NEGÓCIO

Empresa de SJC, Akaer é vendida para grupo dos Emirados Árabes

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Cerimônia entre Akaer e Grupo Edge
Cerimônia entre Akaer e Grupo Edge

Fundada e sediada em São José dos Campos, a empresa Akaer foi vendida para o Grupo Edge, conglomerado de defesa e tecnologia avançada dos Emirados Árabes Unidos.

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O grupo anunciou um acordo para comprar 100% da Akaer, empresa brasileira de defesa e engenharia aeroespacial que participa de projetos estratégicos das Forças Armadas. Os valores não foram revelados. A informação é da CNN Brasil.

Em entrevista ao canal, o CFO (diretor financeiro) do Grupo Edge, Rodrigo Torres, afirmou que a aquisição faz parte da estratégia de ampliar a presença do conglomerado no Brasil e incorporar capacidades de engenharia consideradas importantes para os projetos desenvolvidos pela companhia.

Procurada por OVALE, a Akaer confirmou a venda para o grupo estrangeiro e disse que a aquisição representa "um passo importante na estratégia da Edge de expandir sua presença internacional e fortalecer sua capacidade de engenharia em mercados estratégicos e próximos de parceiros-chave".

Na mesma nota, a companhia disse que o negócio permitirá que a Akaer "amplie sua atuação com base em seus programas consolidados e em sua carteira de clientes no Brasil".

Afirmou ainda que a empresa "continuará operando a partir do Brasil, mantendo sua estrutura de governança local".

Expansão no Vale do Paraíba

A Edge já detém 50% da SIATT, empresa brasileira especializada em armamentos inteligentes e sistemas de alta tecnologia com unidades em São José dos Campos e Caçapava. O grupo também controla a Condor, fabricante de equipamentos não letais. O grupo mantém ainda uma série de projetos com a Marinha, entre eles o desenvolvimento dos mísseis antinavio MANSUP e MANSUP-ER.

Segundo Torres, cerca de 40% da receita da Akaer já era proveniente de contratos com a Edge. A empresa brasileira participa do desenvolvimento do JENIAH, aeronave não tripulada de grande porte do grupo, com trabalhos na estrutura, no interior da plataforma e na integração de motores, cabos e sistemas.

“Eles já desenvolvem todo o frame do drone, toda a parte de interior, a integração com o motor, com os cabos e com os sistemas. A gente já via a Akaer como uma parceira de alguns anos”, afirmou o executivo à CNN.

Akaer foi fundada em São José

Fundada em 1992 e sediada em São José dos Campos, a Akaer acumula mais de 10 milhões de horas de engenharia e participou de projetos como o caça Gripen e das aeronaves militares KC-390 e Super Tucano, da Embraer, além de diferentes aeronaves comerciais da fabricante brasileira. A empresa também atua em sistemas optrônicos, tecnologias espaciais, integração de plataformas e modernização de equipamentos militares.

A compra ocorre em meio a uma situação financeira delicada da Akaer. Segundo Torres, a empresa acumulou dívidas e passou a enfrentar dificuldades para cumprir compromissos com funcionários e fornecedores.

“No curto prazo, é uma empresa muito deficitária, com muitos problemas. Já não tem pago a folha de pagamento há algum tempo e o plano de saúde há quase um ano. É uma empresa que está realmente sofrendo financeiramente”, disse o executivo.

Ele afirmou que o Ministério da Defesa e integrantes das Forças Armadas procuraram a Edge durante a LAAD, feira do setor realizada no Brasil, para discutir alternativas que evitassem o fechamento da companhia.

“Tivemos uma conversa com o governo brasileiro e eles pediram para olharmos a Akaer, não necessariamente como uma aquisição, mas como uma parceria. Como poderíamos evitar que outra grande empresa de defesa do Brasil fosse à falência”, diksse.

O atual controlador da Akaer, Cesar Silva, deixará a gestão, mas deverá permanecer como consultor da Edge por um período de um a dois anos.

Retorno às atividades centrais

A estratégia do grupo será levar a Akaer de volta às atividades consideradas centrais para a companhia. Torres afirmou que a empresa havia começado a atuar em diferentes áreas que não necessariamente faziam parte de suas principais especialidades.

“A nossa ideia é focar na parte aeroespacial, em drones, espaço, modernização e integração, como é o caso do Cascavel, na parte óptica, com lentes e câmeras, e também em baterias”, disse.

A Edge pretende utilizar a capacidade da Akaer desde a concepção de projetos até a industrialização dos produtos. Segundo o comunicado da aquisição, a empresa também será integrada aos trabalhos do grupo em optrônica, sistemas eletro-ópticos e infravermelhos e tecnologias espaciais.

A expectativa é repetir na Akaer uma estratégia semelhante à adotada após os investimentos na SIATT e na Condor, com injeção de capital, expansão da produção e acesso à carteira internacional do conglomerado.

Empresa Akaer foi fundada e tem sede em São José dos Campos / Reprodução

Empresa estratégica de defesa

Apesar da compra de 100% do capital por um grupo estrangeiro, a Edge afirma que a Akaer continuará credenciada como EED (Empresa Estratégica de Defesa).

Esse enquadramento é concedido pelo Ministério da Defesa a companhias responsáveis pelo desenvolvimento ou pela produção de bens e tecnologias considerados essenciais para a defesa nacional. A classificação também envolve requisitos societários e de governança.

Segundo Torres, será mantida uma estrutura local de governança e uma participação brasileira suficiente para atender às regras do credenciamento. O desenho definitivo ainda dependerá das aprovações regulatórias.

“A empresa vai continuar servindo o parque industrial de defesa do Brasil e as Forças Armadas brasileiras. Com relação à soberania, nada muda”, disse.

A manutenção do status de EED é uma das partes mais sensíveis da operação. O setor de defesa envolve tecnologias, dados e projetos militares classificados como estratégicos, o que exige mecanismos para proteger informações e preservar a capacidade de decisão nacional.

A Edge sustenta que pretende atuar não apenas como fornecedora, mas como parceira de longo prazo do governo brasileiro. O grupo costuma apresentar investimentos locais, produção no país e transferência de tecnologia como formas de reduzir a resistência à entrada de um conglomerado estrangeiro em áreas sensíveis da defesa.

Para a companhia estrangeira, a entrada em empresas brasileiras permite combinar a engenharia nacional com a capacidade financeira e comercial do grupo. Executivos da companhia argumentam que os problemas orçamentários enfrentados pelas Forças Armadas não inviabilizam os projetos, desde que os produtos brasileiros também sejam produzidos para exportação.

A lógica é utilizar encomendas internacionais para dar escala às fábricas no Brasil e reduzir o custo dos equipamentos destinados às próprias Forças Armadas brasileiras.

* Com informações da CNN Brasil

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