O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), destacou a queda dos indicadores criminais no Vale do Paraíba durante passagem pela região nessa segunda-feira (15), quando inaugurou uma escola estadual em São José dos Campos e participou de formatura de programa de capacitação em Pindamonhangaba.
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Durante discurso na entrega da Escola Estadual Roberto Burle Marx, na Vila Adriana, região sudeste de São José dos Campos, Tarcísio disse que o Vale do Paraíba “tem experimentado redução constante dos indicadores, então, trabalho profissional”.
Após assumir o governo estadual, o número de vítimas de homicídio caiu 24,45% na região, de 368 mortes em 2022 para 278 em 2025. O total de roubos reduziu de 4.601 para 2.632. Mesmo assim, a região ainda lidera a violência no interior do estado.
No entanto, a RMVale segue no topo do ranking de homicídios em São Paulo. A região tem as 6 cidades com a maior taxa de homicídios em todo o estado.
Tarcísio também falou sobre o modelo de PPP (Parceria Público-Privada) para escolas e outros setores, falou da unidade entregue em São José dos Campos e comentou sobre política. Leia a seguir os principais trechos do discurso e da entrevista com Tarcísio.
Como o senhor vê a questão da segurança pública no Vale, que continua liderando a violência no interior?
Quero agradecer o trabalho da segurança pública, muito obrigado por tudo que vocês têm feito. É impressionante o que está acontecendo com os nossos indicadores, realmente caindo. Mais de 170 municípios de São Paulo não tiveram nenhum roubo sequer no ano passado. Metade dos municípios não teve homicídio. E aqui o Vale do Paraíba tem experimentado redução constante dos indicadores, então trabalho profissional.
A parceria da Secretaria de Políticas para a Mulher com a Secretaria de Educação, a parceria importante para que a gente possa combater a violência doméstica, combater a violência contra a mulher. Então, é criar mais um canal de comunicação, mais um canal de acesso, mais uma forma de ouvir.
Qual a avaliação dessa obra da nova escola entregue em São José dos Campos?
A gente fica tão feliz quando termina um leilão na bolsa de valores, quando a gente consegue concluir um projeto. Quando um projeto dá certo e a gente fica feliz por causa disso aqui [aponta a escola de São José]. É que a gente sabe que aquele projeto, aquela ideia que estava na prancheta, que teve a percepção e o acompanhamento e o interesse da iniciativa privada, que alguém foi lá e formulou uma proposta, lá na frente vai se transformar nisso aqui [aponta a escola].
A gente vai transformar um terreno, vai virar uma obra, vai gerar emprego, vai gerar oportunidade, a gente assim vai transformando o espaço, vai transformando o estado. É por isso que aquele gesto lá em cada leilão na bolsa é significativo. Há tempos atrás nós tivemos lá e agora várias das escolas, isso significa que várias das sementes que foram plantadas já estão prontas. E assim é projeto.
Qual a proposta do modelo de PPP para as escolas?
Onde as salas estavam superlotadas veio a ideia, por que não fazer isso com a iniciativa privada? E mais, não só construir, mas transferir a gestão para a iniciativa privada. Isso daria para nós um conforto interessante. Não só a construção, mas a manutenção fica por conta do privado. E aí eu aliei o incentivo. Porque quem constrói vai querer construir bem. Porque quanto melhor for a construção, menos necessidade de manutenção.
A responsabilidade de olhar se a calha está limpa, a pintura, a recuperação do mobiliário, fica todo com privado. Isso significa que eu tirei essa obrigação do diretor da escola, do coordenador pedagógico, do professor. E aí, sem sombra de dúvida, a experiência já mostra isso. A experiência internacional mostra isso. E a nossa experiência começa a mostrar isso também. Os dirigentes, os professores vão se dedicar mais à pedagogia. Por uma razão, vão ter mais tempo e isso funciona. Essa foi a ideia por trás da parceria público-privada.
E aí a gente vai ter mais segurança, a gente vai ter uma escola com uma estrutura melhor, a gente vai ter uma escola com condição pros professores, coordenador pedagógico, pra diretora trabalhar. Então, é isso que está por trás da escola da parceria público-privado.
