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Celso fala sobre lixo, ameaças, hospital e fábricas para Jacareí

Por Guilhermo Codazzi e Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 39 min
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Celso Florêncio, prefeito de Jacareí, participa de OVALE Cast
Celso Florêncio, prefeito de Jacareí, participa de OVALE Cast

O prefeito de Jacareí, Celso Florêncio (PL), fez um balanço dos 10 meses de gestão e apontou os desafios para os próximos anos na cidade durante participação no OVALE Cast, o podcast de OVALE.

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Segundo ele, foi preciso cortar 40% dos gastos da Prefeitura para viabilizar o funcionamento da administração sem reduzir serviços.

Florêncio também falou sobre o embate na área da coleta de lixo, que o levou a pensar em usar carro blindado. “A gente mexeu em alguns vespeiros e, consequentemente, vieram as ameaças”, afirmou.

O prefeito de Jacareí contou ainda que aguarda um estudo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), órgão da USP (Universidade de São Paulo), para decidir se rompe ou não com a atual prestadora de serviço da coleta de lixo na cidade, a empresa Ambiental.

“A gente está no aguardo desse estudo da Fipe, que deve vir nas próximas semanas, para a gente poder tomar uma decisão”, afirmou.

Confira a íntegra da entrevista com o prefeito de Jacareí, Celso Florêncio.

Logo no começo do governo, o senhor baixou um decreto fazendo um corte de 40% nos gastos da prefeitura. Por que isso foi necessário? Qual era o quadro que o senhor recebeu quando assumiu a cadeira de prefeito de Jacareí?

Jacareí e diversas outras cidades do Brasil estão passando por um processo muito difícil, onde as despesas cresceram e a receita não cresceu a contento. A gente chegou num cenário onde havia despesas do ano anterior, algo em torno de 20% do projetado para o ano de 2025. Havia muitas contas em atraso, algumas comprometendo o serviço, então a gente precisou fazer essa redução de 40%, de contingenciar o orçamento. A gente ainda não descontingenciou, porque esse ano a gente está colocando a casa em ordem, para ter uma tranquilidade para os próximos três anos que temos pela frente.

A gente não descontingenciou e nem vai descontingenciar para conseguir colocar Jacareí nos trilhos para conseguir avançar. Todo prefeito chega querendo fazer, querendo investir, querendo melhorar os serviços, mas a gente optou por fazer esse contingenciamento até para ter uma normalidade do serviço. Quando a gente chegou, os funcionários estavam trabalhando seis horas, porque a prefeitura tinha a dificuldade de honrar com o vale o vale-refeição dos funcionários.

Hoje temos uma situação bem confortável com relação aos trabalhadores. Essa série de medidas faz com que Jacareí esteja hoje numa posição mais confortável. Inclusive, recentemente, a Confederação Nacional dos Municípios me ligou porque diversos municípios no Brasil estão com problemas para pagar o 13º dos funcionários. E aí eles estavam questionando se a gente teria esse mesmo problema em Jacareí, que a maioria dos municípios está passando.

Quanto a isso, Jacareí está tranquilo, porque inclusive a gente já fez até o provisionamento para este 13º dos funcionários. Então, a gente sai de uma situação bastante ruim, onde não tínhamos condições de pagar o vale-alimentação, para já ter, inclusive, provisionado o 13º dos funcionários.

O senhor citou a questão da carga horária, em razão do benefício da alimentação. Tinha que reduzir a carga horária? Que outros serviços estavam sendo diretamente impactados por essa situação financeira?

Olha, o Samu não estava sendo pago alguns meses, então isso compromete todo o consórcio, porque o Samu é consorciado. Todas as cidades têm a sua cota parte, Jacareí era a única que estava em débito. A gente renegociou com o Samu, porque isso poderia dar um impacto muito negativo na prestação de serviços de saúde.

