HISTÓRIA DE VIDA

Após 94 dias, bebê com condição rara recebe alta da UTI em SJC

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
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Após 94 dias, bebê com condição rara recebe alta da UTI em SJC
Após 94 dias, bebê com condição rara recebe alta da UTI em SJC

Depois de 94 dias de internação, o pequeno Emmanuel finalmente deixou o hospital e pôde ir para casa nesta sexta-feira (6). O bebê recebeu alta da UTI Neonatal do Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, em São José dos Campos, encerrando um período marcado por cirurgias delicadas, complicações e muita expectativa da família.

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Filho de Thais Murat e Cesar Murat, Emmanuel nasceu em 29 de novembro de 2025 com onfalocele gigante, uma malformação rara da parede abdominal. Nessa condição, órgãos como o fígado, parte do estômago e do intestino se desenvolvem fora do corpo do bebê, protegidos apenas por uma membrana.

O diagnóstico foi identificado ainda no início da gestação. Moradores de Caraguatatuba, os pais procuraram atendimento especializado em São José dos Campos, onde o hospital municipal é referência em procedimentos de alta complexidade pelo SUS.

Condição rara e tratamento complexo

A onfalocele é considerada uma malformação congênita pouco frequente, registrada em aproximadamente 1 a cada 4 mil a 7 mil nascimentos. Nos casos classificados como gigantes, como o de Emmanuel, o defeito na parede abdominal é maior e costuma envolver a saída de órgãos importantes, como o fígado.

Estudos médicos indicam que a taxa de mortalidade da condição pode variar entre 10% e 30%, podendo chegar a 20% a 40% quando se trata da forma gigante, principalmente quando há outras malformações associadas ou complicações respiratórias.

O tratamento exige cirurgias complexas e longos períodos de internação em UTI neonatal.

Durante toda a gestação, a mãe foi acompanhada pelo cirurgião pediátrico Eric Chaves, que também participou da primeira cirurgia do bebê logo após o nascimento.

Ao longo dos três meses de internação, Emmanuel passou por quatro cirurgias. Também integraram a equipe médica os profissionais Guilherme Marino, Douglas Vieira, Eduardo Capella e Pedro Brito. Nesse período, o bebê enfrentou duas intercorrências graves e chegou a correr risco de morte.

Mesmo diante das dificuldades, a família manteve a esperança. Durante toda a internação, Thais permaneceu ao lado do filho na UTI Neonatal, acompanhando cada etapa da recuperação, enquanto o pai se revezava com ela e seguia trabalhando.

Despedida emocionante da equipe

Antes da alta, Emmanuel recebeu uma homenagem da equipe multiprofissional da UTI Neonatal, que acompanhou de perto sua recuperação. O momento foi marcado por emoção, com profissionais reunidos para se despedir da família com bexigas e mensagens de carinho.

O bebê também recebeu um certificado simbólico de “Pequeno Guerreiro”, em reconhecimento à força demonstrada durante todo o período de internação.

Para os profissionais de saúde, o caso marcou profundamente a equipe. Durante a despedida, a fisioterapeuta Sandra Batista destacou o desafio enfrentado.

“Parabéns pela garra e pela determinação. Foi um desafio grande para a família e também para a equipe, porque foi algo raro para nós. Vai ficar registrado no nosso coração e na nossa memória”, afirmou.

A coordenadora da UTI Neonatal, enfermeira Fernanda Ferrer, também ressaltou a dedicação da mãe durante todo o processo.

“Parabéns, mãe, pela mulher forte que você foi. Um exemplo gigante de fortaleza. Estamos todos admirados”, disse.

Alta sem sequelas

A alta hospitalar ocorreu sem sequelas, o que trouxe alívio e emoção para a família e para os profissionais que acompanharam o caso.

“Era um dia de cada vez. Estou muito feliz de sair daqui com meu filho saudável. Não tenho palavras para agradecer”, afirmou a mãe, Thais Murat.

Mesmo em casa, Emmanuel continuará sendo acompanhado por especialistas até que ocorra o fechamento completo da ferida cirúrgica.

Emocionada, a mãe também fez questão de agradecer à equipe do hospital.

“Sou muito grata ao hospital pela estrutura. Aqui tem tudo. Agradeço aos médicos, enfermeiros, técnicos e terapeutas. Todos são muito profissionais e trataram o Emmanuel com muito carinho”, disse.

Após meses de luta, a recuperação do bebê é vista pela família e pela equipe médica como uma vitória da vida, da medicina e do cuidado humano.

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