Uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas comprou armas com dinheiro de roubos e utilizou carros roubados para arquitetar a morte de rivais em Taubaté, segundo a Polícia Civil.
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A estrutura do grupo foi alvo da Operação X-Men, deflagrada pela Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais) nessa segunda-feira (17). Dez investigados foram presos.
Ao todo, a Justiça expediu 17 mandados de prisão preventiva contra integrantes da organização. Dez ordens foram cumpridas durante a operação, enquanto outros sete investigados passaram à condição de foragidos.
As medidas foram determinadas pela 3ª Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro do Tribunal de Justiça de São Paulo. A ação contou com apoio de equipes do 1º e do 4º distritos policiais de Taubaté e da Guarda Civil Municipal.
Mortes para dominar o tráfico
De acordo com a Deic, a investigação começou após uma forte escalada da violência em Taubaté, em 2021. Naquele ano, a cidade passou de uma média de 21 para 42 homicídios consumados.
Segundo os investigadores, o aumento das mortes estava relacionado a uma disputa entre grupos rivais ligados ao tráfico de drogas. Com o avanço das apurações e a prisão de suspeitos, a Polícia Civil conseguiu identificar a estrutura e o modo de atuação da organização.
A investigação aponta que o grupo elaborava planos para eliminar integrantes de facções rivais e ampliar o controle sobre o tráfico na cidade.
Para viabilizar os ataques, os criminosos teriam recorrido a uma estratégia que envolvia roubos de veículos e de outros bens. O dinheiro obtido com os crimes era usado, segundo a polícia, para a compra de armas.
Os carros roubados passavam por adulterações e eram transformados em veículos chamados de “dublês”. Depois, eram utilizados nas ações planejadas contra os rivais e abandonados para dificultar a identificação dos envolvidos.
Levantamento dos alvos
Entre os presos na Operação X-Men está o homem apontado pela investigação como responsável pela preparação da logística dos homicídios determinados pelas lideranças da organização.
Segundo a Deic, ele pesquisava os possíveis alvos nas redes sociais, levantava informações sobre os locais frequentados pelas vítimas e verificava, inclusive pela internet, onde elas poderiam ser encontradas.
O investigado também teria circulado de carro pelos locais para fazer filmagens. As informações reunidas eram encaminhadas aos integrantes encarregados de executar os ataques, formando o que os policiais chamaram de “dossiê do crime”.
A mesma pessoa, conforme a investigação, também atuava na preparação dos veículos “dublês” que seriam utilizados nas ações.
Integrantes atuavam presos
A investigação identificou ainda que a organização mantinha mecanismos de comunicação mesmo depois que parte de seus integrantes foi presa.
Segundo a Polícia Civil, criminosos que estavam no sistema prisional utilizavam cartas para transmitir ordens aos comparsas que continuavam em liberdade. Para os investigadores, a prática demonstra o nível de organização e a divisão de funções dentro do grupo.
O líder apontado pela polícia e o braço direito dele já estavam presos em razão de uma prisão em flagrante realizada anteriormente pela Deic.
Personagens X-Men
O nome da operação surgiu de uma característica adotada pelos integrantes da organização durante uma das fases de sua atuação.
Conforme a Deic, os criminosos passaram a utilizar apelidos relacionados aos personagens da franquia de animação, cinema e histórias em quadrinhos X-Men. A estratégia teria como objetivo dificultar a identificação dos envolvidos e a comunicação entre os integrantes.
A operação desta segunda-feira encerra uma longa etapa da investigação conduzida pela Deic de Taubaté. A polícia agora busca os sete investigados que permanecem foragidos.