Por que o senhor decidiu criar esse modelo de PPP para escolas?
Esse foi um modelo que a gente resolveu criar para mitigar alguns problemas. A ideia era, percebendo que nós tínhamos carência de vagas em algumas regiões, prover essas vagas com uma infraestrutura que fosse de qualidade. Agora, não só pensar na construção, pensar no depois. Então, vamos passar a gestão para a iniciativa privada também. A gestão de toda a zeladoria, a parte de circuito interno de TV, a parte de TI, mobiliário, tudo fica com o privado.
Confecção da merenda a gente fornece, porque aí a gente pode usar recurso do Fundeb e eu uso também o nosso programa Paulista Agricultura de Interesse Social, então é uma forma de comprar direto do nosso pequeno produtor para colocar o gênero aqui, para colocar o insumo aqui. Mas eles produzem, confeccionam a refeição, confecciona a merenda.
A gente tem a regulação em cima, tem verificador independente para que o contrato possa ser realmente executado, a gente tem essa garantia. Quanto o concessionário cumpre tudo que está no contrato e tem uma boa avaliação via verificador independente, ele atinge a nota máxima. Isso significa que ele vai receber aquele valor que está estabelecido no contrato. Caso não, ele tem penalidades, ele vai recebendo valores menores. Podendo inclusive ser sancionado pelo descumprimento do contrato. O que a gente está vendo é que as escolas estão sendo entregues antes do prazo contratado, isso é uma coisa muito positiva.
A escola [de São José dos Campos] ficou realmente muito bacana. É um padrão. A gente está vendo esse mesmo padrão em todas as escolas da PPP, e a ideia é que paulatinamente a gente vai melhorando a estrutura.
Quais são as outras áreas que existirão melhorias através da PPP aqui no Vale?
Tudo que a gente puder trazer a iniciativa privada, e a gente percebe que há um ganho, eu acho que vale a pena trazer. A gente tem que partir do pressuposto que dificilmente o Estado vai dar condição de fazer, vai ter condição de fazer tudo e não necessariamente o fato de um serviço público ficar na mão do Estado significa que ele vai ser bem prestado. Eu posso executar uma boa política pública em parceria com o setor privado? Posso. Aqui é um exemplo. Eu acho que a gente vai ter aqui um padrão de escola que talvez você não tenha este padrão em algumas escolas particulares.
Nas travessias litorâneas, a gente resolveu fazer a parceria pelo privado. Nós operamos hoje 14 travessias litorâneas, com embarcações que já estavam antigas. Agora a gente vai ter nessa parceria privada aquela substituição de todas as embarcações, as embarcações que eram a diesel passam a ser elétricas, a gente vai prestar um serviço de melhor qualidade, mais regularidade, indicador de desempenho. Então a gente vai procurando trazer a iniciativa privada para onde a gente pode.
A gente está muito focado na questão economia do conhecimento, mas não basta só abrigar aqui no estado de São Paulo o Data Center. Vamos dar o passo além. Vamos pensar em computação de alta. Os nossos supercomputadores em São Paulo já estão ultrapassados. São computadores ainda da casa do pentaflop. Então, assim, são computadores de bilhão de operações por segundo. Só que a gente já tem os supercomputadores nessa escala que fazem 50 bilhões de operações por segundo. Então, a gente pode ganhar mais velocidade de processamento. Isso vai ser interessante para treinamento.
Cabe uma parceria pública privada para a gente ter aqui um supercomputador? Cabe. Opa, então vamos estruturar. Então, onde a gente enxerga que dá para trabalhar com a iniciativa privada, a gente vai trazendo. Então é o centro administrativo, é a travessia litorânea, são escolas, é supercomputador e a gente assim vai trazendo a iniciativa privada onde é possível trazer.
O modelo de PPP é apenas para novas escolas?
A gente já tem estruturado e a gente está avaliando a melhor oportunidade de projetos também para escolas que já funcionam. Que aí a gente teria a oportunidade de fazer ampliação, reforma, ou seja, uma mudança completa de infraestrutura em escolas que já operam, que já são existentes. Então a gente tem os dois caminhos: construção de escolas novas e recuperação, modernização, reforma, ampliação de escolas que já operam, que já existem.