A questão também da energia elétrica, a prefeitura não estava pagando a conta de energia elétrica, e isso fazia com que qualquer nova ligação não pudesse ser executada, ou seja, desde uma pracinha que precisava de uma ligação nova. A gente fez toda uma negociação com a EDP, ficamos alguns meses negociando com a EDP para conseguir normalizar. A gente está pagando agora em dia e também parcelamos o [débito] para trás, o de 2024 para trás, e hoje estamos conseguindo manter em dia os parcelamentos também.

Para esclarecer, onde é que o senhor cortou exatamente para chegar nessa situação mais confortável? Teve algum serviço que o senhor teve que parar completamente?

Não, a gente fez um processo de otimização. A gente não diminuiu nenhum serviço, muito pelo contrário. Quando a gente volta com os funcionários públicos trabalhando oito horas por dia, a gente volta a aumentar esse serviço. Porque trabalhando seis horas, o volume de serviço entregue à população é muito menor. A gente conseguiu aumentar esses serviços, inclusive, inaugurando novos equipamentos. A Estação Evoluir para tratamento das crianças autistas, que é um equipamento novo.

Mas a gente fez todo um corte em diversos contratos, renegociamos absolutamente todos os contratos e fizemos um pente fino, talvez no maior contrato do município, que é um volume maior que se tinha projetado de orçamento, R$ 120 milhões, que é o contrato da limpeza pública, da concessão ambiental. A gente conseguiu baixar bastante a nota fiscal em torno de 60%. Estamos pagando hoje 60% do que estava previsto para ser pago.

Isso com fiscalização, com negociação de contratos, negociando contrato por contrato, chamando os fornecedores para negociar, cortando o que é supérfluo. O munícipe não percebeu uma piora no serviço público, mas a gente teve um trabalho árduo de fazer essa redução nos gastos.

O senhor vem da gestão do Isaías Santana, que governou Jacareí por dois mandatos, O senhor ocupou postos importantes no governo do Isaías, como a Secretaria de Governo, Planejamento. O senhor já via esses problemas quando o senhor estava na gestão do Isaías? O senhor já tinha detectado esses pontos de alerta? O senhor chegou a manifestar ao prefeito Isaías preocupação em relação a eles?

Sim, sim. O prefeito Isaías sabia dos problemas, que não são apenas do município de Jacareí. Os municípios aqui no Vale estão com déficit, muitos estão operando em déficit. Talvez, no final do mandato, se intensificou um pouco mais esses desafios financeiros, mas a gente está conseguindo colocar a casa em ordem, estamos conseguindo operacionalizar bem para, no ano que vem, a gente ter uma capacidade de investimento.

Estamos saindo da nota da Capag C [Capacidade de Pagamento] para, pelo menos, B no próximo ano. A Capag é o que o Tesouro Nacional determina como o bom pagador. Então, a gente sai de péssimo pagador para bom pagador. A gente está conseguindo evoluir bastante com relação à questão fiscal do município.

Prefeito, passados esses 10 meses, desde que o senhor assumiu, na sua avaliação, o governo é uma continuidade do governo Isaías Santana ou já tem uma marca própria?

Não, não acredito que seja uma continuidade. Respeito muito o trabalho do prefeito Isaías, estive durante 7 e meio junto com o prefeito Isaías, mas que agora é um governo Celso. Na campanha, eu levei isso para as pessoas de que seria um governo Celso, na minha forma de governar, minha forma de gestão. Então, é diferente, são personalidades diferentes. Acho que a gente tem sentido na rua uma boa aceitação a essa nova forma que a gente tem feito de governo.

E o Isaías, o senhor continua conversando com ele? De alguma maneira ele participa? O senhor recorre a ele em algum momento?

Não, não. O prefeito Isaías continua sendo um parceiro da cidade. Tem sido muito presente nos eventos, mas o prefeito Isaías agora tem um cargo dentro da Prefeitura de São Paulo. Então, até por questões de trabalho mesmo, ele está dedicado ao trabalho dentro da Prefeitura de São Paulo, na Secretaria de Governo da Prefeitura de São Paulo. É minha obrigação andar sozinho. Eu tenho a obrigação de andar sozinho e ser responsável pelo nosso município, porque, no final das contas, eu fui eleito para isso.

