A religião não deve ser explorada como instrumento de campanha ou de busca por votos, afirmou o arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, durante homilia celebrada no Santuário Nacional de Aparecida, em 20 de setembro.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Ao abordar as eleições, o religioso ressaltou que a Igreja não substitui a consciência do eleitor nem indica em quem cada pessoa deve votar.
Segundo dom Mário, a fé pode contribuir para o exercício da cidadania ao oferecer critérios para a reflexão sobre as escolhas políticas. Ele defendeu que os eleitores procurem conhecer propostas e compromissos dos candidatos e avaliem seus impactos sobre o bem comum, especialmente em relação às pessoas em situação de vulnerabilidade e à preservação do meio ambiente.
“Viver à altura do evangelho significa não transformar quem pensa diferente em inimigo”, afirmou o arcebispo. Na homilia, ele também alertou para a disseminação de mentiras e para o discurso de ódio durante o período eleitoral.
Dom Mário citou ainda a figura bíblica de Daniel como exemplo de preservação da consciência diante de pressões políticas. Para o arcebispo, nenhum partido, candidato ou grupo político deve ocupar o lugar da consciência individual.
'Esta casa não é palanque eleitoral'
Ao falar especificamente sobre o Santuário Nacional de Aparecida, dom Mário afirmou que o espaço recebe eleitores e candidatos de diferentes posições políticas e histórias. Segundo ele, todos são acolhidos, mas o templo não deve ser transformado em espaço de campanha.
“Aqui no Santuário Nacional chegam eleitores e candidatos, pessoas de diferentes posições políticas e diferentes histórias. Todos são acolhidos, porque esta é a casa da mãe, mas esta casa não é palanque eleitoral”, declarou.
O arcebispo também defendeu a convivência entre pessoas com opiniões políticas distintas. Para ele, escolhas eleitorais diferentes não devem romper os vínculos de fraternidade.
“Podemos pensar diferente e continuar sendo irmãos e irmãs. Podemos fazer escolhas políticas diferentes sem destruir a fraternidade”, afirmou.
Na avaliação apresentada durante a celebração, a participação política deve ser exercida com liberdade e responsabilidade, sem transformar diferenças partidárias em conflitos pessoais. A orientação dada aos fiéis foi para que as escolhas sejam feitas de forma consciente, considerando propostas, compromissos e seus efeitos sobre a sociedade.