ELEIÇÕES 2026

Vale tem potencial para eleger 7 deputados estaduais e 5 federais

Por Xandu Alves | Vale do Paraíba
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação/Sergio Galdino/Alesp
Plenário da Alesp
Plenário da Alesp

A RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) chega às eleições de 2026 com 1,92 milhão de eleitores aptos a votar, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O número representa crescimento de 0,41% em relação a 2024, quando a região tinha cerca de 1,91 milhão de eleitores.

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Com esse eleitorado, a RMVale tem, em tese, potencial para eleger até sete deputados estaduais e cinco deputados federais, caso as regras do sistema proporcional sejam atendidas, não haja abstenção e os votos destinados aos candidatos da região sejam concentrados em um número menor de nomes.

Atualmente, a região possui dois representantes na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), os deputados Letícia Aguiar (PL) e Dr. Elton (União) – ambos de São José dos Campos –, e não tem nenhum deputado federal eleito diretamente pela RMVale.

O cálculo, porém, não significa que a região terá automaticamente esse número de representantes. A eleição para deputados estaduais e federais segue o sistema proporcional, que considera não apenas a votação individual dos candidatos, mas também o desempenho dos partidos e federações.

Eleitores

Dos eleitores registrados na região para 2026, 1.700.315 estão na faixa de voto obrigatório, o equivalente a 88,26% do eleitorado. Outros 226.254 têm voto facultativo, representando 11,74%.

As mulheres são maioria. Ao todo, são 1.014.472 eleitoras, ou 52,66% do total. Os homens somam 911.904, correspondentes a 47,33%. A diferença é de pouco mais de 102 mil eleitoras.

A força eleitoral da região também aparece nos principais colégios eleitorais. São José dos Campos concentra 539.147 eleitores, seguido por Taubaté, com 239.475; Jacareí, com 171.293; Pindamonhangaba, com 119.023; e Caraguatatuba, com 105.586.

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Candidatos

O levantamento com base nos dados declarados ao TSE mostra que 152 candidatos ligados à RMVale disputam cargos nas eleições deste ano.

Desse total, 79 concorrem a deputado estadual e 70 a deputado federal. Também há dois candidatos ao Senado e um candidato a vice-governador de São Paulo.

A quantidade de candidatos, no entanto, não determina o número de eleitos. Para deputados, o que define a distribuição das cadeiras é o sistema proporcional.

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Eleição para deputado estadual

São Paulo possui atualmente 94 cadeiras na Alesp. Para definir a distribuição das vagas, primeiro é calculado o quociente eleitoral, obtido pela divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras em disputa.

Em uma simulação com 23 milhões de votos válidos, número próximo ao registrado na eleição de 2022, a divisão por 94 cadeiras produziria um quociente eleitoral de aproximadamente 244 mil votos.

Esse número é apenas uma referência para entender o funcionamento do sistema. O quociente efetivo de 2026 dependerá do total de votos válidos apurado na eleição.

Depois, é calculado o quociente partidário, que considera a quantidade de votos recebida por cada partido ou federação. A partir desse resultado são distribuídas as vagas entre as legendas.

Por exemplo, se uma legenda obtivesse 1 milhão de votos em uma eleição com quociente eleitoral de 244 mil, teria direito, inicialmente, a quatro cadeiras pela divisão direta.

As vagas que não forem preenchidas nessa etapa entram na distribuição das sobras, calculadas pelo método das maiores médias, seguindo as regras previstas na legislação eleitoral.

Votação individual também pesa

O desempenho da legenda não é suficiente para garantir a eleição de qualquer candidato. Para ocupar uma cadeira conquistada pelo partido, o candidato precisa alcançar uma votação nominal mínima correspondente a 10% do quociente eleitoral.

Na simulação com quociente de 244 mil votos, por exemplo, o candidato precisaria alcançar pelo menos 24,4 mil votos próprios.

É nesse modelo que aparece o chamado efeito puxador de votos. Candidatos com votações expressivas podem elevar o total obtido pela legenda e contribuir para a conquista de mais cadeiras. Outros candidatos da mesma chapa podem ser eleitos com votações menores, desde que cumpram os requisitos individuais.

Câmara tem 70 vagas para SP

Na eleição para deputado federal, São Paulo tem atualmente 70 cadeiras na Câmara dos Deputados. Em um cenário hipotético com 23 milhões de votos válidos, o quociente eleitoral seria de aproximadamente 328 mil votos.

Nesse exemplo, uma legenda que alcançasse 1 milhão de votos teria, inicialmente, direito a três cadeiras, antes da distribuição das vagas restantes.

Assim como na disputa pela Alesp, o cálculo definitivo dependerá do número de votos válidos, da votação de cada partido ou federação e da distribuição das sobras.

Concentração dos votos

O potencial de sete deputados estaduais e cinco federais para a RMVale, portanto, representa uma possibilidade matemática baseada no tamanho do eleitorado regional e na concentração dos votos, e não uma previsão do resultado das urnas.

Para que esse número seja alcançado, seria necessário que uma parcela significativa dos 1,92 milhão de eleitores da região votasse em candidatos vinculados à RMVale e que esses votos fossem distribuídos de forma suficiente para que os partidos e federações conquistassem as cadeiras.

A disputa de 2026 reúne 152 candidatos ligados à região, o que amplia o número de opções para o eleitor, mas também pode fragmentar os votos entre diferentes chapas e candidaturas.

No cenário atual, a RMVale parte de uma representação de dois deputados estaduais e nenhum deputado federal. O resultado das urnas no próximo domingo (4) definirá quanto dessa força eleitoral será convertida, de fato, em representação política na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

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