O senhor chegou a citar o desafio em relação à limpeza pública, ao serviço de coleta de lixo, que é um dos principais contratos com valor mais volumoso. Como é que foi enfrentar isso? Houve ali um período de crise? O senhor criticou o serviço, a qualidade do serviço. Como é que está o serviço hoje? Esse contrato vai ser mantido? Como é que está essa situação?

É até bom a gente explicar, porque muita gente acaba não compreendendo as diferenças desse contrato. Esse contrato é de PPP, uma parceria público-privada de 30 anos. Passaram-se 16 anos, mas tem 14 anos pela frente. O prefeito não pode rescindir um contrato de PPP, porque nele tem uma série de indenizações. Se eu fizesse uma rescisão, eu teria um processo gigantesco que oneraria o caixa público municipal e quebraria a Prefeitura Municipal de Jacareí.

O que a gente tem feito desde o começo? Intensificado a fiscalização. Então, tem que prestar esses serviços? É isso que a gente está cobrando. E a gente tem glosado nas notas tudo que não tem sido prestado, e isso tem dado uma ótima economia para o município, inclusive, isso tem ajudado bastante as contas do município. O ano passado tinha algumas notas em atraso, esse ano a gente está com todas em dia, mas com um volume menor porque não prestou o serviço, não se paga.

A gente abriu um processo de caducidade, que é o que a lei de PPP diz que tem que ser feito caso a operação não esteja em bom estado. Então, a gente entendeu que o serviço não estava sendo bem prestado, que havia muitos problemas relacionados à parte trabalhista, à implantação da usina, à operação do dia a dia da limpeza pública do município, e também da questão do equilíbrio econômico desse contrato.

A gente pegou ponto a ponto, contratamos a Fipe, que é o Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo, que está finalizando o estudo que vai, aí sim, balizar uma decisão sobre o processo de caducidade. A gente está no aguardo desse estudo da Fipe, que deve vir nas próximas semanas, para a gente poder tomar uma decisão, mas a gente tem trabalhado bastante para conseguir.

Uma coisa que acho já está nítida na cidade é que o serviço está muito melhor. Hoje a gente não tem nenhuma reclamação quanto a prestação dos serviços. Temos muita reclamação, sim, com relação aos funcionários, e a gente tem feito um trabalho inclusive de, junto com o sindicato dos funcionários, para pagamento em dia de FGTS, de férias, 13º, que não tinha essa política. A gente tem funcionários que estão há três anos sem férias, tem funcionários que está com atraso de pagamento de empréstimo consignado, o que na nossa opinião não pode ocorrer de forma nenhuma.

Se a prefeitura está pagando a empresa para remunerar adequadamente os funcionários, ela tem que fazer isso, e a gente não vai permitir que não seja feito isso. Agora a gente está na parte final, onde a gente aguarda esse estudo da Fipe, que vai falar sobre o equilíbrio econômico-financeiro do contrato e também vai falar sobre a usina de biodigestão, que foi um dos motivos da execução dessa PPP.

Há o risco de haver um rompimento depois do estudo da Fipe? Há algum cenário que o senhor pode caminhar? Quais são os caminhos?

Tem três caminhos. A gente levantou todos os pontos que precisam ser corrigidos, eles corrigem todos os pontos, seguimos com o contrato, que é isso o que a lei manda. Eles não corrigem todos os pontos, fazemos um cronograma para corrigir esses pontos, sendo eles de correção ou corrigíveis. E faço acordo com a empresa e, ao longo do tempo, eles corrigem. Não muito tempo, mas eles corrigem esses problemas. E a última saída é se a gente vislumbrar que não existe possibilidade de correção de todos esses problemas apontados, a gente vai partir para o encerramento do contrato. Então, é um processo bastante detalhado, por isso que não posso tomar uma decisão com base exclusivamente no quero ou não quero.

