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Padroeira: autor da proposta foi ex-deputado ligado a Bolsonaro

Por Da redação | Aparecida
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Victório Galli ao lado de Bolsonaro
Victório Galli ao lado de Bolsonaro

Um projeto que propunha retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil voltou a circular nas redes sociais nesta semana, desta vez associado ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

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A proposta, porém, não é de Flávio: foi apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (MT), que anos depois ocupou o cargo de assessor especial da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro.

O Projeto de Lei 2.623/2007 foi protocolado por Galli quando ele era filiado ao MDB. O texto propunha alterar a Lei 6.802/1980 para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

A proposta acabou rejeitada na Comissão de Educação e Cultura da Câmara e foi arquivada em agosto de 2008. Portanto, o projeto não está em tramitação atualmente. A própria Câmara dos Deputados já havia esclarecido, em 2018, que informações que atribuíam a proposta a Jair Bolsonaro ou a seus filhos eram falsas.

Ex-deputado virou assessor de Bolsonaro

Mais de uma década depois da apresentação do projeto, Galli passou a integrar o governo de Jair Bolsonaro. Em fevereiro de 2019, foi nomeado assessor especial da Presidência da República na Secretaria Especial para a Câmara dos Deputados da Casa Civil, então comandada por Onyx Lorenzoni. Registros oficiais do governo federal também identificam Galli como assessor especial da Presidência naquele período.

Galli deixou o cargo em junho daquele ano. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União e ocorreu em meio a uma mudança na equipe de articulação política da Casa Civil. Na época, reportagens também registraram que o ex-deputado havia sido condenado pela Justiça de Mato Grosso a pagar R$ 100 mil por declarações consideradas ofensivas à população LGBTQIA+.

Projeto usado em fake news

A antiga proposta voltou a ganhar repercussão na quinta-feira (24), quando publicações nas redes sociais passaram a relacionar o conteúdo do projeto de 2007 a Flávio Bolsonaro. As mensagens sugeriam que o candidato à Presidência teria intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Não há, porém, registro de que Flávio tenha apresentado ou anunciado uma proposta com esse objetivo. A história viralizou justamente a partir da associação indevida entre o candidato e o projeto de autoria de Galli, que foi apresentado quase duas décadas atrás e já está arquivado.

Diante da repercussão, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais na noite de quinta-feira negando que exista qualquer projeto de sua autoria ou iniciativa de campanha para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. O candidato classificou a informação como “fake news” e afirmou que respeita todas as religiões.

A circulação do conteúdo ocorre em meio à campanha eleitoral de 2026 e reacendeu uma história que já havia sido utilizada em desinformação política em eleições anteriores. Em 2018, a Câmara confirmou que o projeto era de autoria de Victório Galli e estava arquivado desde 2008.

Procurado pela reportagem, o Santuário Nacional de Aparecida não se manifestou sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

O que dizia o projeto

Na justificativa da proposta apresentada em 2007, Galli argumentava que, por ser um Estado laico, o Brasil não deveria ter um padroeiro oficial. O texto mantinha o feriado nacional de 12 de outubro, mas mudava a forma como a homenagem a Nossa Senhora Aparecida era descrita na legislação.

Assim, o projeto que voltou ao debate nas redes é real, mas a autoria e o contexto são diferentes dos apresentados nas publicações que o associam a Flávio Bolsonaro. O texto foi apresentado por Victório Galli em 2007, rejeitado e arquivado no ano seguinte.

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