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Justiça marca júri de chacina em assentamento do MST no Vale

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Da redação
Marcelo Caltabiano/T7 News
Crime chocou a região
Crime chocou a região

A Justiça marcou o julgamento dos quatro réus acusados de envolvimento na chacina registrada no assentamento Olga Benário, ligado ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em Tremembé. A decisão é da 5ª Vara do Júri da Capital e foi divulgada nesta quinta-feira (18).

O julgamento foi marcado para os dias 28, 29 e 30 de setembro e 1º e 2 de outubro.

Irão a júri popular Antônio Martins dos Santos Filho, conhecido como “Nero do Piseiro”, Ítalo Rodrigues da Silva, Geonatas Martins Bispo e Gilson da Silva Santos. Eles são acusados de dois homicídios qualificados e de seis tentativas de homicídio qualificado.

O julgamento ocorrerá no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. A previsão é que a sessão dure cinco dias, em razão da complexidade do processo, da quantidade de réus, do número de testemunhas e das provas que deverão ser analisadas em plenário.

O crime aconteceu em 2025

O ataque aconteceu na noite de 10 de janeiro de 2025, no assentamento Olga Benário, situado na Estrada Kanegae, em Tremembé. De acordo com a investigação, um grupo armado chegou ao local em veículos e motocicletas e passou a atirar contra moradores.

Duas pessoas morreram: Valdir do Nascimento de Jesus, de 52 anos, apontado como uma das principais lideranças do MST na região, e Gleison Barbosa de Carvalho, de 28 anos, filho de um assentado.

Outras seis pessoas ficaram feridas durante a ação. Entre as vítimas estavam homens e mulheres com idades entre 18 e 49 anos. Um dos feridos foi atingido na cabeça e chegou a ficar em estado grave. Os sobreviventes foram encaminhados ao Hospital Regional de Taubaté e a outras unidades de saúde da região.

Apuração

Após o crime, a Polícia Civil criou uma força-tarefa para investigar a chacina. Antônio Martins dos Santos Filho foi preso no dia seguinte ao ataque. Segundo a polícia, ele admitiu participação no crime e teria exercido papel de liderança na organização do grupo que invadiu o assentamento.

No decorrer das diligências, a Delegacia de Investigações Criminais encontrou, em Taubaté, um carro suspeito de ter sido usado pelos criminosos. O veículo estava abandonado em um terreno baldio, no bairro Parque Aeroporto, e foi encaminhado para perícia.

As investigações também passaram a apurar a possível existência de mandantes do crime. Uma das linhas analisadas pela polícia envolvia disputas por terras e a suspeita de tentativa de venda irregular de lotes dentro da área do assentamento.

Além da Polícia Civil, a Polícia Federal instaurou uma investigação paralela para acompanhar e auxiliar na apuração do caso.

Repercussão do caso movimentou autoridades

A chacina teve repercussão nacional e provocou manifestações de autoridades e movimentos sociais. Dois dias depois do crime, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, estiveram em Tremembé para acompanhar o velório das vítimas e prestar solidariedade às famílias.

Na ocasião, Paulo Teixeira defendeu que as investigações chegassem não apenas aos executores, mas também aos possíveis mandantes. Já Macaé Evaristo destacou a necessidade de apoio psicológico aos familiares das vítimas e de reforço na segurança do assentamento.

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