LUTO EM SÃO JOSÉ

Sonho do pai era que gêmeas siamesas de SJC pudessem se olhar

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Redes Sociais

Por quase três anos, Amarildo Batista da Silva carregava um sonho simples, mas enorme: ver as filhas gêmeas Heloísa e Helena separadas e, finalmente, podendo olhar uma para a outra.

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As meninas, de São José dos Campos, nasceram unidas pela cabeça e passaram por cinco procedimentos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. A última cirurgia começou no sábado (15), mas, após 15 horas de procedimento, as duas não resistiram.

As meninas morreram e serão enterradas em São José.

O sonho do pai acompanhou toda a trajetória médica das meninas. Depois da primeira cirurgia, em agosto de 2025, Amarildo contou que esperava ver as filhas separadas e capazes de interagir de uma maneira que, até então, não era possível.

Era uma expectativa construída em cada etapa do tratamento.

O sepultamento aconteceu às 9h desta segunda-feira (17), no Cemitério Municipal Colônia Paraíso.

Um sonho construído ao longo de um ano

A separação não seria feita de uma só vez. Para reduzir os riscos e preparar as estruturas compartilhadas pelas meninas, os médicos dividiram o procedimento em cinco etapas.

A primeira cirurgia ocorreu em agosto de 2025. Depois vieram outras duas etapas voltadas ao avanço da separação das estruturas cerebrais e dos vasos sanguíneos compartilhados.

Em março deste ano, a quarta cirurgia teve outro objetivo: preparar a pele das meninas para que os médicos pudessem fechar os crânios após a separação definitiva.

A cada procedimento, a família se aproximava daquele momento que parecia ser o ponto final de uma longa espera.

Mas a quinta etapa, justamente a cirurgia definitiva, terminou de forma trágica.

“Poder ver uma à outra”

Para a família, a separação significava muito mais do que o fim de uma sequência de procedimentos médicos.

Significava a possibilidade de Heloísa e Helena conhecerem uma nova forma de estar juntas.

O pai imaginava as duas podendo se olhar, interagir e descobrir uma relação que a condição em que nasceram não permitia da mesma maneira.

Esse sonho esteve presente durante todo o tratamento e ajuda a dimensionar o impacto da notícia da morte das meninas.

A despedida depois de cinco cirurgias

Heloísa e Helena passaram por um dos procedimentos médicos mais complexos realizados pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

Mais de 50 profissionais participaram da etapa final. O planejamento começou em 2024 e envolveu exames de imagem, ressonâncias, tomografias, realidade virtual e modelos tridimensionais para estudar as estruturas compartilhadas pelas irmãs.

Quatro etapas anteriores haviam sido concluídas com sucesso.

A quinta, porém, não terminou como a família esperava.

O sonho de Amarildo era que as filhas pudessem, um dia, olhar uma para a outra.

A cirurgia buscava tornar isso possível. A despedida, porém, veio antes.

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