HISTÓRIA

Morre homem que plantou árvore símbolo do Parque da Cidade em SJC

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
“Árvore da Chuva” no Parque da Cidade
“Árvore da Chuva” no Parque da Cidade

Um amor para além da vida.

A morte do aposentado Carlos de Melo, aos 81 anos, em São José dos Campos, entristeceu seus filhos e familiares. Mas não foi somente tristeza. Há um sentimento de imenso orgulho do patriarca, que deixou um legado na história da cidade.

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Segundo o filho Altair de Melo, 58 anos, que é cobrador do transporte público em São José, foi Carlos de Melo quem plantou uma das árvores mais conhecidas da cidade, que se tornou símbolo do Parque da Cidade, na região norte de São José.

Trata-se da árvore da espécie Samanea saman, conhecida popularmente por “Árvore da Chuva” ou “Chorona”. Ela entrou para o RankBrasil em 2017 com o recorde de maior árvore da espécie no país, com 40 metros de diâmetro de copa e 14 m de altura estimados. Além disso, a gigante tem uma sombra que abrange quase 1 km² de extensão.

A “Árvore da Chuva” é uma espécie nativa rara encontrada com maior frequência no pantanal mato-grossense, no nordeste mineiro e na Amazônia Ocidental. O único exemplar que se tem registro em São José dos Campos foi tombado pelo Decreto 14.878/12, assinado em 10 de fevereiro de 2012.

O ‘status’ de patrimônio ambiental atendeu a um pedido feito à época pela Prefeitura de São José junto ao Comphac (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Paisagístico e Cultural). Com o decreto, a árvore de copa extensa e frondosa se tornou imune ao corte.

Plantio

Altair de Melo conta que o pai trabalhou por cerca de 40 anos na Fazenda Sant’ana do Rio Abaixo, adjacente à fábrica da Tecelagem Parahyba, como mecânico de máquinas agrícolas. A fazenda ficava no local do Parque da Cidade.

“Não tem outra árvore. Foi ele quem plantou no Parque da Cidade, acho que há mais de 55 anos. Ele dizia que a árvore veio do Paraná. Não sei se foi fazer algo lá e veio para plantar nesse local. Veio com a muda, pequena ainda”, diz Altair sobre o pai.

“Ele tinha muito orgulho da árvore, contava essa história para todos. Ele comentava para a gente e enchia de lágrima os olhos dele por causa dessa árvore. Ele dizia que ia deixar a lembrança de São José. Entrou para história”, afirma.

Pai de 10 filhos em dois casamentos, Carlos de Melo morreu vítima de um infarto fulminante, segundo o filho. Ele estava na casa dele, tinha saúde, andava, fazia as próprias compras, estava lúcido e andava de ônibus sozinho. Mas o coração o levou em 23 de janeiro.

O corpo dele foi enterrado no último sábado (24), no Cemitério Municipal Maria Peregrina, no bairro de Santana, na região norte. Não muito distante da árvore que ele amava.

“Essa árvore está associada à história do meu pai, e isso nos enche de orgulho. Ele se foi, mas a vida dele fica marcada por essa árvore maravilhosa, que também faz parte da história da cidade”, diz Altair (na foto abaixo, ele ao lado do pai, Carlos de Melo).

Controvérsia

OVALE consultou a Prefeitura de São José dos Campos sobre o registro oficial de plantio da árvore e descobriu que esse documento não existe. Não há um registro da datação da árvore.

Há informações não oficiais de que a muda da árvore teria mesmo vindo do Paraná, como conta o filho de Carlos de Melo, mas também sem registro oficial.

Mas isso não importa. Se o coração de seu Carlos falhou e ele se foi dessa vida, a memória dele está impregnada nos troncos, galhos e folhas de uma das árvores mais bonitas de São José. Ali pulsa o coração desse amado joseense.

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