Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um ingrediente funcional rico em proteínas a partir do grilo-preto (Gryllus assimilis), capaz de enriquecer alimentos e substituir o whey protein em suplementos alimentares. A tecnologia transforma o inseto em farinha proteica e concentra nutrientes para aplicação na indústria alimentícia. O processo já está disponível para licenciamento.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Alternativa alimentar
O interesse pelo uso de insetos na alimentação humana considera o grande potencial nutricional e o menor impacto ambiental da produção. A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) aponta que esse tipo de consumo é uma alternativa para ampliar a segurança alimentar global, pois a produção, ainda que em larga escala, demanda menos água, espaço e recursos naturais quando comparada a fontes tradicionais de proteína animal.
Potencial nutricional
Em um estudo realizado na UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), pesquisadores identificaram que a farinha do inseto possui 63,1% de proteínas e 26,5% de lipídios, além de minerais e fibras. Os testes mostraram que o ingrediente serve como fonte proteica para alimentação humana e animal.
Produção da farinha
Na produção da Unicamp, o grilo-preto passa por um processamento que o transforma em uma farinha proteica fina, eliminando a aparência e o odor característicos do inseto. Isso facilita a incorporação do ingrediente em receitas tradicionais e em alimentos industrializados.
Após a moagem, os componentes químicos são separados em diferentes frações. Proteínas e aminoácidos essenciais são isolados. O processo também concentra lipídios, fibras e micronutrientes como ferro, zinco e vitaminas do complexo B.
O grilo é utilizado integralmente, resultando em um produto com concentração proteica superior à de muitas fontes vegetais e suplementos já comercializados.
Disponibilidade e aplicações
Entre as aplicações previstas estão o enriquecimento nutricional de pães e o uso em suplementos alimentares como alternativa ao whey protein.
A tecnologia está disponível para licenciamento por empresas dos setores alimentício, de suplementos e agroindústria.