O Governo do Estado de São Paulo realizou nesta quinta-feira (12), no Ciesp de São José dos Campos, o 8º Fórum Regional do Plano de Logística e Investimentos (PLI-SP 2050). O evento reuniu autoridades e representantes do setor produtivo para diagnosticar gargalos nos sistemas de transporte e logística, além de planejar intervenções estratégicas na Zona de Zoneamento Ecológico-Econômico 9 (ZEE 9), que abrange 39 municípios e cerca de 2,5 milhões de habitantes.
Em entrevista a OVALE, Denis Gerage Amorim, subsecretário de Logística e Transportes da Semil e um dos responsáveis pelo PLI-SP, detalhou a visão sistêmica do plano. O projeto busca equilibrar o desenvolvimento industrial de São José dos Campos com a vocação turística e ambiental do Litoral Norte e da Serra da Mantiqueira.
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Planejamento em rede
Diferente de planos anteriores, focados em modais isolados, o PLI-SP 2050 propõe uma análise em rede. Questionado sobre a priorização de modais específicos para a região, o subsecretário reforçou a importância da integração, frisando a necessidade de um olhar sistêmico para "aliviar a pressão sobre as rodovias, explorando a malha ferroviária existente para conectar fluxos logísticos de forma mais eficiente", buscando atender às necessidades e aproveitar as potencialidades de cada localidade.
Um dos pontos abordados foi a dependência da Rodovia Presidente Dutra (BR-116). Embora seja uma via federal, sua operação impacta diretamente o tráfego estadual e urbano. Além disso, o Porto de São Sebastião foi destacado como peça-chave para o Vale do Paraíba: "É um porto administrado pelo Estado de São Paulo, que está em discussão o arrendamento, e se consolida como um grande eixo logístico de importação e exportação".
Particularidades regionais
O subsecretário também ressaltou que o planejamento deve respeitar as particularidades locais, como o desafio do veraneio no Litoral Norte e o turismo de inverno em Campos do Jordão, integrando esses fluxos a um setor industrial forte.
Nesse contexto, a importância de São José dos Campos no eixo central vai além da localização geográfica. A cidade é vista como um polo de tecnologia e inovação que pode liderar a redução de custos logísticos no estado.
" São José tem um destaque importante na área de inovação, sustentabilidade, tecnologia. Um bom eixo logístico aqui, a gente consegue reduzir custo logístico e fomentar essa aptidão aqui da região, então isso é importante. Mas a gente olha a região como um todo. Então o litoral norte, por exemplo, tá dentro da região do zoneamento ecológico econômico. O Litoral Norte fomenta o turismo com questões ambientais importantes para serem consideradas num projeto de infraestrutura. Então os desafios eles variam, né, de acordo com a localidade dentro da mesma região aqui do zoneamento ecológico econômico", afirmou Amorim.
Ele complementou citando as variações de demanda: "Então a gente tem aqui locais turísticos, né, de alta demanda no verão, Ilhabela, por exemplo. Ao mesmo tempo que a gente tem locais turísticos importantes como Campos do Jordão, na época de frio. É, e no meio disso tudo, a gente tem um setor industrial muito forte, né, tecnológico, inovação... a logística, ela precisa ser trabalhada dessa forma".
Próximos Passos
O PLI-SP 2050, financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), está atualmente na fase de diagnóstico e simulação de alternativas. A expectativa é que o plano de ação final, contendo a hierarquização de projetos e estimativas de investimento, seja apresentado no segundo semestre deste ano.
O ciclo de nove fóruns regionais será encerrado no dia 26 de março, em São Paulo, priorizando a participação popular.
"Sempre vale a pena ouvir a população, o setor produtivo. Sempre enriquece o trabalho. A gente não faz aqui um plano de gabinete, a gente trabalha sempre em nossas políticas públicas de forma transparente, com participação social", finalizou o subsecretário.