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'Me salva': Gu pede R$ 50 para pagar Daniel antes da morte em SJC

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Câmera flagra momento em que Gustavo (foto acima) é morto a tiros por Daniel (foto abaixo)
Câmera flagra momento em que Gustavo (foto acima) é morto a tiros por Daniel (foto abaixo)

Uma troca de áudios obtida com exclusividade por OVALE revela um novo capítulo na investigação do assassinato de Gustavo do Prado, de 32 anos, executado a tiros na porta de casa, em São José dos Campos. A informação muda o rumo das investigações.

Minutos antes de ser morto, a vítima pediu dinheiro emprestado ao irmão para quitar uma dívida com Daniel Wilson de Souza, de 36 anos, apontado pela Polícia Civil como autor dos disparos.

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Inicialmente, a principal linha apurada pelos investigadores indicava que Daniel seria o devedor e que Gustavo teria sido morto após cobrar um valor. No entanto, os áudios mostram justamente o contrário: Gustavo era quem devia dinheiro ao investigado e tentava conseguir R$ 50 para evitar um desfecho violento.

Segundo informações apuradas por OVALE, o irmão de Gustavo chegou a enviar R$ 31 por Pix. Entretanto, a transferência foi feita para uma conta bancária errada e o valor acabou bloqueado pela instituição financeira em razão de uma dívida existente em nome da vítima. Sem acesso ao dinheiro, Gustavo não conseguiu pagar Daniel.

Pouco depois, ele foi morto a tiros em frente à própria residência. Imagens de câmeras de segurança registraram toda a sequência do crime, ocorrido às 2h47 de domingo.

"Salva eu desse BO"

Nos áudios enviados ao irmão, Gustavo demonstra desespero ao pedir ajuda financeira. Ele afirma que Daniel estava em seu portão aguardando o pagamento e promete devolver o dinheiro logo no início da semana seguinte, quando receberia um adiantamento do trabalho.

Em um dos trechos, ele afirma que precisava de R$ 50 para quitar a dívida e evitar problemas. Em outra mensagem, pede ao menos R$ 30 para entregar como entrada, dizendo que conseguiria negociar o restante até segunda-feira.

As gravações mostram que Gustavo acreditava que o pagamento seria suficiente para impedir uma possível agressão. No entanto, o erro na transferência bancária impediu que ele tivesse acesso ao dinheiro.

Nova versão para a motivação do crime

Os áudios representam uma mudança importante na linha investigativa.

Até então, a Polícia Civil trabalhava com a hipótese de que Daniel teria uma dívida com Gustavo e que a cobrança teria motivado o homicídio.

Com o surgimento das mensagens, a investigação passa a indicar que Gustavo buscava quitar um débito com o suspeito poucas horas antes da execução.

A Polícia Civil deve analisar os novos elementos como parte do inquérito.

Atirador se entregou à polícia

Após negociações entre a Delegacia de Homicídios e a defesa, Daniel apresentou-se espontaneamente na unidade policial de São José dos Campos nesta quarta-feira (5).

Durante o interrogatório, ele exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e informou que prestará esclarecimentos apenas durante o processo judicial.

Em seguida, foi encaminhado para audiência de custódia antes de seguir para o CDP (Centro de Detenção Provisória).

Testemunha confirmou autoria

As investigações apontam que o segundo ocupante do carro utilizado no crime foi localizado em Curitiba (PR) e ouvido por videoconferência.

Segundo seu depoimento dele, Daniel foi o responsável pelos disparos. A testemunha afirmou ainda que o suspeito estava embriagado no momento do crime e que a discussão ocorreu por causa da cobrança da dívida.

O homem também declarou que, cerca de três semanas antes do homicídio, Gustavo já havia sido cobrado pelo mesmo débito e que Daniel teria efetuado disparos para o alto para intimidá-lo.

Execução foi registrada por câmeras

Imagens de câmeras de segurança registraram toda a execução.

O vídeo mostra o veículo chegando à residência de Gustavo por volta das 2h47. Após uma breve conversa entre os dois, Daniel saca a arma e atira diversas vezes contra a vítima.

Mesmo depois de Gustavo cair no chão, o atirador desce do carro e continua efetuando disparos à queima-roupa antes de fugir.

Equipes do Samu foram acionadas, mas apenas constataram a morte no local.

Leia mais: Matador executou Gustavo no chão em São José; VEJA O VÍDEO

Prisão temporária

Antes de se entregar, Daniel era considerado foragido da Justiça. A Vara do Júri de São José dos Campos havia decretado sua prisão temporária por 30 dias.

Durante as buscas, a Polícia Civil localizou o veículo utilizado no homicídio, mas não encontrou o investigado.

Segundo a corporação, Daniel possui antecedentes criminais e já havia sido preso em 2022 por tentativa de homicídio e posse ilegal de arma de fogo, tendo obtido posteriormente liberdade provisória por decisão judicial.

Na casa de Gustavo, os peritos encontraram a porta aberta, luzes acesas e a televisão ligada. O celular da vítima e projéteis recolhidos na cena foram apreendidos e passarão por exames periciais.

Sonho de recomeçar foi interrompido

Dias antes de morrer, Gustavo manifestava a amigos e familiares o desejo de mudar de vida.

Segundo um amigo de infância ouvido por OVALE, ele pretendia voltar a frequentar a igreja, reconstruir sua vida espiritual e retomar a caminhada na fé. Também compartilhava mensagens bíblicas, reflexões e áudios religiosos com pessoas próximas.

O assassinato interrompeu um momento que amigos descrevem como de transformação pessoal.

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