Uma estagiária de Direito está entre os dez presos na Operação X-Men, deflagrada pela Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais) na segunda-feira (17), em Taubaté.
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Segundo a Polícia Civil, Camila Carvalho Bonafé Alves Corrêa, conhecida pelo apelido “Jean Grey”, integrava a organização criminosa investigada por envolvimento em 15 assassinatos na cidade.
A Operação X-Men faz referência à estratégia usada pelos criminosos para dificultar a identificação dos integrantes durante as comunicações. Segundo a investigação, eles utilizavam nomes de personagens dos X-Men para se referir uns aos outros.
A investigação aponta que a estagiária tinha uma função importante dentro da estrutura do grupo: manter a comunicação entre integrantes que estavam presos e criminosos que continuavam em liberdade.
De acordo com a Deic, ela recolhia cartas enviadas de dentro dos presídios e retransmitia aos integrantes nas ruas as determinações dadas pelas lideranças da organização.
A atuação, segundo os investigadores, permitia que o grupo mantivesse sua estrutura e continuasse transmitindo ordens mesmo após a prisão de integrantes apontados como importantes na hierarquia da quadrilha.
Grupo mantinha dossiê do crime
A investigação também revelou que a organização mantinha um chamado “dossiê do crime”, usado para reunir informações sobre possíveis vítimas de homicídios. O material continha pesquisas em redes sociais, imagens e dados sobre os locais frequentados pelos alvos.
Um dos integrantes presos na operação é apontado como responsável pela logística dos assassinatos. Segundo a polícia, ele pesquisava possíveis vítimas na internet, utilizava perfis falsos para obter informações e circulava de carro por determinados locais para filmar os alvos.
As informações eram reunidas e encaminhadas aos integrantes que, de acordo com a investigação, seriam responsáveis pelas execuções.
A polícia também apurou que o grupo preparava veículos roubados para serem utilizados nos homicídios. Os automóveis recebiam características semelhantes às de outros carros, em uma estratégia conhecida como “dublê”, e depois eram abandonados para dificultar a identificação pelos investigadores.
Disputa entre facções
A investigação começou após o aumento expressivo dos homicídios em Taubaté em 2021. Naquele ano, a cidade registrou 42 mortes violentas, praticamente o dobro da média de cerca de 21 casos anuais registrada anteriormente, segundo a Polícia Civil.
Para os investigadores, parte da escalada da violência esteve relacionada à disputa entre facções pelo controle do tráfico de drogas em Taubaté e em outras cidades do Vale do Paraíba.
Ao longo das apurações, a Deic identificou integrantes, lideranças e o modo de atuação da organização. Além do tráfico, o grupo é investigado por roubos que teriam como objetivo financiar a compra de armas e manter a estrutura criminosa.
Mesmo com a prisão de integrantes importantes, a organização teria conseguido preservar parte de sua estrutura e manter a comunicação entre os criminosos presos e aqueles que permaneciam em liberdade.
Operação X-Men
A Operação X-Men cumpriu mandados de prisão preventiva expedidos pela 3ª Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro, unidade recentemente criada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
A Justiça determinou a prisão de 17 investigados. Dez foram encontrados e presos durante a operação. Outros sete continuam foragidos e são procurados pela Polícia Civil.
O nome da operação faz referência à estratégia usada pelos criminosos para dificultar a identificação dos integrantes durante as comunicações. Segundo a investigação, eles utilizavam nomes de personagens dos X-Men para se referir uns aos outros.
A ação contou com apoio de equipes do 1º e do 4º distritos policiais de Taubaté e da Guarda Civil Municipal.
As investigações continuam, enquanto a polícia busca os sete suspeitos que ainda não foram localizados. A Operação X-Men é uma das principais ações da Deic contra a organização apontada como parte da disputa pelo tráfico de drogas e da escalada de homicídios registrada em Taubaté.
A defesa dos investigados não foi localizada. O espaço segue aberto.