Eu preciso de toda a questão técnica envolvida, que vai desde o apoio da nossa procuradoria, a fiscalização do contrato, ao estudo da Fipe, aos parecer que o próprio sindicato aponta sobre as condições de trabalho dos funcionários da Ambiental.

Prefeito, OVALE noticiou esse ano, no dia 27 de junho, que foi publicado no Diário Oficial de Jacareí um edital de contratação para locação de um carro blindado para a utilização do senhor pelo período de 24 meses, no valor de R$ 359 mil reais. Por que foi necessária a contratação do carro blindado? O senhor recebeu algum tipo de ameaça?

A gente mexeu em alguns vespeiros e, consequentemente, vieram as ameaças. Nesse período mais conturbado, a gente optou, junto também com a inteligência nossa, por usar um carro blindado não só para minha segurança, mas das pessoas que acabam me acompanhando.

Esse carro blindado, a gente a gente abriu esse edital e esse é o preço inicial, mas fechou quase a metade desse valor. A gente nem chamou o carro ainda, esse carro do edital, mas por segurança, por cautela, já fui algumas vezes na delegacia de polícia para prestar [queixa].

O senhor chegou a registrar boletins de ocorrência?

Tem vários boletins de ocorrência registrados, não é um só de ameaças, não só a mim, mas também a pessoas ligadas a mim.

Isso cessou, prefeito? Houve um período em que isso foi teve uma intensidade maior ou isso continua acontecendo?

Nos últimos meses está mais tranquilo, mas nos primeiros meses foi bastante agressivo a quantidade de ameaças que chegaram.

E como é para o senhor, que foi eleito para um cargo público, eleito democraticamente, o senhor está ocupando a cadeira de chefe do executivo da cidade, ter que tomar medidas, que na são necessárias, como o senhor falou, mexendo em alguns vespeiros e recebendo esse tipo de ameaça, que também é um ataque à democracia, se a gente for observar por esse prisma. Como é que foi para o senhor receber isso? Como é que o senhor reagiu? Como é que ficou com o Celso, a pessoa, como é que reagiu a tudo isso?

Eu acho que ninguém reage bem a uma ameaça que coloca em risco a sua vida pessoal. Mas eu acho que é importante a gente ter a consciência tranquila, de que está fazendo a coisa certa. A partir do momento que eu fui eleito para ser prefeito, eu fui eleito para ser prefeito e agir da maneira mais correta possível.

Eu me sinto muito honrado de ter mais de 57 mil votos em Jacareí, que foi a maior votação nominal a um prefeito. Então, eu não posso decepcionar as pessoas que estiveram ali na urna, foram até a urna, as pessoas que vestiram a minha camisa durante a campanha, eu não posso decepcionar essas pessoas. Então, a gente vê com tristeza, porque quando se faz uma ameaça ao prefeito, não se faz uma ameaça apenas ao Celso pessoa física, se faz uma ameaça à instituição Prefeitura Municipal de Jacareí. Mas, é o ônus da gente ter que mexer em alguns pontos, eu acho que é preciso mexer logo no começo.

E o senhor citou vespeiros. Isso seria relacionado, por exemplo, ao contrato da questão da limpeza? O senhor tem alguma suspeita do que pode ter motivado essas ameaças ao senhor? Quem o ameaçou foi identificado?

Não, não está identificado e está correndo o processo judicial. Então, deixa correr o processo judicial e deixa as pessoas se explicarem na justiça.

Uma questão que lhe deu certo conflito foi a ameaça que o senhor fez de desapropriar a fábrica da Caoa Chery, devido ao tempo de inatividade. A negociação para a montadora reativar a fábrica deu certo? O local pode ser utilizado, por exemplo, para outra empresa? Como está essa questão?

Olha, a gente ficou seis meses tentando conversar tanto com a Caoa quanto com a Chery, quanto com a Caoa Chery, porque são dois grupos diferentes numa joint venture, uma sociedade. E nesses primeiros seis meses eles se negaram a conversar com a gente.

