Uma mansão, veículos de luxo e outros bens avaliados em até R$ 2,5 milhões foram bloqueados pela Justiça durante uma operação deflagrada na manhã desta quarta-feira (29) em São José dos Campos e Jacareí.
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A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo o Ministério Público de São Paulo, teria sido montado para esconder o patrimônio de um traficante condenado em uma das maiores operações já realizadas contra o crime organizado no Vale do Paraíba.
Um dos alvos foi uma mansão no condomínio Crystal Park, em Jacareí.
Batizada de Operação Conúbio, a ofensiva mobilizou promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e policiais civis do NECCOLD (Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada). Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de imóveis de alto padrão, automóveis e recursos financeiros para impedir que os bens sejam transferidos ou ocultados durante a investigação.
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O foco da operação não é apenas prender suspeitos, mas atingir o patrimônio que, segundo os investigadores, foi construído com recursos provenientes do tráfico de drogas e posteriormente "legalizado" por meio de negócios aparentemente lícitos.
Esquema teria usado empresa para esconder dinheiro
As investigações apontam que os envolvidos utilizavam uma empresa para ocultar a origem do dinheiro e disfarçar a propriedade de imóveis e outros bens adquiridos com recursos provenientes da atividade criminosa.
Segundo o Ministério Público, também foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados e negociações imobiliárias consideradas suspeitas, o que reforçou a suspeita de lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Regional de Garantias de São José dos Campos.
Ligação com a Operação Boate Azul
A Operação Conúbio tem origem nas investigações da Operação Boate Azul, deflagrada pelo Gaeco em outubro de 2016.
Naquela ocasião, foi desarticulada uma organização criminosa que dominava o tráfico de drogas na região sul de São José dos Campos e era comandada por um integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital).
De acordo com o Ministério Público, um dos atuais investigados foi condenado a 13 anos e dois meses de prisão por tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e falsidade ideológica em decorrência daquela operação. Conforme as investigações, mesmo após a condenação, pessoas próximas passaram a ocultar e administrar o patrimônio acumulado pelo grupo criminoso.
Operação histórica apreendeu drogas, armas e R$ 2 milhões
Considerada uma das maiores ofensivas do Gaeco no Vale do Paraíba, a Operação Boate Azul resultou na prisão de 23 integrantes da organização criminosa.
Na ação, foram apreendidos mais de 100 quilos de drogas, fuzis, espingardas, pistolas, revólveres e milhares de munições. Em um apartamento localizado em Jacareí, os investigadores também encontraram R$ 2.071.550 em dinheiro vivo, atribuídos ao chefe da organização criminosa.
Investigações continuam
Segundo o Ministério Público, a Operação Conúbio representa uma nova estratégia de combate ao crime organizado: enfraquecer financeiramente as facções criminosas, atingindo imóveis, veículos, empresas e aplicações financeiras supostamente adquiridos com dinheiro ilícito.
As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e ampliar o rastreamento do patrimônio ligado ao esquema.