O Ministério Público de São Paulo denunciou o vereador Diego de Castro Pereira (PSDB), conhecido como Diego Nabuco, de São Sebastião, por supostamente chefiar um esquema de rachadinha.
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Segundo o promotor de Justiça Leandro Rocha Pereira, que ofereceu denúncia pela prática do crime de concussão de forma continuada, o vereador exigia parte dos salários de servidores comissionados por ele indicados como condição para que mantivessem seus cargos na administração pública municipal.
Pereira ainda protocolou um pedido de medida cautelar para que a Justiça determine o afastamento imediato do vereador pelo prazo de 180 dias. No pedido, o promotor argumenta que a medida é indispensável para “garantir a ordem pública e a lisura da instrução processual”.
Segundo as investigações, entre 2021 e abril de 2024, Nabuco se valeu de sua função pública para exigir vantagens indevidas de ao menos quatro servidores. Os valores, que variavam de pagamentos mensais de R$ 1.000 a repasses de metade do salário, eram entregues em espécie ou por meio de intermediários, sendo utilizados para custear despesas pessoais do parlamentar, como aluguel, contas de consumo e financiamento de veículos.
Depoimentos.
O conjunto de provas reunido pela Polícia Civil e analisado pelo Ministério Público inclui depoimentos detalhados de ex-assessoras, que confirmaram a existência e o funcionamento do esquema, além de capturas de tela de conversas em aplicativos de mensagens, comprovantes de depósitos bancários e áudios que corroboram as acusações.
Segundo a Promotoria, a permanência do vereador no cargo “representa um risco concreto de que ele continue a praticar crimes, uma vez que o mandato é o próprio instrumento utilizado para as exigências ilícitas”.
Há ainda o receio de que o denunciado utilize sua influência política para intimidar testemunhas e prejudicar a apuração dos fatos, tendo em vista que uma das principais testemunhas relatou ter sofrido ameaças.
O Ministério Público requereu também que o vereador seja proibido de acessar as dependências da Câmara e da Prefeitura de São Sebastião, além de manter contato com as testemunhas do processo.
A denúncia e o pedido cautelar foram distribuídos à Vara Criminal da Comarca de São Sebastião, que decidirá sobre o recebimento da acusação e a decretação do afastamento do parlamentar.
Outro lado.
Procurado pela reportagem, o vereador ainda não retornou o contato. O espaço segue aberto. A assessoria de imprensa da Câmara de São Sebastião informou que, até o momento, não recebeu nenhum ofício sobre afastamento imediato do vereador.
Em nota enviada a portais do Litoral Norte, Nabuco disse que “até a presente data nem eu, nem meu departamento jurídico fomos citados sobre o quer que seja”.
“Desde logo, reitero que os fatos narrados na matéria foram disseminados em período eleitoral a fim de atingir minha honra e imagem perante meus eleitores, tratando-se visivelmente de mentiras de cunho político-partidário e que minha inocência será demonstrada em tempo oportuno. Estou acostumado com as perseguições e fake news”.