Quando a gente fala em projeto de educação, a gente está falando de infraestrutura é um dos caminhos, não é o único. A gente já fez mais de 4.000 obras em escolas. Estamos atacando aquela questão da falta de ar-condicionado, que é crônica, a gente está fazendo ar-condicionado. A gente sai de nove escolas com ar-condicionado para 1.100. Vamos chegar a 1.500 esse ano e aí todo ano a gente vai fazer um investimento contínuo até chegar o tempo em que a gente vai ter todas as escolas com ar-condicionado.
Obviamente, não vai caber fazer parceria público-privada para todas as escolas. A gente vai paulatinamente. Onde couber, nós vamos fazer. E sempre olhando também a adequação orçamentária financeira para ver onde cabe e onde a gente pode fazer, onde a gente tem ganho.
Nós escolhemos os locais onde eu tinha vazio em termo de vaga. Onde é que está faltando vaga? Onde é que está faltando vaga para o ensino? Onde é que eu tenho superlotado? Onde é que os alunos tem que se deslocar muito? E aí eu gasto mais com o transporte escolar. Então, esses foram os locais escolhidos, primeiramente, para receber as escolas da PPP.
Após as revelações da ligação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, o senhor se arrepende de não ter saído pré-candidato à Presidência do Brasil?
Não porque a minha questão que tem ficado aqui foi o compromisso que eu estabeleci com São Paulo. Eu preciso ser coerente com o que eu falei a vida toda. Desde que eu cheguei aqui, eu digo: ‘Olha, meu interesse é fazer construir um projeto de longo prazo’. Eu não quero sair daqui sem ver a universalização do saneamento nos 371 municípios da Sabesp. Sem ver a carga orgânica no Tietê, Pinheiros caindo muito, sem ver a gente crescendo cada vez mais na educação, melhorando os nossos resultados, isso está acontecendo. Veja a frequência, saiu de 78 para 91%. Parece pouco, 13 pontos percentuais de frequência, isso significa 300 mil alunos na sala de aula a mais todos os dias. Então isso é extremamente significativo.
Aquelas obras que vieram emblemáticas, terceira pista da Imigrantes, que a gente está com um projeto praticamente pronto, Contorno Santos-Guarujá, a conclusão do Rodoanel e aí já tem que começar pensar no macroanel. Então, o que pode, no final das contas, constituir um legado?
Então, sempre foi isso que me moveu e é por isso que a gente resolveu ficar aqui. Então, acho que não tem não tem arrependimento. Tinha convicção. Convicção de eu preciso construir um projeto longo prazo. E esse negócio de eleição presidencial é bobagem. É Deus que direciona o nosso caminho. Então, eu estou muito feliz aqui.
O senhor não seria candidato nem se Bolsonaro tivesse pedido?
A gente conversou sobre. E quando eu conversei com ele, disse; ‘Presidente, por meu interesse, é ficar em São Paulo’. Toda honestidade que eu sempre tive com ele. Então, eu estou muito feliz aqui, muito realizado aqui e muito motivado aqui, que eu acho que é o mais importante. Montamos um timaço e eu estou muito feliz com o meu time, porque sem time você não faz nada. E eu gosto de trabalhar com gente boa. Então, eu sempre brinco. Eu digo: ‘Olha, minha missão é a melhor do mundo, pinguim de Madagascar, sorrio a cena, os cara trabalham, . Eles dão resultado". Então isso é muito bom.
O senhor vai participar da campanha de Flavio Bolsonaro?
Nós vamos participar. A gente tem feito atividades, a gente planeja, por exemplo, ele esteve na Marcha para Jesus, ele deve estar na Feicorte, em Presidente Prudente, daqui a pouco, que é uma grande feira importante lá na região Oeste. Então, ele deve estar presente. Então, acho que está encaminhado.
Veja, neste momento, a gente está num momento de reta final de entregas, tem a questão da limitação da legislação eleitoral e eu sou governador, tem que governar. Eu sou muito focado no resultado, nas entregas, então você não dá para desviar muito disso. Campanha é na época da campanha, então eu parto desse pressuposto. Resultado da eleição vai ser consequência do que você fez. Sobretudo é isso.