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PM Gisele pediu divórcio antes da morte; marido foi preso em SJC

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
O tenente-coronel ao lado da esposa
O tenente-coronel ao lado da esposa

Mensagens extraídas do celular do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto revelam que a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana pediu o divórcio poucos dias antes de morrer com um tiro na cabeça. O oficial foi preso em São José dos Campos, acusado de matar a esposa.

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De acordo com denúncia apresentada à Justiça, os diálogos mostram um relacionamento marcado por conflitos, cobranças e sinais de desgaste emocional. Em uma das conversas, Gisele é direta: “por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”.

A mensagem contraria a versão do oficial, que afirmou à polícia que Gisele teria tirado a própria vida após ele dizer que queria o divórcio.

A Promotoria sustenta que o pedido de separação teria sido o estopim para o crime ocorrido em 18 de fevereiro de 2026, em um apartamento no Brás, na capital paulista. O tenente-coronel foi preso preventivamente.

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Relacionamento conturbado e acusações de violência

Segundo o Ministério Público, o relacionamento entre o oficial e a policial militar evoluiu rapidamente de um início “pacífico” para um cenário de violência psicológica, controle e humilhações.

A denúncia aponta que o oficial teria comportamento “possessivo, autoritário e controlador”, além de exigir submissão da esposa. Em mensagens anexadas ao processo, ele descreve um modelo ideal de relação: “marido provedor, esposa carinhosa e submissa”.

Há ainda relatos de agressões. Em uma troca de mensagens, Gisele afirma: “vc não me respeita; não sabe conversar; ontem enfiou a mão na minha cara”.

Dias antes da morte, a vítima teria ligado para os pais chorando e pedindo ajuda. Segundo a investigação, ela chegou a sair do apartamento e manifestou a intenção de se divorciar, mas decidiu retornar para conversar com o marido antes de deixar o imóvel definitivamente.

No dia do crime, de acordo com a denúncia, os dois estavam sozinhos no apartamento e iniciaram uma discussão nas primeiras horas da manhã.

Versão do MP: homicídio e tentativa de simular suicídio

Para o Ministério Público, o tenente-coronel matou a esposa com um tiro na cabeça e, em seguida, tentou simular um suicídio.

A acusação se baseia em laudos periciais que indicam que o disparo não foi encostado e em uma reprodução simulada dos fatos que, segundo os investigadores, descarta a hipótese de suicídio.

Ainda conforme a denúncia, o oficial teria manipulado a cena do crime, colocado a arma na mão da vítima e alterado evidências antes de acionar o socorro.

Imagens de câmeras de segurança também são citadas: elas mostram o suspeito com o cabelo seco logo após o horário do disparo e, minutos depois, com o cabelo molhado — o que reforçaria a suspeita de tentativa de alterar a dinâmica dos fatos.

Prisão preventiva e risco à investigação

O Ministério Público pediu a prisão preventiva alegando risco à ordem pública e à investigação. Segundo os promotores, há indícios de que o oficial poderia influenciar testemunhas, especialmente subordinados na corporação.

A denúncia também menciona relatos de outras mulheres que teriam sofrido assédio moral e sexual por parte do investigado.

O Tribunal do Júri, responsável por crimes dolosos contra a vida, decretou a prisão do oficial.

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