Então, eu levantei todos os benefícios fiscais que eles tiveram para ter a empresa em Jacareí e para ter os benefícios, tantos de isenções, todos os recursos que eles tiveram, as bondades que foram feitas para que eles gerassem emprego. É um benefício fiscal desde que haja a contrapartida. E a contrapartida deles era gerar emprego na cidade. A partir do momento que eles não geram emprego na cidade, eu vou cobrar os benefícios que foram dados.

E a gente começou a intensificar essa cobrança. Mandei para eles alguns ofícios, aí a gente começou as tratativas e tem evoluído bem. A gente tem bastante, tem conversas periódicas, onde eles têm apresentado os planos para a empresa. É lógico que eles não vão apresentar em três, quatro meses um plano de viabilidade econômica. Agora eles precisam inclusive é ver qual o carro que eles vão produzir em Jacareí.

Mas a gente está dando o tempo para eles e, se caso eles não venham a trazer a planta, colocar a planta de Jacareí em funcionamento novamente, a gente vai sim partir para a desapropriação, descontando todos os benefícios que foram dados para Caoa Chery. Então, no caso para a Chery, porque a Caoa veio depois, mas a gente vai descontar todos os benefícios e desapropriar.

Empresa interessada é o que mais apareceu. Eu não conversei com nenhuma, até para não parecer que estou fazendo isso por conta de um lobby de alguma empresa, então não conversei com nenhuma. Várias tentaram se aproximar para entender como que seria feito. Mas, basicamente, a gente vai fazer a desapropriação, a preço de mercado. O município vai colocar pouquíssimo recurso nisso e depois colocar para leilão, para alguém que queira produzir em Jacareí.

O senhor chegou a falar com a Caoa para produzir um carro elétrico em Jacareí? Na avaliação do senhor, a expectativa mais provável é que eles voltem a produzir ou você acha que deve caminhar para um leilão?

Eu prefiro acreditar que as conversas que estamos tendo e o que os estudos que eles estão me apresentando sejam, de fato, verdadeiros. Eles têm mostrado essa evolução dos estudos, é uma possibilidade de duas linhas [de produção] em Jacareí.

Então, eu prefiro acreditar, mas se não for verdade ou se eles mudarem de opinião ao longo [do tempo], a gente retoma de onde paramos o processo de desapropriação.

E dos carros?É elétrico ou não? Eles chegaram a falar sobre isso?

Eles estão ainda em pesquisa, em estudo, mas provavelmente não. Provavelmente não.

O senhor chegou a se empenhar pessoalmente durante aquele período em relação à nova fábrica da Coca-Cola, querendo que essa fábrica fosse instalada em Jacareí. Como é que ficou essa questão?

A Coca decidiu, até por questões sindicais, não vir para Jacareí. Então, eles estão com três cidades aqui da região no páreo. Jacareí não é uma delas, mas estamos trabalhando em outras frentes e possivelmente vamos anunciar algum grande investimento para Jacareí em breve. Ainda está nos termos de confidencialidade, mas a gente tem trabalhado inclusive em uma empresa que vai gerar muito mais emprego do que a Coca, e muito mais receita para o município. Eu tenho trabalhado bastante nessa área de emprego, porque para mim, primeiro, a minha formação é economista.

Mas eu acredito que quando a gente gera emprego, a gente está gerando a melhor política social que a gente poderia gerar para aquela pessoa. Primeiro, mexe com a autoestima, a pessoa está trabalhando, ela está produzindo, ela tem condições de dar uma vida melhor para os filhos e o município passa a deixar de investir em muitas áreas ou reduz a pressão em muitas áreas para o município, como saúde, por exemplo.

Se eu trago uma empresa com 800 carteiras assinadas e convênio médico, eu gero uma redução do volume que eu preciso investir na saúde pública. Porque essas pessoas vão estar atendidas também no sistema complementar. Essas pessoas vão poder financiar sua própria casa. Eu não preciso me preocupar com habitação ou diminui a pressão pela preocupação por habitação.

