos os atos e ações é obrigação do poder público, para garantir assim que todos os serviços fiquem acessíveis à população e que a administração seja transparente". O balanço de despesas só deve ser divulgado após o fim do contrato, que pode ser estendido até 2023.

Governo tucano não explica critério adotado para a seleção de veículos

Desde o dia 15 de outubro de 2019 a reportagem questiona o governo Ortiz sobre os critérios de seleção de veículos nas ações publicitárias, mas até agora não houve nenhum retorno.

Via de regra, os poderes devem seguir critérios técnicos, levando em consideração fatores como audiência e segmento da população que os veículos atingem. A adoção de critérios políticos é ilegal, pois fere princípios constitucionais.

No início de 2014, o governo Ortiz deixou de anunciar em OVALE/Gazeta de Taubaté após o jornal mostrar que as duas primeiras campanhas publicitárias da gestão tucana traziam dados incorretos sobre a situação financeira do município e também sobre os índices criminais da cidade.

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