Um atobá-marrom foi resgatado na manhã desta quarta-feira (8) após ser encontrado preso a um pote plástico de sorvete na Praia do Engenho, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. O caso chama a atenção para os impactos do descarte irregular de lixo no meio ambiente e reforça os riscos que os resíduos representam para a fauna marinha.
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A ave foi localizada por moradores da região, que acionaram as equipes do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, responsável pela execução do PMP-BS (Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos) no Litoral Norte paulista. Ao chegarem ao local, os técnicos encontraram o animal com um recipiente plástico preso ao corpo, situação que comprometia sua movimentação e poderia colocar sua sobrevivência em risco.
Após o resgate, o atobá-marrom foi encaminhado ao Centro de Reabilitação e Despetrolização, em Ubatuba, onde recebeu os primeiros atendimentos veterinários e permanece sob observação.
Segundo a avaliação inicial da equipe técnica, trata-se de um macho adulto, com escore corporal considerado magro, porém ativo e com temperatura corporal dentro da normalidade.
Ave passou por testes clínicos
Depois da retirada do pote plástico, os veterinários identificaram apenas um discreto inchaço na região afetada, sem lesões graves aparentes. Também foram realizados exames clínicos, coleta de sangue e outros procedimentos para avaliar as condições de saúde do animal. A continuidade do tratamento dependerá dos resultados desses exames.
A médica-veterinária responsável pelo Centro de Reabilitação do Instituto Argonauta, Raquel Beneton Ferioli, explicou que, apesar do quadro clínico ser considerado estável, o monitoramento será fundamental para garantir a recuperação completa da ave.
O Instituto Argonauta destaca que casos como esse evidenciam um problema recorrente nas praias brasileiras: o descarte inadequado de resíduos sólidos. Embalagens plásticas, linhas de pesca e outros materiais abandonados no ambiente podem aprisionar animais silvestres, provocar ferimentos, dificultar a alimentação e a locomoção e, em muitos casos, causar a morte.

Trabalho de resgate e reabilitação
De acordo com o presidente do Instituto Argonauta e diretor executivo do Aquário de Ubatuba, Hugo Gallo Neto, o episódio reforça a importância do trabalho permanente de resgate e reabilitação da fauna marinha, mas também da conscientização da população sobre o descarte correto do lixo.
Desde 1998, o Instituto Argonauta atua em parceria com o Aquário de Ubatuba no resgate, reabilitação, pesquisa e conservação de animais marinhos no litoral norte paulista. Ao longo de mais de duas décadas, milhares de aves, tartarugas, mamíferos marinhos e outros animais receberam atendimento especializado, contribuindo para a preservação da biodiversidade e para o desenvolvimento de pesquisas científicas.
O Instituto orienta que, ao encontrar um animal marinho debilitado, preso em resíduos ou em qualquer situação de risco, a população não tente realizar o resgate por conta própria. A recomendação é manter distância e acionar imediatamente as equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos pelos canais oficiais de atendimento.
O atobá-marrom é uma ave marinha comum ao longo da costa brasileira e desempenha papel importante no equilíbrio dos ecossistemas marinhos, sendo considerado um indicador da saúde ambiental das regiões costeiras. Casos como o registrado em Ubatuba servem de alerta sobre a necessidade de reduzir o descarte de resíduos no mar e nas praias para proteger a vida marinha.