Essas pessoas vão comprar imóveis onde já tem saneamento básico consolidado. Ou seja, o município deixa de se preocupar com o saneamento básico. Então, investir em atrair empresas para o município, e a gente teve um saldo positivo de quase 1.500 vagas só no primeiro semestre, a gente está fazendo de fato, mudando a vida das pessoas.

A cidade tem muitas áreas para receber empresas de grande porte?

Ainda tem. Temos bastante áreas no entorno da Chery, tem uma zona industrial muito grande, no entorno da [rodovia] Dom Pedro, na própria Via Dutra mesmo, temos áreas industriais que podem ser utilizadas.

No novo plano diretor, a gente criou os corredores de desenvolvimento econômico, são oito corredores de desenvolvimento econômico, onde podem ser trazidos, não só fábricas, mas agora centros de distribuição, porque a economia está mudando. É a logística. Então, a gente está trabalhando de forma a atrair investimentos para a nossa cidade. Fizemos há um mês o Jacareí Summit. Colocamos mais de 800 pessoas só na abertura no Teatro Municipal.

Veio o Jorge Lima, que é o nosso secretário de Desenvolvimento Econômico, inclusive na terça-feira estive com o Jorge lá na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado para tratar de outro grande investimento que estamos trazendo para Jacareí, finalmente. Depois na sequência, a gente teve um dia inteiro onde tiveram rodadas de negócio. Estamos tentando internalizar as cadeias, ou seja, as empresas, as grandes empresas, elas consomem serviços de outras empresas.

Então que esse serviço fique em Jacareí, que esse serviço seja contratado de empresas de Jacareí Porque daí a gente alimenta toda a cidade. Então a gente precisa fazer esse esforço, se empenhar em fazer geração de emprego, de renda, de novos negócios, porque é a melhor forma de a cidade se desenvolver. Não tem como a cidade se desenvolver se a gente não pensar em novos negócios, em geração de emprego e renda.

Esse investimento o senhor está tratando com o Estado, o senhor pode antecipar?

É com a própria empresa Sany, inclusive, eu publiquei no meu Instagram na terça-feira. Acompanhei com o Jorge Lima a fábrica de equipamentos pesados da Sany. Hoje a Sany tem uma área grande em Jacareí, mas só tem a parte comercial, então para trazer a fábrica, e essa fábrica começaria num curto espaço de tempo.

A gente está em negociações bastante avançadas para retomada da Sany, para a retomada da Chery, a própria Cebrace vai investir R$ 1 bilhão nos próximos anos em Jacareí. Então, não só tentar trazer empresas novas para Jacareí, mas mostrar para as que estão que é interessante investir e ampliar a capacidade instalada em Jacareí.

Ainda nesse tema, prefeito, quando a gente estava conversando sobre a Coca-Cola, o senhor citou o sindicato. O senhor acredita que o sindicato, em alguns casos, acaba sendo uma pedra no sapato para atração de novas empresas?

Primeiro, tem sindicatos. Cada sindicato de um determinado ramo tem uma forma de agir. Não acredito, inclusive foi uma das conversas que a gente teve com a Coca-Cola, que nos últimos anos não houve paralisação da fábrica da Ambev ou da própria Heineken, por mais que existe uma atividade sindical no estado de São Paulo muito forte e a gente tem outras indústrias cervejeiras e de bebidas na cidade, tanto a Ambev quanto a Heineken estão em Jacareí e não tem histórico de paralisação, não tem histórico de tumulto.

Mas existe, às vezes, um preconceito que na ponta do lápis, quando o investidor está fazendo aquela tomada de decisão, ele opta por investir ou não por fatores não às vezes concretos, mais subjetivos.

Na saúde, o senhor chegou a afirmar que a prioridade do seu governo é a construção do Hospital Municipal de Jacareí. Como é que seria esse projeto?

A gente tem o projeto do Hospital Municipal na Malek Assad, que é uma avenida importante que a gente vai inclusive começar a duplicação esse ano. Terminou-se agora a fase de licitação, está nos últimos recursos, mas estamos já indo para contratos, para garantir a duplicação da Malek do trecho da Mário Covas até a Faria Lima, e ali vai ficar o novo Hospital Municipal, um investimento em torno de R$ 100 milhões, um investimento que a gente está fazendo ainda a operação financeira para isso, mais de 120 leitos, o pronto-socorro.

