O corpo do contador Wagner Eduardo dos Santos Prado, de 43 anos, foi sepultado na manhã desta quarta-feira (28), no Cemitério Municipal de São Sebastião, no Litoral Norte. O velório ocorreu na Funerária Campo Vale, na região da Praia Deserta, reunindo familiares e amigos que se despediram da vítima em clima de comoção.
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Wagner morreu após ser baleado no peito na manhã de segunda-feira (26), dentro de um apartamento no Parque Residencial Aquarius, em São José dos Campos. O autor do disparo, segundo a Polícia Civil, é o policial civil Zueber Pasqualino Grieco, de 67 anos, ex-marido da mulher que se relacionava com a vítima. Ele foi preso em flagrante e alegou legítima defesa.
O crime.
De acordo com informações oficiais, equipes da Polícia Militar foram acionadas via Copom por volta das 8h45 para atender a uma ocorrência de disparo de arma de fogo. Com autorização da síndica do condomínio, os policiais entraram no prédio. O próprio suspeito abriu a porta do apartamento, foi desarmado e permaneceu no local até a chegada das autoridades.
Dentro de um dos quartos, Wagner foi encontrado já sem vida. A arma utilizada, uma pistola calibre .40 de uso restrito, foi apreendida, assim como celulares e outros objetos que poderão auxiliar na investigação.
Discussão.
Em depoimento, a ex-esposa do policial relatou que estava em processo de separação e mantinha um relacionamento com Wagner havia cerca de 15 dias. Segundo ela, o ex-marido fazia ligações insistentes e, na manhã do crime, teria sido informado de que ela não estava sozinha no apartamento.
Ainda conforme o relato, o policial teria entrado armado no quarto enquanto o casal dormia. Wagner acordou durante a ação, momento em que houve agressões físicas e verbais, seguidas de uma discussão. Em seguida, o policial teria efetuado o disparo fatal.
A mulher afirmou à polícia que já havia sido ameaçada anteriormente pelo ex-marido, que dizia que a mataria caso ela se envolvesse com outra pessoa. Segundo ela, o suspeito possuía a chave do apartamento e conseguiu acessar o condomínio sem dificuldades.
Versões divergentes.
O filho do casal, que estava no imóvel, confirmou que houve uma discussão, mas declarou que Wagner teria avançado contra o pai mesmo após a arma ser exibida. Já o policial civil afirmou que desconhecia o relacionamento da ex-esposa e que teria ido de São Sebastião a São José dos Campos para tratar de assuntos familiares.
Segundo a versão apresentada por Zueber, a vítima iniciou uma agressão física, dando início a uma luta corporal, e o disparo teria ocorrido de forma acidental, alegando ainda que temia ser desarmado.
Histórico sob apuração.
Além das informações oficiais, relatos obtidos pela reportagem com pessoas próximas à família apontam um histórico prolongado de comportamento abusivo, ameaças e violência psicológica atribuídas ao policial durante o casamento, que durou décadas. Segundo uma fonte, que pediu anonimato, Zueber teria sido preso anteriormente, há cerca de oito ou nove anos, em uma operação interna da própria polícia, possivelmente conduzida pela corregedoria. A natureza da prisão, no entanto, não foi oficialmente confirmada.
Ainda segundo relatos, a ex-esposa vivia sob constante medo durante o processo de separação, apresentando sinais de estresse pós-traumático. A família, tradicional de São Sebastião, também manifesta temor diante da possibilidade de retaliações. Há informações de que o policial enfrenta tratamento contra o câncer.
Relatos extraoficiais indicam ainda que, após atirar contra Wagner, o suspeito teria apontado a arma para a ex-esposa, sendo impedido pela intervenção do filho mais velho. Essa informação ainda não consta formalmente no boletim de ocorrência e será apurada.
Investigação.
Zueber Pasqualino Grieco permanece preso à disposição da Justiça. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do crime, as versões conflitantes, o histórico de ameaças e a alegação de legítima defesa. O boletim de ocorrência foi registrado no Complexo Policial Judiciário de São José dos Campos, e a apuração segue em andamento.