LITORAL NORTE

Patroa suspeita de matar cozinheira joga celular ao ser presa

Por Da redação | Ubatuba
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Berenice (à esq.) e a patroa (à dir.)
Berenice (à esq.) e a patroa (à dir.)

A empresária Eliane Alves dos Santos, presa temporariamente por suspeita de envolvimento no desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, tentou se desfazer do celular no momento em que a Polícia Civil cumpria o mandado de prisão em sua casa, em Ubatuba, no Litoral Norte.

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A informação consta no boletim de ocorrência da Operação Último Rastro, obtido por OVALE. Segundo o documento, a suspeita estava no banheiro da residência quando os policiais chegaram ao imóvel e teria arremessado o aparelho pela janela, em direção a um terreno vizinho coberto por vegetação. Apesar das buscas realizadas, o telefone não foi encontrado.

A atitude passou a ser tratada pelos investigadores como um possível indício de tentativa de ocultação de provas, em uma investigação que apura o desaparecimento da cozinheira desde o dia 30 de junho.

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Celular desapareceu durante cumprimento da prisão

De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais civis chegaram ao imóvel para cumprir o mandado de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

Os agentes foram recebidos por Iramar Castilho, que informou que Eliane estava no banheiro da residência, localizado no piso superior.

Foi nesse momento que os investigadores perceberam que o celular utilizado pela empresária havia sido lançado pela janela em direção a um terreno de mata. Mesmo após uma varredura na área, o aparelho não foi localizado.

Ainda segundo o boletim, Iramar confirmou aos policiais que Eliane utilizava o telefone instantes antes da chegada das equipes, mas disse não saber o que ela havia feito com o aparelho.

No quarto da investigada, os policiais encontraram apenas um carregador conectado à tomada, sem que o celular correspondente fosse localizado.

Veículo escondido contradiz versão da suspeita

Outro ponto que chamou a atenção da Polícia Civil foi a localização de um dos veículos investigados.

Ao ser questionada sobre o paradeiro do automóvel de placas DQK2C36, Eliane informou que o carro estaria fora da cidade para ser vendido.

A versão, porém, foi desmentida pelos próprios policiais, que localizaram o veículo estacionado poucos metros à frente da residência.

O automóvel foi apreendido porque, segundo o boletim, já havia elementos que indicavam sua utilização no homicídio investigado. Os policiais também identificaram um reparo recente compatível com danos provocados por um disparo de arma de fogo, circunstância que será analisada pela perícia.

Investigação aponta possível uso de outro carro para ocultar corpo

Além desse veículo, a Polícia Civil apreendeu outro automóvel, pertencente a Iramar Castilho.

Segundo o boletim de ocorrência, o carro foi recolhido porque informações obtidas durante a investigação indicam que ele teria sido utilizado para a ocultação do cadáver e/ou para o desaparecimento de Berenice.

A suspeita ainda será confirmada por meio de exames periciais, que buscarão vestígios biológicos, impressões digitais, fibras, materiais orgânicos e outros elementos que possam esclarecer a dinâmica do crime.

Armas, celulares e passaporte também foram apreendidos

Durante a operação, os policiais apreenderam três armas de fogo, dois aparelhos celulares, um passaporte e outros objetos considerados importantes para o inquérito.

As armas serão submetidas à perícia para verificar a origem, regularidade e eventual relação com o desaparecimento da cozinheira.

Já os celulares poderão fornecer registros de chamadas, mensagens, localização, fotografias e outras informações capazes de reconstruir os últimos dias de Berenice.

Família contesta versão apresentada pela empresária

Antes da prisão, Eliane afirmou que Berenice teria conseguido um novo emprego na região da Praia das Toninhas e que seguiria trabalhando em Ubatuba. A versão, no entanto, foi rejeitada pelos familiares.

Segundo os parentes, a cozinheira já havia decidido retornar para Igaratá após deixar o emprego na pousada e jamais desapareceria sem avisar os filhos.

Eles afirmam que Berenice mantinha contato frequente com a família e nunca apresentou comportamento compatível com um desaparecimento voluntário.

Corpo ainda não foi encontrado

Apesar da prisão da principal suspeita, o corpo de Berenice Ramos de Aguiar continua desaparecido. As buscas permanecem concentradas em áreas de mata de Ubatuba e nos locais relacionados aos últimos deslocamentos conhecidos da cozinheira.

A Polícia Civil também aguarda os resultados das perícias nos veículos, nas armas e nos equipamentos eletrônicos apreendidos, considerados fundamentais para esclarecer a dinâmica do caso. Um homem também passou a ser investigado após o desaparecimento do celular lançado durante a operação. Até o momento, ele não foi preso.

As investigações seguem sob responsabilidade da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de São Sebastião.

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