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Sobrevivente fala sobre tragédia em Cruzeiro: 'Desesperador'

Por Da redação | Cruzeiro
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Sobrevivente da tragédia é filho de organizadora da romaria, que morreu no acidente
Sobrevivente da tragédia é filho de organizadora da romaria, que morreu no acidente

O que deveria ser mais uma tradicional romaria para Aparecida terminou em tragédia na manhã deste domingo (20), em Cruzeiro. Fábio Júnior, um dos passageiros que estavam no ônibus que caiu em uma ribanceira na Serra da Mantiqueira, descreveu os momentos do acidente como “desesperadores”.

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A mãe dele, Ilza de Nazaré Pereira de Paula, de 64 anos, organizadora da tradicional romaria, morreu após o veículo despencar na descida da serra.

Em um vídeo divulgado ao lado do vice-prefeito de Cruzeiro, José Rogério, Fábio contou que o grupo saiu de Rosário do Rio Grande, distrito de Itumirim, em Minas Gerais, próximo a Lavras, com destino a Aparecida. Segundo ele, a viagem fazia parte de uma romaria tradicional realizada todos os anos.

“Somos devotos há muitos anos. Faz a romaria. Já é tradicional. Todos os anos a gente faz”, relatou.

Segundo Fábio, a peregrinação só deixou de ser realizada durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, devido às restrições relacionadas às aglomerações.

O grupo havia feito uma parada no alto da serra para tomar café. Na sequência, durante a descida, ocorreu o acidente.

“Na descida da serra, infelizmente teve um trágico acidente. Minha mãe, que é a organizadora da romaria, veio a óbito”, contou.

‘Foi desesperador’

Fábio estava acordado no momento em que o ônibus perdeu o controle. Ele contou que tudo aconteceu em poucos segundos. “Foi desesperador. É coisa de segundo. O caminhão fazer uma curva, ele não conseguiu”, afirmou.

O sobrevivente também destacou que, apesar da gravidade do acidente, não havia outro veículo passando pelo trecho no momento da queda. Para ele, a presença de carros ou caminhões poderia ter provocado consequências ainda mais graves.

“Graças a Deus, não veio nenhum carro, nem caminhão, senão seria pior ainda”, disse.

Fábio afirmou ainda que, além de sua mãe, soube da morte de outras quatro pessoas do grupo. A tragédia deixou seis mortos no total (veja vídeo do local do acidente).

Maioria das vítimas é da mesma família

De acordo com o sobrevivente, a maior parte dos passageiros era formada por familiares. Como a comunidade de onde o grupo saiu é pequena, muitos dos integrantes da romaria se conheciam.

“A maior parte do pessoal é família. Só um que veio a óbito que é de cidade vizinha. Mas o resto é que lá é uma cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo. A maioria, 90% é família”, relatou.

A mãe de Fábio, Ilza de Nazaré Pereira de Paula, tinha 64 anos e era responsável pela organização da romaria.

Vítimas seguem em hospitais

Segundo atualização do Governo de São Paulo, 26 vítimas permaneciam em atendimento em unidades de saúde da região até o início da tarde deste domingo. Outras 16 pessoas já haviam recebido alta. O acidente deixou seis mortos.

A ocorrência foi registrada por volta das 5h30, no km 232 da Rodovia Doutor Avelino Júnior (SP-052). O ônibus seguia de Minas Gerais para Aparecida quando saiu da pista e caiu em uma ribanceira.

As vítimas foram encaminhadas para a Santa Casa de Cruzeiro, a Santa Casa de Lorena e a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Guaratinguetá.

Na Santa Casa de Lorena, 14 vítimas foram atendidas. Uma delas está em estado grave. Quatro pacientes permanecem na sala de emergência, dois estão em leitos de observação e outros oito recebem medicação.

Na UPA de Guaratinguetá, dois pacientes continuavam em atendimento na última atualização.

Prefeitura oferece assistência às famílias

O vice-prefeito de Cruzeiro, José Rogério, afirmou que a administração municipal está mobilizada para prestar assistência aos sobreviventes e familiares das vítimas.

“Nós da Prefeitura de Cruzeiro e toda nossa equipe aqui da Santa Casa, da assistência social, estamos à disposição. Nós vamos agora dar toda assistência que vocês precisam”, afirmou.

Segundo ele, o atendimento também envolve as vítimas que permanecem internadas em Lorena e Guaratinguetá.

Ônibus não tinha autorização

Além da investigação sobre as causas do acidente, a documentação do ônibus deverá ser apurada. Segundo a Polícia Militar Rodoviária, consulta à base da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) indicou que o veículo não tinha autorização para realizar transporte interestadual de passageiros.

De acordo com o tenente Vinícius de Souza Rocha, comandante de pelotão da Polícia Militar Rodoviária, o ônibus não possuía o cadastro exigido para esse tipo de operação.

A fiscalização deverá analisar a documentação do veículo e do motorista, além dos demais requisitos previstos para o transporte interestadual. A empresa responsável pelo ônibus ainda não havia sido oficialmente identificada.

Motorista fez bafômetro

O motorista do ônibus foi submetido ao teste do etilômetro, que apresentou resultado negativo para consumo de álcool, segundo o Governo de São Paulo.

A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da queda e verificar as condições do veículo, a documentação, a situação do motorista e os demais fatores relacionados à viagem.

O ônibus tinha capacidade para 48 passageiros, mas o número exato de pessoas que estavam no veículo no momento do acidente ainda dependia da conferência da lista de passageiros.

O resgate mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da concessionária responsável pela rodovia.

O acidente também provocou alterações no trânsito. O tráfego seguia em sistema de pare e siga no sentido norte, sem registro de congestionamento significativo na última atualização.

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