A gente está caminhando para um projeto bem grande de um de um hospital para atender Jacareí. Hoje, o maior problema nosso, e a gente tem diversos problemas na saúde, como qualquer outro município no Brasil, não é só Jacareí, mas a gente tem uma capacidade hospitalar muito reduzida. A média de leitos SUS do estado é 1,8 leitos SUS por 1.000 habitantes. Em Jacareí, a gente tem 0,9.

A gente trabalhou nesses primeiros seis meses, porque não dá para esperar o hospital ficar pronto, porque pessoas estão precisando de leito hoje. A gente já conseguiu. A nossa Santa Casa saiu de 120 para 150 leitos mais ou menos. A gente está ampliando os leitos de enfermaria.

Então, estamos trabalhando bastante junto à Santa Casa para conseguir intensificar o aumento de leitos SUS na Santa Casa. Mas também precisamos assegurar que a gente tenha o Hospital Municipal pensando num médio e longo prazo.

E seria a obra de quanto tempo? O senhor tem uma expectativa que pudesse começar o ano que vem?

A expectativa é que a gente consiga fechar o projeto e fazer. A gente está fechando. Começamos com o estudo de viabilidade de uma possível PPP, porque hoje o município não tem esses recursos. Por isso que eu disse que era importante a gente organizar a casa e fazer esses 40% de contingenciamento, para a gente assegurar que vai ter recurso para o hospital. A gente precisa assegurar esse recurso para construção do hospital.

E agora para os próximos anos, esse ano a gente está pagando contas, mas no próximo ano a ideia é que a gente já tenha recursos para investir, e aí a gente está falando de 2 a 3 anos de investimento no Hospital Municipal. É um investimento complexo, é uma obra complexa, um prédio vertical, são três andares.

Para ter todo atendimento de baixa, média e alta complexidade, mas pelo menos baixa e média complexidade, cirurgias eletivas, pronto-socorro ser feito dentro do Hospital Municipal em paralelo com a Santa Casa. A ideia é que não se fecha a Santa Casa, que continue trabalhando junto, porque hoje a gente tem sim uma carência muito grande de leito SUS no município.

Sobre a Santa Casa, a Prefeitura prorrogou a intervenção municipal até o final do ano de 2025. Recentemente, um projeto que o senhor enviou à Câmara foi aprovado por unanimidade, com um repasse de R$ 6,2 milhões também para Santa Casa. Qual é a expectativa para a entrada de 2026? O que o senhor espera que aconteça? Vai ser prorrogada a intervenção? Qual é a expectativa do senhor em relação à Santa Casa?

Eu não gostaria de prorrogar a intervenção, mas eu não posso deixar de lado o atendimento SUS. Então, a gente está em conversas para fechar um termo de acordo entre a Irmandade e a Prefeitura, de que se garanta atendimento SUS como é hoje, sem redução de atendimento SUS, pelo preço que está sendo pago hoje.

Quando eu revoguei lá atrás, em primeiro de janeiro, o decreto de desintervenção, por conta que havia uma redução de 30% a 40% dos atendimentos e um aumento no valor a ser pago pela Santa Casa na casa de 50 por cento a mais, ou seja, se reduzia 30% do atendimento e pagava 50% a mais.

Então, essa conta não fecha, não fecha para o município que não vai ter condições de honrar esses acordos. E se hoje a gente já tem um gargalo na quantidade de atendimentos, com a Santa Casa operando ao máximo, a gente não está dando conta de atender o munícipe de Jacareí. Eu não posso me dar o luxo de reduzir em 30% os atendimentos da Santa Casa.

