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Caso Décio é encerrado: jovem de SJC está desaparecido há 3 anos

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Décio de Castro Santos desapareceu em 18 de janeiro de 2023, em São José
Décio de Castro Santos desapareceu em 18 de janeiro de 2023, em São José

O caso do desaparecimento de Décio de Castro Santos, que mobiliza a família há mais de três anos, foi encerrado pela Justiça. O estudante desapareceu em 18 de janeiro de 2023, em São José dos Campos, e nunca mais foi localizado. A investigação poderá ser reaberta caso surjam novas provas ou informações consideradas relevantes para esclarecer o paradeiro do jovem.

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A apuração foi conduzida pela 3ª Delegacia de Homicídios da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de São José dos Campos. Durante o trabalho policial, foram realizadas quebras de sigilos telefônico e bancário, análises de movimentações financeiras, depoimentos de testemunhas, buscas em órgãos públicos e unidades de saúde, além da coleta de material biológico.

Mesmo com as diligências, a polícia não encontrou elementos capazes de indicar o paradeiro de Décio. O procedimento chegou a ser arquivado pela Justiça em setembro de 2024.

A pedido da família, porém, o caso foi desarquivado em junho de 2025 e novamente em novembro do mesmo ano. As reaberturas permitiram novas diligências e a análise de informações apresentadas pelos familiares.

Sem novos elementos que pudessem esclarecer o desaparecimento, o Ministério Público pediu o arquivamento definitivo do procedimento. A solicitação foi aceita pela Justiça em 11 de fevereiro de 2026.

O encerramento, no entanto, não impede uma eventual retomada da investigação. Caso apareçam novas provas ou informações relevantes, o caso poderá ser reaberto.

'Meu filho não é invisível'

É com essa frase que Sueli Leme do Nascimento resume a espera pela resposta sobre o que aconteceu com o filho. Décio desapareceu aos 23 anos e, atualmente, teria 27 anos.

Sem notícias desde janeiro de 2023, a mãe afirma acreditar que o filho tenha sido vítima de um crime após um encontro com um casal que esteve com ele nas horas que antecederam o desaparecimento. A hipótese, segundo ela, foi construída a partir de informações e indícios reunidos pela própria família e apresentados à Polícia Civil.

“Eu só quero saber a verdade. Se ele estiver morto, quero encontrar o corpo dele para dar um enterro digno. Não quero vingança, só quero encerrar essa dor”, afirmou Sueli.

Movimentações bancárias

Segundo a mãe, Décio passou as últimas horas de contato com um casal. Durante a madrugada de 19 de janeiro de 2023, foram registradas transferências via Pix e empréstimos bancários na conta do estudante. Os valores, de acordo com a família, ultrapassam R$ 2 mil.

Sueli relata que as movimentações ocorreram até aproximadamente 6h. Depois disso, a conta teria sido encerrada e não apresentou novas atividades.

A família também questiona o fato de não haver, segundo ela, registro de uma viagem por aplicativo de transporte após o encontro.

“O casal diz que meu filho foi embora sozinho, mas isso não faz sentido. Não existe registro de Uber, e ele sempre usava aplicativo para sair e voltar. Depois daquele momento, ele simplesmente desapareceu”, disse.

Última ligação aumenta angústia

Outro episódio permanece na memória da mãe. Poucas horas antes do desaparecimento, Sueli recebeu uma ligação de Décio enquanto trabalhava. Como não conseguiu atender, retornou posteriormente, mas o telefone já estava desligado.

Ela afirma que o comportamento era incomum para o filho.

“O Décio nunca ligava só uma vez. Quando queria falar comigo, insistia até eu atender. Hoje acredito que aquela ligação foi um pedido de socorro, e eu não escutei. Então, foi o último contato”, relatou.

Família apresentou novas informações

A família também buscou informações em equipamentos eletrônicos e redes sociais de Décio. Segundo Sueli, mensagens recuperadas indicariam que o estudante havia sido chamado diversas vezes pelo casal antes do encontro. Ela afirma ainda que a última localização conhecida do celular estaria relacionada à residência dessas pessoas.

A mãe também questiona alterações nas contas e conversas armazenadas no notebook entregue para análise policial.

Outro ponto levantado pela família envolve a possível presença de uma terceira pessoa no veículo que teria sido utilizado para transportar Décio. Sueli afirma que solicitou análises de imagens de câmeras de segurança e buscas com cães farejadores em locais onde acredita que o filho possa ter sido levado.

Sonho de cursar Medicina

Poucos dias antes de desaparecer, Décio havia conquistado uma bolsa integral para um cursinho preparatório para Medicina, segundo a família.

A mãe afirma que o filho mantinha uma rotina próxima dos familiares e dos amigos e que não acreditava que ele pudesse desaparecer voluntariamente.

“Ele conversava comigo todos os dias. Nunca deixaria de falar comigo, com as irmãs e com os amigos”, afirmou.

Família ainda espera por respostas

Mesmo com o encerramento judicial do procedimento, Sueli afirma que continuará buscando respostas sobre o desaparecimento do filho.

“Meu filho não é invisível. Nenhum filho desaparecido é invisível. Eu só peço que as autoridades continuem investigando. Preciso da verdade para conseguir seguir em frente.”

A família reforça que qualquer informação sobre Décio de Castro Santos pode ser comunicada às autoridades. O telefone da Polícia Militar é o 190. Informações também podem ser repassadas à Polícia Civil.

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