CONCORRÊNCIA

Embraer disputa R$ 63 bilhões para fornecer aviões à Índia

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Embraer
Aeronave de transporte militar de multimissão C-390 Millennium
Aeronave de transporte militar de multimissão C-390 Millennium

A Embraer vai disputar uma concorrência internacional bilionária para fornecer 60 aviões de transporte tático para a Força Aérea Indiana. A proposta é avaliada em cerca de 1 trilhão de rúpias, aproximadamente 12 bilhões de dólares e 63 bilhões de reais.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

A Índia deu um passo decisivo na licitação após o Conselho de Aquisições de Defesa aprovar o programa MTA, que prevê a aquisição das aeronaves. Agora o Conselho deve aprovar formalmente o programa antes que a concorrência comece.

A Embraer vai disputar a licitação com aeronave de transporte militar de multimissão C-390 Millennium, que já foi apresentado aos indianos. A empresa tem parceria com a empresa indiana Mahindra para viabilizar a produção local, critério favorável ao avião brasileiro. A mídia indiana tem apontado o modelo da Embraer como possível favorito, graças ao desempenho e capacidade ímpar.

“Estamos muito empolgados com a oportunidade. Acreditamos que temos a melhor proposta para a Índia com o C-390, e estamos trabalhando com a Mahindra com muita oportunidade e expectativa de nos colocar em conformidade com o ‘Made in Índia’ e as expectativas que eles têm”, disse Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer, em conferência virtual na manhã desta sexta-feira (6), da qual OVALE participou.

“Estamos trabalhando para ganhar essa licitação. O plano original da Índia é de comprar 60 aeronaves, e isso pode gerar bilhões de dólares em oportunidade de receita”, afirmou o executivo.

Questionado por OVALE, Gomes Neto disse que não dá para saber os prazos da licitação, mas acredita que saia ainda em 2026 o chamado “pedido de proposta”, que é um passo fundamental para a venda do avião. “É quando os concorrentes apresentam as propostas e eles terão um tempo para avaliar e decidir”, afirmou.

Leia mais: Embraer e Mahindra planejam unidade do C-390 Millennium na Índia

Leia mais: Embraer e Adani planejam linha de montagem final do E175 na Índia

Produção local

De acordo com o plano indiano, 12 aeronaves serão entregues em condições de voo, enquanto as 48 restantes terão de ser montadas na Índia, em parceria com a indústria local – nesse aspecto a Embraer está avançada em acordos com companhias locais.

Fontes do governo afirmaram à imprensa local que o programa seguirá o modelo de aquisição “Comprar e Fazer” do país, que exige um nível significativo de fabricação local e transferência de tecnologia.

As aeronaves substituirão a frota de Antonov An-32 da Força Aérea Indiana, que entrou em serviço em meados da década de 1980 e se tornou cada vez mais difícil de manter devido à escassez de peças de reposição.

Os requerimentos incluem uma aeronave capaz de operar a partir de pistas curtas ou semi-preparadas e em aeroportos de alta altitude, incluindo regiões no nordeste da Índia, perto do Himalaia.

Concorrentes

Gomes Neto apontou dois aviões como os principais concorrentes da Embraer na disputa, um americano e outro europeu.

Dos EUA, a Lockheed Martin concorre com o turboélice C-130J Super Hercules, que já está presenta na frota indiana. A aeronave tem capacidade de carga menor, de cerca de 20 toneladas, mas se beneficia de um ecossistema logístico e de manutenção estabelecido na Índia. A Lockheed Martin trabalha com a Tata Advanced Systems como parceira.

A europeia Airbus disputa com o A400M Atlas, aeronave capaz de transportar mais de 30 toneladas. Embora sua capacidade de carga exceda a faixa de requisitos declarada pela Força Aérea Indiana, a aeronave combina capacidades de transporte aéreo tático e estratégico.

Comentários

Comentários