Alice Martins Alves, de 33 anos, que morreu após ter sido espancada na avenida do Contorno, teria sido vítima de funcionários de um bar na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte (MG). A hipótese é uma das linhas de investigação da Polícia Civil, conforme fontes ligadas às apurações.
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A mulher trans teria saído do estabelecimento sem pagar uma conta de R$ 22. Por isso, teria sido perseguida e agredida pelos homens. A vítima sofreu fraturas nas costelas, perfuração intestinal e outros ferimentos. O crime foi cometido no dia 23 de outubro, e Alice morreu dias depois, em 9 de novembro.
Um áudio que circula nas redes sociais traz mais detalhes sobre o crime. Um homem diz que costumava atender Alice na região e que está muito triste pelo o que aconteceu. Ele ainda relata que os funcionários que espancaram a mulher não compareceram mais ao trabalho. “Eles sumiram”, diz ele.
O crime aconteceu na avenida do Contorno, esquina com a avenida Getúlio Vargas, na Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, no dia 23 de outubro.
A vítima foi para casa e depois encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento da região Centro-Sul. Posteriormente, foi transferida para um hospital particular. Alice ficou internada por cerca de 18 dias e morreu no último domingo (9) vítima de uma infecção generalizada.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que o caso é investigado pelo Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios do DHPP (Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa).
Quem era a vítima.
"Alice Martins Alves: quem era ela? Uma pessoa com uma personalidade marcante e muito decidida em tudo o que queria." É assim que o serralheiro Edson Martins, de 66 anos, define a filha. O pai lembra que ela, uma mulher trans, "lutava pelos direitos". "Era muito inteligente e tinha alta capacidade de desenvolver os estudos pelos quais se interessava, e que lutou muito pela sua vida", relata.
A inteligência de Alice era tamanha que, conforme lembra o pai, "aprendeu inglês sozinha e falava fluentemente". "Há um bom tempo vinha estudando receitas e íamos abrir um negócio de venda de comidas", afirma. "Alice enfrentava muitos perigos, mas ela saía com altivez para curtir a vida que, infelizmente, foi ceifada por alguém que não tem nenhum respeito ao amor e à vida", conclui, emocionado.
No velório e o sepultamento de Alice, realizados no Cemitério Parque da Colina, no bairro Nova Cintra, na última segunda-feira (10), foram marcados pela comoção da família e de amigos. “Minha filha foi morta por quê? Que ódio é esse?”, questionou o pai, inconformado com a violência.
A irmã da vítima, a fotógrafa Gabriele Martins, de 32 anos, afirmou que a morte de Alice a motivou a se engajar com mais força nas causas LGBTQIAPN+. “Sou lésbica, então, para mim é cruel saber que você não tem o direito de ir e vir com segurança. Agora, com a morte da minha irmã, vou abraçar a causa com mais vontade”, declarou.
A amiga de infância, a dentista Thais Moreira, também lamentou o crime e lembrou que Alice enfrentava o preconceito desde cedo. “Ela já sofria discriminação na escola, mesmo antes de se assumir como mulher trans. Era uma ótima amiga, muito romântica e sonhava em encontrar alguém”, contou.
* Com informações do jornal O Tempo