O Ministério Público de São Paulo denunciou Lafayete Gonzaga da Silva por feminicídio após a morte da ex-companheira, Angelita Manoela Rodrigues, atacada a facadas dentro de um supermercado. O crime aconteceu no domingo (16), e câmeras de segurança registraram o momento da agressão.
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O caso aconteceu na Zona Norte de São Paulo. Segundo a denúncia apresentada pelo MPSP, antes de perseguir a vítima até o estabelecimento, o acusado teria matado a facadas o cachorro dela no quintal da residência onde os dois moravam. Na sequência, ainda armado, ele teria seguido Angelita até o supermercado, localizado a poucos metros do imóvel.
Ex-companheira foi atacada dentro de supermercado
De acordo com a Promotoria, Lafayete entrou no estabelecimento e desferiu diversos golpes de faca contra Angelita diante de clientes e funcionários. As imagens das câmeras de segurança mostram pessoas correndo para escapar do ataque, entre elas crianças.
Após a agressão, o suspeito tentou fugir, mas acabou sendo contido por pessoas que estavam no local. Em seguida, ele foi levado para uma delegacia, onde permaneceu preso.
Angelita Manoela Rodrigues foi socorrida e encaminhada ao Hospital Brasilândia, mas não resistiu aos ferimentos provocados pelas facadas.
MP denuncia feminicídio e morte de cachorro
Além do feminicídio, o Ministério Público também denunciou Lafayete pelo crime de maus-tratos a animal com resultado morte, em razão da morte do cachorro da ex-companheira.
Para a Promotoria, o assassinato de Angelita ocorreu “por razões da condição do sexo feminino”, em um contexto de violência doméstica e familiar. A acusação considera ainda a relação íntima de afeto e a convivência que existia entre o acusado e a vítima.
O MP apontou também como circunstâncias qualificadoras a quantidade de golpes de faca e o fato de Angelita ter sido surpreendida dentro do supermercado, sem possibilidade de defesa.
Promotoria pede manutenção da prisão
Na denúncia, o Ministério Público solicitou à Justiça a manutenção da prisão preventiva de Lafayete. A prisão havia sido decretada após audiência de custódia realizada na segunda-feira (17).
A Promotoria também pediu que seja estabelecida uma indenização mínima de R$ 500 mil aos familiares de Angelita, como forma de reparação pelos danos provocados pelo crime.
A denúncia ainda será analisada pela Justiça, que deverá decidir sobre o prosseguimento da ação penal. A acusação apresentada pelo Ministério Público não representa, por si só, uma condenação.
O que diz a defesa do suspeito
A defesa técnica de Lafayete Gonzaga da Silva, representada pelo escritório da Dra. Sarha Rosenbaum, afirmou que as provas necessárias para esclarecer os fatos serão produzidas durante o processo.
Segundo a defesa, neste momento a atuação está concentrada na audiência de custódia, procedimento destinado à análise da legalidade da prisão e à verificação da integridade física do custodiado.
A defesa ressaltou ainda que a audiência de custódia não antecipa um julgamento sobre culpa ou mérito e serve para que a Justiça avalie a necessidade de manter a prisão ou aplicar medidas cautelares alternativas, conforme a legislação.
O que diz a defesa da vítima
A defesa de Angelita Manoela Rodrigues, patrocinada pelo escritório da Dra. Mariângela Diaz Brossi, informou que acompanha o andamento das investigações e das medidas judiciais relacionadas ao caso.
Em nota, os advogados afirmaram que a atuação está voltada ao completo esclarecimento das circunstâncias que envolveram a morte da vítima, além da preservação e apresentação de elementos que possam contribuir para a reconstrução dos acontecimentos.
A defesa também destacou a importância de uma investigação independente, técnica, rigorosa e imparcial, com análise de todas as circunstâncias e provas disponíveis, sem antecipação de conclusões sobre a responsabilidade penal de qualquer pessoa.
Os advogados afirmaram ainda que o caso não deve representar o fim da busca pela verdade e defenderam que, caso as investigações comprovem a prática de crimes, os responsáveis sejam responsabilizados conforme determina a lei.
A defesa disse confiar na atuação das autoridades policiais, do Ministério Público e do Poder Judiciário e informou que adotará as medidas jurídicas necessárias para preservar a memória, a dignidade e os direitos de Angelita.
Por respeito à vítima e à regularidade das investigações, os advogados afirmaram que não pretendem antecipar informações ou conclusões que deverão ser apresentadas formalmente às autoridades e analisadas pela Justiça.
Caso foi registrado por câmeras de segurança
As câmeras do supermercado registraram a ação e mostram a movimentação de clientes durante o ataque. As imagens também evidenciam o momento em que pessoas tentam deixar o local para escapar da agressão.
O material deverá integrar o conjunto de provas analisadas durante a investigação e eventual processo criminal.