RESISTÊNCIA

Procurado é baleado ao tentar tomar arma de policial no Vale

Por Jesse Nascimento | Caçapava
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Boletim foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Caçapava
Boletim foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Caçapava

Um homem procurado por roubos foi baleado ao tentar tomar arma de um policial militar durante ação contra o tráfico de drogas em Caçapava. O caso aconteceu durante patrulhamento ostensivo, por volta de 20h dessa sexta-feira (14), pela rua João Félix Oliveira Andrade, na Vila Bandeirantes.

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No local, quatro suspeitos foram vistos pelos policiais em frente a uma residência próximos a dois veículos e foram abordados. Os policiais militares encontraram um tijolo, que depois se confirmou tratar-se de substância entorpecente.

Na abordagem, os policiais relataram que um deles segurava um objeto semelhante a um tijolo, que depois foi identificado como porção de maconha. Ao notar a aproximação da viatura, esse suspeito fugiu correndo, abandonando o material, enquanto os outros três permaneceram no local e foram abordados.

Com um dos abordados, identificado como homem, morador da casa, os policiais encontraram uma porção de maconha no bolso. Próximo à roda traseira de um dos veículos, foi localizada uma bolsa com mais porções da mesma droga. Nos fundos da residência, após varredura com apoio de outras equipes, foi encontrada uma sacola com mais maconha, cuja posse foi assumida pelo morador.

Ao todo, o boletim de ocorrência menciona 1.620 gramas de maconha, divididas em um “tijolo grande” e porções menores.

O documento aponta três homens como investigados por possível tráfico de drogas, todos maiores de idade, dois deles moradores da residência alvo da varredura. Também há um autor desconhecido ligado ao tráfico, já que o homem que fugiu com o tijolo não foi identificado formalmente até o momento.

O caso segue em apuração e nenhum deles foi indiciado em flagrante pelo delegado plantonista, que optou pela continuidade da investigação em inquérito, sem decretação de prisão naquele momento.

Suspeito nos telhados.

Enquanto parte da equipe lidava com a abordagem na frente da casa, policiais visualizaram um homem correndo pelos telhados das residências vizinhas. Outra guarnição se deslocou para a rua dos fundos, com o objetivo de fazer um cerco.

Segundo o boletim, em determinado momento esse suspeito desceu do telhado para a rua e se deparou com a equipe, incluindo uma policial militar, que aparece no registro como vítima.

Ainda de acordo com o relato oficial, o suspeito de 39 anos teria partido para cima da policial, tentando arrebatar sua arma de fogo por diversas vezes.

Diante do risco iminente, a policial efetuou um disparo, atingindo o homem na região abdominal e, segundo o texto, “cessando a injusta agressão”. Em seguida, foi acionado socorro médico, e o suspeito foi levado à Fusam (hospital de Caçapava), onde passou por cirurgia e segue internado sob escolta da Polícia Militar, sem previsão de alta até a emissão do boletim. Não há informações atualizadas a respeito do estado de saúde dele.

O caso foi formalmente registrado como lesão corporal em decorrência de intervenção policial, tendo como vítimas a própria policial e a saúde pública, em razão da natureza da ocorrência.

Ao checar os sistemas policiais, a equipe verificou que o suspeito baleado tinha mandado de prisão expedido em 20 de maio de 2018, pela Vara de Execuções Criminais de São José dos Campos, relacionado a condenações pelos crimes de roubo e receptação.

O boletim informa que as condenações somariam aproximadamente 21 anos de reclusão, em regime fechado, com validade do mandado até setembro de 2041.

Por esse motivo, além do contexto da abordagem, o registro policial incluiu também a “captura de procurado”, com determinação para comunicação imediata ao Judiciário e posterior audiência de custódia, tão logo haja condições clínicas para transferência ao sistema prisional.

Todo o material apreendido foi encaminhado para análise pericial. Exames foram requisitados para a arma, o carregador, a cápsula deflagrada e o entorpecente. Já a perícia em celulares foi deixada, por ora, para avaliação posterior do titular da Delegacia de Polícia da área, justamente para não prejudicar a linha inicial de investigação.

O boletim registra ainda que, conforme a narrativa policial, “toda a ocorrência foi registrada por câmeras corporais”, o que deve servir de subsídio para a apuração tanto da legalidade da intervenção quanto da dinâmica do possível tráfico de drogas no endereço.

No despacho constante do boletim, o delegado plantonista afirma que, na etapa inicial, os fatos relacionados ao tráfico de drogas ainda não estavam suficientemente claros para justificar prisões em flagrante dos quatro investigados.

O boletim foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Caçapava, uma vez que foi registrado na CPJ (Central de Polícia Judiciária), em São José dos Campos, que ficará responsável por aprofundar as diligências.

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