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Senado da França aprova exploração de petróleo na Guiana Francesa

Por André Fontenelle | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Mapa com os Estados brasileiros das Bacias da Margem Equatorial
Mapa com os Estados brasileiros das Bacias da Margem Equatorial

Invocando como exemplo a polêmica decisão do Brasil de procurar petróleo na costa do Amapá, o Senado da França aprovou nesta quinta-feira (29) a autorização para prospecção e exploração de combustíveis fósseis nos territórios franceses ultramarinos, proibida desde 2017.

Na prática, isso significará a liberação para produzir petróleo no departamento ultramarino da Guiana Francesa, que faz fronteira com o Amapá. Acredita-se que a região tenha potencial para campos petrolíferos, apesar de perfurações infrutíferas desde os anos 1970.

Foram 227 senadores a favor e 105 contra. Agora o projeto segue para a Assembleia Nacional, o equivalente francês da Câmara dos Deputados.

Embora o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, de centro-direita, tenha dado parecer desfavorável ao projeto, 56 dos 59 senadores do grupo União Centrista votaram a favor. Quase todos os votos contrários vieram de partidos de esquerda, que temem danos ao meio ambiente.

Discursando no plenário contra o projeto, o ministro francês das Finanças, Roland Lescure, citou o receio de perda de credibilidade da França em futuras negociações sobre o clima.

"Como pedir, por exemplo, ao Brasil e ao Suriname que protejam suas florestas ou limitem seu desenvolvimento petrolífero, se nós voltamos atrás em nossos próprios compromissos? A França perderia seu poder de convencimento."

O centrista Vincent Louault, relator do projeto, rechaçou o argumento do ministro.

"Que país estaria em condição de nos fazer essa crítica?", perguntou Louault. "Vamos pegar o exemplo do Brasil. O governo autorizou perfurações exploratórias na costa do Amapá três semanas antes de organizar a COP30, em Belém."

A tensão geopolítica atual também serviu de argumento em defesa do projeto. "EUA e China, mas também Brasil, Suriname, Guiana, Noruega, Itália, Grécia, Reino Unido e Polônia acabam de reautorizar a pesquisa e exploração de hidrocarbonetos", alegou Louault.

A exploração de combustíveis fósseis nos territórios ultramarinos franceses é proibida por uma lei promulgada no final de 2017, em parte por influência da COP21, realizada em Paris, quando foi assinado o maior acordo climático da história. Hoje em dia, políticos da Guiana Francesa alegam que a interdição prejudica o desenvolvimento econômico da região.

Discursando em nome dos senadores ecologistas, Yannick Jadot protestou.

"Não façamos um 'drill, baby, drill' à francesa", disse, em referência ao slogan pró-combustíveis fósseis "perfure, bebê, perfure", encampado pelo presidente americano, Donald Trump. "É um contrassenso histórico, além de uma terrível confissão de impotência diante do descontrole do clima."

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