TARIFA VAI AUMENTAR

Ônibus: SJC pagou R$ 144 milhões em subsídio em 2025; alta de 66%

Por Julio Codazzi | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Claudio Vieira/PMSJC
Enquanto aumentou o subsídio pago para as empresas, Prefeitura promoveu dois reajustes da tarifa de ônibus em intervalo de apenas 11 meses
Enquanto aumentou o subsídio pago para as empresas, Prefeitura promoveu dois reajustes da tarifa de ônibus em intervalo de apenas 11 meses

A Prefeitura de São José dos Campos repassou R$ 144,7 milhões às três empresas que operam o serviço de transporte público na cidade em 2025, a título de subsídio. O montante representa um aumento de 66% sobre os repasses feitos no ano anterior, que somaram R$ 86,8 milhões.

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Iniciados em outubro de 2020, ainda na fase mais crítica da pandemia de Covid, os repasses eram justificados como uma forma de "proporcionar o reequilíbrio econômico e financeiro do contrato de concessão". Ano a ano, no entanto, as transferências têm aumentado. Confira abaixo, em valores de cada ano (sem correção pela inflação até os dias atuais):

  • 2020: R$ 15,068 milhões
  • 2021: R$ 48,146 milhões
  • 2022: R$ 63,710 milhões
  • 2023: R$ 67,198 milhões
  • 2024: R$ 86,833 milhões
  • 2025: R$ 144,725 milhões

De outubro de 2020 a dezembro de 2025, os repasses somaram R$ 425,683 milhões. Desse total, 33,99% foram pagos às concessionárias apenas no ano passado.

Tarifa.

No início, o pagamento do subsídio era justificado como uma forma de manter a tarifa congelada - o preço da passagem de ônibus permaneceu inalterado entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2025.

No entanto, apenas nos últimos 11 meses, a tarifa teve dois aumentos. O primeiro, de 20%, ocorreu em fevereiro do ano passado.

O segundo aumento, de 8,3%, vai entrar em vigor na semana que vem, a partir do dia 29 de janeiro.

Receita.

Confira abaixo a receita obtida anualmente pelas concessionárias, com a venda de passagens, em valores de cada ano (sem correção pela inflação até os dias atuais):

  • 2018: R$ 192,3 milhões
  • 2019: R$ 194,9 milhões
  • 2020: R$ 126 milhões
  • 2021: R$ 137 milhões
  • 2022: R$ 166,2 milhões
  • 2023: R$ 167,4 milhões
  • 2024: R$ 172,4 milhões
  • 2025: R$ 172,8 milhões (os dados de 2025 estão atualizados apenas até novembro)

Confira agora a soma da receita de bilhetagem com o subsídio pago pela Prefeitura:

  • 2018: R$ 192,3 milhões (ainda não havia subsídio)
  • 2019: R$ 194,9 milhões (ainda não havia subsídio)
  • 2020: R$ 141,1 milhões (subsídio começou em outubro)
  • 2021: R$ 185,1 milhões
  • 2022: R$ 229,9 milhões
  • 2023: R$ 234,6 milhões
  • 2024: R$ 259,2 milhões
  • 2025: R$ 317.579.354,01 (os dados de 2025 estão atualizados apenas até novembro)

Contratos.

Firmados em abril de 2008, os contratos com a Joseense e a Expresso Maringá deveriam ter sido encerrados em abril de 2020, mas já sofreram cinco prorrogações, sendo a última delas para outubro de 2026. Já o contrato com a Saens Peña, que foi firmado em outubro de 2010 e deveria ter sido encerrado em fevereiro de 2021, foi prorrogado quatro vezes, sendo a última também para outubro de 2026, quando a Prefeitura espera colocar em operação o novo sistema de transporte público, com ônibus elétricos alugados - apenas a locação dos veículos deve custar R$ 2,7 bilhões em 15 anos.

Dos R$ 425,6 milhões repassados às empresas entre 2020 e 2025, a título de subsídio, R$ 147,4 milhões foram para a Saens Peña, R$ 140,3 milhões para a Joseense e R$ 137,9 milhões para a Expresso Maringá.

Questionada pela reportagem, a Prefeitura não havia se manifestado sobre o aumento de 66% no gasto com subsídio em 2025 até a publicação do texto. O espaço segue aberto. A Busvale, que representa as três empresas, informou que não iria comentar o caso.

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