DIA DO JORNALISMO

Ataques à imprensa crescem e expõem riscos à democracia no Brasil

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Dia Mundial do Jornalismo
Dia Mundial do Jornalismo

A violência contra jornalistas e veículos de comunicação continua sendo um desafio para a democracia brasileira. Em 2025, a imprensa foi alvo de cerca de 900 mil ataques virtuais, segundo levantamento da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), enquanto a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) registrou 204 alertas de ataques contra jornalistas e meios de comunicação no país.

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Os números ganham destaque durante a campanha do Dia Mundial do Jornalismo, realizado entre 25 de setembro e 1º de outubro, com 28 de setembro como data central.

OVALE integra a campanha mundial que reúne mais de mil organizações de notícias e entidades de apoio ao jornalismo em mais de cem países e coincide com o Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, instituído pelas Nações Unidas.

No levantamento da Abert, os aproximadamente 900 mil ataques virtuais registrados em 2025 equivalem a quase 2,5 mil agressões por dia, ou cerca de 1,7 por minuto. O volume representa crescimento de 35% em relação a 2024, quando foram contabilizadas cerca de 666 mil publicações.

Além da dimensão digital, a entidade registrou 66 casos de violência não letal contra jornalistas e veículos de comunicação em 2025, envolvendo pelo menos 80 profissionais.

As agressões físicas responderam por 39% dos casos, com 26 ocorrências — alta de 11,5% em relação ao ano anterior. Segundo a ABERT, isso significa que, em média, a imprensa sofreu algum tipo de violência a cada cinco dias.

Ataques digitais

A Abraji chegou a uma conclusão semelhante sobre a permanência da violência contra profissionais da imprensa. Os 204 alertas registrados em 2025 representaram uma redução de 2,9% em relação aos 210 casos de 2024, mas a entidade considera que o resultado não indica uma melhora estrutural nas condições para o exercício do jornalismo.

As agressões verbais, escritas e digitais foram o tipo mais frequente, aparecendo em 36,3% dos alertas. Em seguida vieram as agressões físicas, com 27%, e o discurso estigmatizante, presente em 25% dos registros.

O ambiente virtual teve participação importante nesse cenário: 55,4% dos ataques tiveram origem ou repercussão na internet, segundo a Abraji. A entidade aponta que a dinâmica dificulta a identificação dos responsáveis e prolonga a exposição dos profissionais atacados.

A pesquisa também chama atenção para o uso de ferramentas de inteligência artificial na construção de percepções negativas sobre a imprensa. Entre os questionamentos que aparecem nesse ambiente estão acusações sobre suposto posicionamento ideológico dos veículos e críticas às escolhas editoriais sobre quais assuntos recebem maior destaque.

Autores de agressões

Os levantamentos também mostram que os ataques não partem de um único grupo. De acordo com a Abert, políticos e ocupantes de cargos públicos aparecem como os principais autores das agressões registradas em seu levantamento, seguidos por torcedores ou integrantes de equipes de futebol.

Já a Abraji identificou participação próxima de atores estatais e não estatais nos alertas de 2025. Agentes não estatais apareceram em 44,6% dos casos, enquanto agentes estatais foram identificados em 43,6%. Entre os agressores cujo gênero foi identificado, 87,8% eram homens.

A violência de gênero também aparece no levantamento. Mulheres representaram 30,2% das vítimas cujo gênero foi identificado, enquanto ataques com componente explícito de gênero corresponderam a 15,2% dos alertas. Entre esses casos, 77,4% envolveram comentários machistas, misóginos ou LGBTfóbicos.

São Paulo lidera ataques

São Paulo foi o estado brasileiro com o maior número de alertas registrados pela Abraji em 2025: 39 casos, o equivalente a 19,1% do total nacional. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com 26, e Distrito Federal, com 20. Ao todo, o Sudeste concentrou 72 dos 204 alertas registrados no país.

A cobertura de temas ambientais também esteve entre os fatores associados aos ataques. A Abraji identificou 12 ocorrências relacionadas a questões ambientais e climáticas, sendo 75% delas registradas a partir de setembro, período de maior mobilização em torno da COP30, realizada em Belém.

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