“Lívia, você sempre estará em nosso coração”.
A mensagem foi publicada neste domingo (16) pela irmã da universitária Lívia Berthoud, de 23 anos, morta a tiros em Pindamonhangaba, e acompanha um desabafo da família em defesa da memória da jovem.No sábado (15), uma passeata homenageou Lívia.
A irmã, Laura Berthoud, também pediu Justiça e contestou informações que, segundo ela, passaram a circular nas redes sociais após o feminicídio.
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Em uma publicação, Laura afirmou que tem visto “muita desinformação” sobre a irmã e sobre as circunstâncias do crime. Entre os conteúdos contestados está a versão de que Lívia teria traído o ex-namorado, Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos, conhecido como Cadu.
“Minha irmã nunca, NUNCA, chegou perto de fazer isso com ele e jamais faria”, escreveu Laura. Segundo ela, durante os quatro anos de relacionamento, Lívia teria se dedicado a cuidar, apoiar e ajudar o então namorado.
A irmã também negou que houvesse violência física durante o relacionamento. Segundo o relato, o que ocorreu após o término foi uma sequência de perseguições e tentativas de contato, mesmo diante da decisão de Lívia de encerrar a relação.
Família relata perseguição após o término
Lívia havia terminado o relacionamento cerca de cinco meses antes de ser assassinada. Segundo a família, Cadu não teria aceitado a separação e passou a buscar diferentes formas de manter contato com a jovem.
Entre os relatos estão mensagens enviadas por diferentes números, transferências de R$ 0,01 via Pix acompanhadas de textos, cartas, presentes e tentativas de provocar encontros com a estudante pelas ruas.
De acordo com Laura, Lívia se afastava e se recusava a conversar com o ex-namorado.
“Ela não queria contato. Ela havia terminado e estava tentando seguir a própria vida”, afirmou a irmã.
A família reuniu registros das tentativas de contato, incluindo prints e extratos, e procurou a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). Lívia conseguiu uma medida protetiva que determinava que o ex mantivesse distância mínima de 100 metros dela.
Foto com arma aumentou temor da família
Dias antes do assassinato, familiares tomaram conhecimento de uma fotografia em que Cadu aparece apontando uma arma de fogo para a própria cabeça.
A imagem foi feita em meio à escalada de preocupação da família. Na semana anterior ao crime, familiares do rapaz teriam procurado Lívia para pedir que ela gravasse um áudio de apoio a ele, após relatarem que Cadu havia admitido uso de drogas e precisava ser convencido a se internar.
Lívia recusou, segundo os familiares, por temer que qualquer manifestação fosse interpretada como uma tentativa de reaproximação.
A fotografia aumentou o temor porque, segundo a família, demonstrava que o homem tinha acesso a uma arma.
Medida protetiva foi concedida antes do assassinato
A sequência que antecedeu o crime ocorreu em poucos dias. A ocorrência por perseguição foi registrada na quarta-feira. No dia seguinte, Lívia prestou depoimento e apresentou documentos reunidos pela família.
Na sexta-feira, um oficial de Justiça esteve na residência para comunicar a concessão da medida protetiva.
Na segunda-feira (10), porém, Lívia saiu de casa para ir à academia e foi abordada pelo ex-namorado próximo à residência. Ela tentou fugir, mas foi alcançada e morta a tiros.
Câmeras de segurança registraram a ação. Nas imagens, a jovem aparece correndo e tentando escapar. Em determinado momento, ela se aproxima de um carro que passava pela rua, aparentemente em busca de ajuda. O veículo não para.
Pouco depois, Lívia é alcançada e atingida pelos disparos.
Família contesta versão sobre nome escrito no espelho
Outro ponto esclarecido pela irmã envolve a informação de que Cadu teria escrito o nome de Lívia com sangue no espelho do banheiro do apartamento onde foi localizado.
Segundo Laura, essa informação não corresponde ao que a família foi informada pelos policiais. Conforme o relato dela, a inscrição teria sido feita com o vapor do banheiro, e não com sangue.
O episódio, de qualquer maneira, permanece entre os elementos relacionados à investigação e deverá ser esclarecido oficialmente pelas autoridades a partir dos vestígios e perícias realizados no imóvel.
“Essa é a verdade. Qualquer coisa além disso é especulação, sensacionalismo ou simplesmente mentira”, afirmou Laura.
Ex foi encontrado ferido e segue preso
Após o assassinato, policiais foram até o condomínio onde Cadu morava, no bairro Bela Vista, em Pindamonhangaba. Um Chevrolet Prisma associado ao investigado estava estacionado em frente ao local, com o motor ainda quente, segundo o registro policial.
Os agentes fizeram um cerco ao imóvel porque havia a informação de que o homem poderia estar armado. Ele foi encontrado ferido e coberto de sangue dentro do apartamento.
Segundo o boletim de ocorrência, o investigado teria efetuado um disparo contra si próprio depois de retornar ao imóvel. Ele foi levado pelo Samu ao Pronto-Socorro Municipal de Pindamonhangaba.
Um revólver Taurus calibre .38, com quatro munições deflagradas no tambor, foi apreendido. Celulares, incluindo um aparelho que pertencia a Lívia, também foram recolhidos para a investigação.
A Polícia Civil realizou ainda exame residuográfico nas mãos do investigado. O objetivo é reunir elementos que possam ajudar a esclarecer a dinâmica dos disparos e a eventual utilização da arma apreendida no crime.
Justiça decretou prisão preventiva
A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de Cadu durante audiência de custódia realizada na terça-feira (11). Ele não participou presencialmente porque continuava internado e sem condições clínicas.
A prisão em flagrante foi convertida em preventiva. O investigado deverá prestar depoimento quando estiver em condições de participar dos atos processuais.
A investigação busca esclarecer a dinâmica do feminicídio, o histórico do relacionamento, as ameaças e tentativas de contato relatadas pela família, além de eventual descumprimento da medida protetiva.
‘Respeitem a Lívia’, pede irmã
Estudante de Direito da Unitau (Universidade de Taubaté), Lívia faria a colação de grau no fim do ano. Ela era estagiária do Tribunal de Justiça de São Paulo e sonhava trabalhar com a irmã na defesa das mulheres e na busca por Justiça.
Após a morte, Laura já havia publicado uma homenagem à jovem.
“Enquanto eu respirar, lutarei por justiça. Lutarei por você. E enquanto houver vida em mim, haverá amor por você”, escreveu.
Agora, diante da circulação de informações que considera falsas, a irmã voltou a pedir respeito à memória da jovem.
“Respeitem a Lívia. Respeitem a nossa família. E, principalmente, respeitem a verdade.”
Ao final da publicação, deixou a mensagem: “Justiça por Lívia!”