IMIGRAÇÃO

EUA barram torcedores, interrogam jogadores e restringem acesso

Por Matheus dos Santos | da Folhapress
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Reprodução/@teammellifootball
A FFIRI (Federação de Futebol do Irã) disse ter tido sua cota de ingressos revogada poucos dias antes do início da Copa
A FFIRI (Federação de Futebol do Irã) disse ter tido sua cota de ingressos revogada poucos dias antes do início da Copa

Os Estados Unidos têm endurecido fiscalizações e restringido acesso mesmo de pessoas envolvidas com a Copa do Mundo às vésperas do início do torneio. O maior rigor reforça as políticas anti-imigratórias do governo Donald Trump e tem gerado críticas de torcedores.

A Fifa (Federação Internacional de Futebol), organizadora do evento, evita se pronunciar sobre o tema e afirma não se envolver nos processos de imigração dos países-sede. O Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA e o Departamento de Segurança Interna alegam que as decisões são tomadas caso a caso.

Até agora, os principais atingidos são pessoas ligadas às seleções de Irã, Iraque e Uzbequistão, além de um árbitro da Somália. Alguns desses países figuram entre os alvos das restrições migratórias adotadas pelo governo Trump.

Nesta terça-feira (9), a FFIRI (Federação de Futebol do Irã) disse ter tido sua cota de ingressos revogada poucos dias antes do início da Copa do Mundo. A decisão deixa torcedores iranianos que já haviam feito planos de viagem sem a possibilidade de assistir aos jogos da seleção.

Em comunicado, a federação afirmou que já havia iniciado o processo de venda de ingressos para as partidas, mas não poderá mais fornecê-los aos torcedores.

Cada federação participante da Copa do Mundo recebe 8% dos ingressos de cada uma de suas partidas para distribuir aos torcedores de acordo com seus próprios critérios.

Além disso, o governo norte-americano concedeu vistos aos jogadores, mas não a todos os integrantes da comissão técnica. Cerca de 15 membros da delegação receberam uma negativa, entre eles o presidente da Federação de Futebol do Irã, Mehdi Taj.

A seleção de futebol do Irã, que está concentrada no México para a Copa do Mundo de 2026, viajará para os Estados Unidos um dia antes de sua estreia contra a Nova Zelândia.

Anteriormente, o embaixador iraniano no México havia afirmado que a seleção de seu país teria de entrar e sair dos Estados Unidos no mesmo dia de suas partidas.

Outra nacionalidade afetada pelas restrições migratórias norte-americanas foi a somali. Na segunda-feira (8), os EUA barraram a entrada do árbitro Omar Artan. Ele estava entre os 52 árbitros selecionados para atuar na competição, que será realizada nos EUA, México e Canadá.

Artan seria o primeiro árbitro da Somália a apitar uma edição da Copa do Mundo e teve sua entrada no país negada após mais de 11 horas de interrogatório. "Acho que eles têm um problema com o meu país", afirmou em entrevista, negando ter qualquer problema relacionado ao visto.

A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) afirmou, em comunicado, que, "após inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo da Fifa, foi considerado inadmissível devido a preocupações de segurança e teve sua entrada negada".

Procurada, a Fifa disse que "não se envolve no processo de imigração dos países-sede, incluindo a concessão de vistos".

A seleção do Uzbequistão também foi submetida a inspeção. O time estará no grupo K.

A comissão técnica comandada pelo treinador italiano e ex-campeão do mundo Fabio Cannavaro foi recepcionada por cães farejadores e detectores de metais (veja abaixo o momento) antes do amistoso contra a Holanda na segunda-feira (8), que aconteceu no Estádio Icahn, em Nova York:

No sábado (6), o atacante iraquiano Aymen Hussein foi submetido a um interrogatório de quase sete horas no aeroporto O'Hare, em Chicago, segundo um porta-voz da seleção. O jogador marcou o gol que garantiu a classificação da equipe para a Copa do Mundo.

Hussein acabou sendo liberado, mas o fotógrafo da delegação foi impedido de entrar nos Estados Unidos.

A política anti-imigração do governo de Donald Trump tem limitado o acesso ao país e provocado ondas de deportação de imigrantes em situação irregular.

Há temor de que esse processo se intensifique durante a Copa do Mundo. Em documento divulgado em abril, mais de 120 organizações norte-americanas alertaram torcedores, jogadores e jornalistas estrangeiros sobre riscos significativos de violações de direitos humanos caso viajem aos Estados Unidos durante o torneio.

No documento, intitulado "aviso aos viajantes", as entidades chamam a atenção para a possibilidade de negação arbitrária de entrada no país, detenções sem garantias legais, deportações e tratamentos desumanos no contexto da política migratória adotada pelo governo do presidente Donald Trump.

Somália e Irã estavam entre os países afetados por restrições de entrada impostas pelo governo Trump. A medida foi suspensa por um juiz federal do distrito de Rhode Island, nos Estados Unidos, na última sexta-feira (5). Na decisão, John McConnell considerou que as políticas deixavam pessoas de dezenas de países da África, Ásia, América Latina e Oriente Médio em um "limbo jurídico indeterminado".

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