Um boletim de ocorrência da Polícia Civil revela que um pai de santo de Jacareí teria usado a promessa de cura espiritual e física para convencer uma jovem de 22 anos e sua mãe, de 43 anos, a manter relações sexuais com ele a cada 15 dias.
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Segundo a denúncia, o discurso de suposta cura foi utilizado durante anos e só foi descoberto quando as duas perceberam que viviam uma situação semelhante dentro do terreiro de Umbanda frequentado por ambas.
O caso foi registrado na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Jacareí e envolve denúncias de estupro, violação sexual mediante fraude, perseguição e ameaça. A Polícia Civil solicitou medidas protetivas de urgência para as vítimas.
Segundo os relatos registrados no boletim de ocorrência, o investigado mantinha um terreiro de Umbanda nos fundos de sua residência, onde também ministrava aulas de capoeira. A mãe da jovem frequentava as aulas, enquanto a filha acompanhava as atividades.
Com o passar do tempo, a jovem passou a frequentar o centro religioso, em 2018, e chegou a auxiliar o pai de santo na organização das cerimônias. Ela também trabalhou em um lava-rápido de propriedade do investigado e alugou um imóvel pertencente a ele, aumentando a convivência entre os dois.
Jovem relata início das investidas
De acordo com o depoimento prestado à Polícia Civil, a jovem afirmou que, a partir de 2022, o investigado passou a fazer comentários de cunho sexual, tocar seu corpo e beijá-la no pescoço, atitudes que teriam causado desconforto.
Ainda conforme o boletim, em 2023 o pai de santo teria convidado a jovem para ir ao terreiro e oferecido uma carona. Ao chegar ao local, ela relatou que não havia outras pessoas no ambiente.
Segundo a denúncia, o homem teria agarrado a vítima e mantido relação sexual contra sua vontade. A jovem afirmou que tentou se afastar e disse que não queria, mas acabou cedendo por medo do investigado.
Pai de santo recomendava 'cura espiritual', diz jovem
Após esse episódio, conforme o relato, o pai de santo passou a afirmar que a jovem precisava de uma "cura espiritual" e de tratamento para problemas do plano físico. Segundo ela, o investigado dizia que as relações sexuais com ele seriam necessárias para alcançar essa suposta cura.
A vítima contou que nunca havia sido religiosa, mas passou a acreditar nas orientações após observar relatos de pessoas que frequentavam o terreiro e diziam ter melhorado de vida. Convencida pelo discurso, afirmou que manteve relações sexuais com o investigado quinzenalmente até fevereiro de 2026.
Mãe descobriu que também era alvo do mesmo discurso
Segundo o boletim de ocorrência, a situação foi descoberta após uma conversa entre mãe e filha.
A jovem relatou que percebeu que o pai de santo utilizava o mesmo argumento de cura espiritual com sua mãe. A mulher, por sua vez, afirmou à Polícia Civil que também mantinha relações sexuais com o investigado pelo mesmo motivo.
Conforme o depoimento da mãe, os episódios ocorreram entre 2023 e dezembro de 2025, também com frequência quinzenal.
Após entenderem que o discurso de cura era repetido com as duas, mãe e filha decidiram se afastar do terreiro na segunda quinzena de fevereiro deste ano.
Perseguição e ameaça após afastamento
Ainda segundo o registro policial, após o afastamento, a jovem passou a ser perseguida pelo investigado.
Ela relatou que o homem passava de carro em frente à sua casa, enviava mensagens insistentes pelo WhatsApp e chegou a entrar no imóvel que ela alugava usando uma cópia da chave.
A vítima afirmou ainda que, na primeira quinzena de fevereiro de 2026, o investigado voltou a procurá-la e tentou manter relação sexual novamente, mas ela recusou.
Já a mãe contou que, em junho deste ano, decidiu confrontar o pai de santo e a esposa dele sobre os fatos. Segundo o relato, os dois permaneceram em silêncio.
Ainda conforme a denúncia, o homem teria ameaçado a mulher, afirmando que, caso ela o denunciasse, "saberia do que ele era capaz". A vítima afirmou ter sentido medo de sofrer algum tipo de agressão.
Investigação
Diante dos relatos, a Polícia Civil registrou a ocorrência pelos crimes de estupro, violação sexual mediante fraude, perseguição e ameaça.
As vítimas foram orientadas sobre os procedimentos legais e solicitaram medidas protetivas de urgência. O caso segue em investigação pela Delegacia de Defesa da Mulher de Jacareí.
A reportagem não localizou a defesa do investigado e aguarda manifestação. O espaço permanece aberto para posicionamento.