O padre Marcelo Motta, ex-pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Lagoinha, no Vale do Paraíba, foi afastado de suas funções pela Arquidiocese de Aparecida após ser detido, em dezembro de 2025, acusado de importunação sexual contra uma adolescente de 15 anos durante uma viagem a Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro. O caso segue sob investigação e tramita em segredo de Justiça.
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Além da denúncia envolvendo a adolescente de 15 anos, o pai da jovem afirma que outra filha, de 12 anos, também relatou ter sido vítima de abusos atribuídos ao religioso.
As ocorrências foram registradas nas delegacias de Paraty (RJ), na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Guaratinguetá e posteriormente encaminhadas para a Delegacia de Lagoinha, responsável pela investigação em São Paulo.
O serralheiro Carlos Eduardo Mota, pai das meninas, afirmou em entrevista ao jornal Atos que o sacerdote é seu primo e, por isso, mantinha convivência frequente com a família. Segundo ele, o religioso também possui uma residência no bairro Rocinha, em Guaratinguetá, onde costumava visitar parentes e participar da rotina familiar.
Viagem a Paraty
De acordo com o relato do pai, em dezembro de 2025 o padre convidou as duas adolescentes para uma viagem de trailer até Paraty. A filha mais nova desistiu da viagem após demonstrar receio, enquanto a menina de 15 anos aceitou o convite por já conhecer o sacerdote e ter participado de outros passeios com ele e outras crianças.
Segundo a denúncia, após um jantar, o padre teria oferecido uma cerveja à adolescente. A jovem afirmou ter ingerido apenas um gole da bebida antes de dormir. Durante a madrugada, conforme o depoimento prestado, ela acordou e percebeu o religioso praticando atos libidinosos sem seu consentimento. A adolescente conseguiu deixar o local, procurou ajuda de pessoas que estavam no camping e relatou o ocorrido.
Funcionários do estabelecimento acionaram a Polícia Militar. O padre foi conduzido à Delegacia de Polícia de Paraty, onde prestou depoimento. A adolescente também foi ouvida, passou por atendimento médico e exames periciais. Conforme o pai, roupas e o telefone celular do investigado foram apreendidos durante a ocorrência.
Boletim de ocorrência em Guaratinguetá
Após retornar para Guaratinguetá, a família registrou um novo boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher. Segundo o pai, a filha de 12 anos revelou que também teria sido vítima de condutas inadequadas praticadas pelo sacerdote em ocasiões anteriores.
A investigação referente às duas denúncias foi encaminhada para a Delegacia de Lagoinha. A delegada responsável informou que os autos tramitam em segredo de Justiça e que o inquérito permanece em andamento. Até o momento, a Polícia Civil do Rio de Janeiro não divulgou informações sobre o andamento da apuração iniciada em Paraty.
O que diz a Arquidiocese de Aparecida
Em nota oficial, a Arquidiocese de Aparecida confirmou que o padre Marcelo Motta foi autuado na Delegacia de Polícia de Paraty em 9 de dezembro de 2025, sob acusação de importunação sexual contra uma adolescente de 15 anos.
A instituição religiosa informou que a Comissão de Tutela de Vulneráveis foi imediatamente acionada e que todas as medidas previstas pelo direito canônico foram adotadas.
Conforme a nota, o então arcebispo determinou o afastamento imediato do sacerdote de todas as suas funções ministeriais, suspendendo-o preventivamente ("ad cautelam") do exercício da ordem sacerdotal.
Ainda segundo a Arquidiocese, o caso é acompanhado pela Justiça na esfera civil e já foi encaminhado ao Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão do Vaticano responsável por analisar processos envolvendo membros do clero.
A Arquidiocese informou também que o padre permanece em retiro e incomunicável. Por esse motivo, não foi possível obter manifestação da defesa. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento do investigado ou de seus representantes legais.
OVALE ouviu de pessoas que conhecem o padre de que ele estaria internado cuidando da saúde, e que nega as acusações.