Horas de desespero.
Uma empresária de 35 anos de São José dos Campos viveu momentos de terror junto ao namorado, um ex-militar de 35 anos que a agrediu, ameaçou com uma faca e acabou preso pela Polícia Militar. O caso aconteceu na madrugada de segunda-feira (26), na região central da cidade, e serve de alerta para outras mulheres. “Pode custar a nossa vida”, disse a empresária.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
De acordo com o registro, a PM foi acionada para atender ocorrência de violência doméstica. No local, a vítima se apresentou na portaria do prédio e contou que havia sido agredida pelo namorado, que não aceitava o término do relacionamento.
A mulher relatou que o ex-militar teria puxado seus cabelos, batido o rosto dela na parede e desferido socos e tapas, além de apertões no braço e antebraço. A vítima apresentava lesões no rosto, corte em um dedo e hematoma no antebraço, segundo a descrição do atendimento policial.
O boletim aponta ainda que, pouco depois, o ex-militar apareceu na portaria e, durante a abordagem, os policiais encontraram uma faca na cintura dele. A arma foi apreendida.
O caso foi registrado na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de São José dos Campos como violência doméstica (Lei Maria da Penha), com enquadramentos de lesão corporal, ameaça e injúria. O registro menciona que a vítima pediu medidas protetivas de urgência.
Violência
OVALE apurou que a empresária começou a se relacionar com o ex-militar após um casamento de 16 anos e dois filhos. No início, ele era gentil, atencioso e o romance foi se desenrolando, ao menos até o início dessa semana.
Após beber demais, ele teria se zangado ao não poder dirigir o carro da namorada e deu um tapa no braço dela no Anel Viário de São José. Ela reagiu dizendo que a agressão marcava o fim do romance, o que ele não aceitou.
Ao chegar ao apartamento dela, as agressões começaram. Ele pegou no cabelo da empresária e a jogou na parede. Disse que ia matá-la e depois tirar a própria vida. Ela caiu várias vezes no chão e ele ainda apertou o rosto dela, além de quebrar o interfone para ela não pedir ajuda.
O ex-militar pegou uma faca e ameaçou a empresária, dizendo a frase: “Se não for minha, não será de ninguém”, que aparece no histórico da ocorrência.
Foi então que a empresária começou a gritar para que a ouvissem e chamassem a polícia. Ela conseguiu passar por baixo do braço dele – ele segurava a faca – e tentou trancá-lo no apartamento, mas ele bateu no antebraço dela.
A estratégia mudou para tentar acalmar o namorado, e a empresária conseguiu convencê-lo a descer e conversar. Ela se posicionou na frente de uma câmera na esperança de que percebessem a situação.
Foi então que a polícia chegou e prendeu o ex-militar em flagrante, com a faca na cintura. Ele foi encaminhado para a DDM de São José, depois para exames no IML (Instituto Médico Legal) e continuou preso.
“Mesmo assim, no momento em que eu o encontrava, ele dizia ‘eu te amo’. Foi a primeira e a última vez que foi violento comigo, porque não admito”, disse a mulher.
“Tive a minha vida em segundos, passa um filme na cabeça. Nunca passei por isso em 16 anos de casamento”, afirmou.
Alerta
O caso da empresária serve de alerta para outras mulheres, que eventualmente possam achar que um ato de violência seja normal.
“É para as mulheres nunca acharem que isso é normal. Pode custar a nossa vida. Se a pessoa aceitar a primeira vez, pode piorar. Tem mulheres que passam a vida inteira recebendo agressão verbal e no corpo, e não denunciam, não registram BO e têm medo”, afirmou.
“Com essa experiência vi que tem uma forma de escapar e pedir um auxílio para recomeçar a vida se for dependente financeira da pessoa. Vi isso quando estava registrando a ocorrência”, completou.
Outro lado
A defesa do indiciado não foi localizada para comentar a prisão. O espaço segue aberto. Ao ser ouvido pela polícia, o ex-militar alegou que houve apenas discussão e disse que a faca seria “para se defender”. A Polícia Civil determinou a prisão em flagrante e a instauração de inquérito, com envio da faca para perícia.
Com a prisão em flagrante, o caso é comunicado ao Judiciário. A vítima foi orientada sobre direitos previstos na Lei Maria da Penha e sobre o pedido de medida protetiva. As próximas etapas incluem a análise judicial do flagrante e o andamento do inquérito policial.