Prestes a deixar a liderança da Arquidiocese de Aparecida, onde é arcebispo desde janeiro de 2017, dom Orlando Brandes disse na manhã desta segunda-feira (2) que perdoa todas as pessoas que o criticaram durante esses nove anos à frente da Igreja e que "não tem inimigos".
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“Muitas pessoas não me entenderam, mas eu perdoo a todos. Ninguém é obrigado a aceitar tudo. O que eu falei é que a minha igreja ensina, é que os santos ensinaram, mas a gente tem que respeitar a liberdade das pessoas. Não tenho inimigos, só tenho irmãos e irmãs”, afirmou em coletiva nesta segunda, após missa no Santuário Nacional de Aparecida.
A passagem de Dom Orlando pela Arquidiocese de Aparecida foi marcada por conflitos com a ala mais conservadora da Igreja Católica, em especial os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele chegou a ser chamado de "comunista" por militantes bolsonaristas após pregações da Festa de Nossa Senhora Aparecida.
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Nomeação
Mais cedo, o papa Leão 14 confirmou a nomeação de dom Mário Antônio da Silva, 59 anos, atual arcebispo metropolitano de Cuiabá (MT), para o lugar de dom Orlando, que completará 80 anos em abril. O comunicado oficial foi emitido pela Sala de Imprensa do Vaticano no começo da manhã.
"O novo bispo ainda não tem data marcada (para chegar). Precisamos sentar, ver as dificuldades dele, mas ele tem todo o direito canônico de dois meses daqui em diante, portanto até o dia 2 de maio, para chegar e tomar posse desta arquidiocese", disse dom Orlando.
Ele foi o quinto arcebispo de Aparecida, tendo assumido o cargo em 2016 e iniciado o ministério em janeiro de 2017. Na entrevista coletiva, ele disse ter gratidão pelo período que permaneceu no cargo.
"A minha avaliação desses anos são três: a primeira é agradecer a Nossa Senhora, a Deus, que me trouxe para cá, indigno, de Londrina para cá. O segundo agradecimento é ao povo de Deus. Eu aprendi muito com o povo daqui, com a fé do povo, e assim eu também cresci na minha fé, com a fé desse amado povo e, como vocês sabem, para cá geralmente vêm os mais pobres, que são ricos de fé. Mas Nossa Senhora acolhe a todos: rico, pobre. Quem ama Jesus, encontra aqui no santuário sua própria casa. Quando a gente vem aqui, a gente se sente em casa. E a terceira gratidão é pelo meu relacionamento com os Redentoristas. Foi muito bom, muito positivo. Eles foram muito compreensivos. E eu quero de modo especial agradecer o padre Eduardo, o Redentor do Santuário. Ele também me ajudou muito, muito fraterno e sempre ao lado", afirmou.
Na conversa, dom Orlando disse ainda que a Igreja Católica precisa se manter ao lado dos pobres. Ele também pediu que “termine a polarização e as brigas dentro da igreja”.
“Olha, Jesus foi pobre, amou os pobres e disse que quem ama os pobres é amado também por Deus. Deus ama os pobres e Deus ama os que amam os pobres. E claro, se a Igreja não estivesse do lado dos pobres, quem estaria? E o mundo só vai ser melhor quando nós, de fato, formos mais fraternos. Por isso, vamos rezar, perdoar para que termine a polarização, para que termine brigas da igreja, divisões da igreja”, disse dom Orlando.
Ele também comentou sobre os planos após deixar o cargo em definitivo -- ele assume agora a posição de administrador apostólico, cargo temporário de liderança para o momento de transição.
"Eu tenho convite para ir para Londrina, para outros lugares, mas desde uns cinco anos atrás, o padre Marlos já me levou pelas diversas casas Redentoristas na caridade dele, para eu escolher uma das casas para morar. Fraternidade e moradia", contou.
"Eu vou esperar o novo arcebispo, porque alguns bispos costumam pedir para o bispo administrador apostólico, que agora sou eu, de morarmos juntos. Então, eu vou depender muito do sim ou não dele. Mas, não estou sem casa, pelo contrário, tenho três endereços Redentoristas para morar", afirmou dom Orlando.
"Se eu permanecer aqui, eu gostaria de trabalhar nos hospitais. Sempre desejei isso. E aqui temos vários hospitais, duas santas casas e mais dois hospitais. Então, eu gostaria de ajudar esse mais pobre que é o doente e que Jesus mais ajudou. Jesus ajudou os doentes, curou os doentes, deu remédio para os doentes. Eu gostaria de continuar essa missão", disse o arcebispo.
Saudação e bênção
Durante a missa, ele fez uma saudação ao próximo arcebispo de Aparecida, que tem até dois meses para assumir o cargo. “Eu o conheço de tanto tempo. Você era padre lá no Jacarezinho, e assim Deus já o escolheu naquele tempo, porque ele é o Senhor da história e claro, pela intercessão da mãe Aparecida”, disse o arcebispo, que agora se torna emérito.
“E agora vamos tomar as nossas mãos para abençoar o nosso novo serviço. Senhor, abençoai o nosso novo serviço”, afirmou dom Orlando durante a missa, pedindo bênçãos para o novo arcebispo.