SAÚDE

Moradora de São José recebe prótese com tecnologia 3D

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Claudio Vieira/PMSJC
Beatriz de Jesus da Cunha Silva
Beatriz de Jesus da Cunha Silva

A moradora de São José dos Campos, Beatriz de Jesus da Cunha Silva, de 64 anos, recebeu uma nova prótese de membro superior desenvolvida de forma personalizada por meio de impressão 3D. O equipamento foi produzido dentro do projeto PET-Saúde: Informação e Saúde Digital, do Ministério da Saúde, em parceria com a Prefeitura de São José dos Campos e a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

A iniciativa reúne profissionais da rede municipal de saúde, pesquisadores e estudantes para desenvolver tecnologias voltadas à reabilitação de pacientes atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O projeto utiliza a impressão 3D para produzir próteses de membro superior adaptadas às características de cada usuário.

Histórico

Conhecida como Bia, Beatriz perdeu o antebraço esquerdo em 2007 após ser diagnosticada com um sarcoma. Além da amputação, ela passou por sessões de quimioterapia e, posteriormente, por uma cirurgia no pulmão.

Na época, a médica disse que eu tinha três meses de vida. Você fica sem chão quando recebe uma notícia dessas”, conta Beatriz.

Antes da doença, ela trabalhava como costureira e mantinha uma loja. Com o tratamento, interrompeu as atividades.

Eu era costureira, dona de uma lojinha. Vendi tudo, o maquinário, tecidos… não tinha forças para continuar”.

Meses depois da amputação, Beatriz recebeu sua primeira prótese pela Prefeitura de São José dos Campos. Segundo ela, a adaptação exigiu tempo.

Tive dificuldades para me acostumar, porque ela era um pouco pesada. Mas eu não gostava de ficar sem, então usava mesmo com o incômodo”, explica.

Durante a pandemia de covid-19, voltou a costurar ao participar de uma ação voluntária de produção de máscaras para doação.

Minha cabeça estava mal. Na igreja, voltei a costurar para ajudar as pessoas, e isso me fez bem. Sempre fui apaixonada por costura e estava sentindo falta”, destacou.

Nova prótese

Com o desgaste do equipamento antigo e as limitações para realizar atividades diárias, Beatriz solicitou uma nova prótese à rede municipal de saúde. O pedido passou a integrar o projeto desenvolvido em parceria com a Unifesp.

A paciente participou de todas as etapas de desenvolvimento do novo equipamento. O processo começou com o escaneamento do braço direito. A partir das imagens, um software reproduziu digitalmente o membro esquerdo, permitindo a fabricação da prótese por impressão 3D.

Durante a produção, ela acompanhou os testes, participou dos ajustes no formato da mão, definiu a posição dos dedos e escolheu a cor do material.

Queria uma que fosse leve, para usar o dia inteiro e fazer minha rotina com ela, sem ficar tirando. E eu gostaria que fosse bonita, sou vaidosa”, brincou.

Após os testes e adaptações, o equipamento foi finalizado conforme as medidas e preferências da paciente.

Foram várias provas, fui experimentando até deixar do jeito que eu imaginava. E na verdade, ficou ainda melhor. É um sonho realizado”, afirma.

Ao comparar o processo ao trabalho que exerceu por muitos anos, Beatriz fez uma analogia com a costura.

Igual costura, né? A gente vai ajustando, faz uma barra, arruma a cintura… e no fim, acerta”, resumiu.

Uso no dia a dia

Desde o fim de maio, Beatriz utiliza a nova prótese em casa e nas atividades diárias. Segundo ela, o equipamento facilita o trabalho na máquina de costura por permitir o apoio da mão durante o manuseio dos tecidos.

Com a outra prótese, eu não costurava tão bem, me atrapalhava. Essa, além de ser levinha, dá pra eu virar a mão e segurar o tecido, ir empurrando. Ficou excelente, estou adorando”, disse.

Ela também afirma que o equipamento passou a auxiliá-la em outras tarefas do cotidiano.

Está comigo aonde eu vou. No mercado, amarro as compras nela. Posso ir na hidroginástica com ela também, pois é à prova d’água. É maravilhoso ter minha independência”.

Ao final, Beatriz agradeceu às equipes envolvidas no atendimento e no desenvolvimento da prótese.

Sou muito grata a cada um deles pelo ótimo atendimento e cuidado comigo. Desejo que continuem nesse caminho e essas próteses beneficiem quem precisa, assim como eu.

Comentários

Comentários