Então, quando a gente equalizar essa conta, onde a gente garanta que não vai ser reduzido o atendimento SUS, que o serviço vai ser prestado por um valor justo, adequado ao município, como é hoje, inclusive o município está pagando todas as dívidas da Santa Casa. Esse ano a gente pagou em torno de R$ 20 milhões a R$ 25 milhões de dívidas passadas da Santa Casa, ou seja, a gente está colocando a Santa Casa em ordem, até para que quando fizer essa intervenção, faça com a Santa Casa totalmente viável, mas tem que ser viável porque é a Santa Casa, ela foi constituída pela sociedade jacareiense para atendimento gratuito de saúde. Então, que não seja desvirtuado esse objetivo principal da Santa Casa.

O senhor hoje tem uma expectativa de quando isso será possível? A gente tem a intervenção prorrogada até o final do ano, mas a gente já está no final do mês de outubro, praticamente. Então a gente está pertinho, daqui a pouco já completa um ano de governo. O senhor tem uma expectativa real? Quando o senhor acha que isso vai ser possível?

Se a gente equalizar essa conta, o quanto antes a gente equalizar essa conta, não depende só da Prefeitura, mas equalizando isso, a gente encerra a intervenção. É bem simples. Aí é um decreto administrativo de encerramento da intervenção, mas eu só posso fazer isso quando eu tiver segurança que não vai haver comprometimento do serviço de saúde.

Na prática, o que acontece? O senhor tem gente da prefeitura dentro da Santa Casa?

O prefeito indica o superintendente da Santa Casa. Hoje o prefeito indica o superintendente da Santa Casa. Hoje é a dona Elizete, é uma pessoa extremamente técnica, não é uma pessoa política, totalmente técnica, já tinha uma vasta experiência em gestão hospitalar e está tocando a gestão hospitalar da Santa Casa. Então, hoje a gente garante que tem uma tomada de decisão técnica, que o atendimento SUS é o objetivo principal. Então, assim que a gente equalizar essas questões, simplesmente a gente revoga o decreto e aí passa a gestão sem a intervenção da Prefeitura.

O senhor não abre mão da Santa Casa dentro do sistema de saúde pública de Jacareí?

Não, porque senão colapsa. É o único hospital 100% SUS do município. O São Francisco presta um ótimo atendimento, mas em áreas isoladas. Está na maternidade, na oncologia, na nefro, mas cirurgia eletiva, internação, os pacientes que chegam na UPA e que precisam de um atendimento hospitalar, eles vão todos para a Santa Casa. Sem o Hospital Municipal, para onde eu vou mandar essas pessoas? Eu não posso me dar o luxo de encerrar essa intervenção e não ter a segurança de ter ali na Santa Casa um atendimento 100% SUS para as pessoas que mais precisam. Não posso ser leviano de aceitar, encerrar uma intervenção e colapsar o sistema público de saúde de Jacareí. Hoje a gente tem um bom serviço de saúde, a gente tem todo o atendimento pré-natal e também o pronto-socorro no Hospital São Francisco.

Prefeito, o senhor liderou uma comitiva recente agora da Frente Nacional de Prefeitos a Barcelona, na Espanha, ao encontro global sobre governança metropolitana e desafios comuns, como a crise habitacional, por exemplo. O que o senhor trouxe de lá que pode ser aplicado em Jacareí? Há possibilidade de parcerias nacionais e internacionais?

Um dos motivos que eu fui representar via Frente Nacional dos Prefeitos, além de ser um prefeito de uma região metropolitana, que Jacareí está dentro de uma região metropolitana, aqui da RMVale, onde a gente tem um trabalho bastante intenso. Também eu tenho todo um estudo acadêmico na área. O meu doutorado foi nessa área também. Então pude contribuir um pouco com as discussões e trazer um pouco também de tudo que tem sido feito ao redor do mundo.

Acho que a nossa grande diferença aqui de região metropolitana, se pegar aqui região metropolitana de São Paulo, você tem um conflito muito maior, a relação, a dinâmica de pessoas que vão e vêm todos os dias e as interações são muito maiores, mas você pega e traz aqui para a região da nossa RMVale, a gente tem pontos de conurbação, como Jacareí, São José, e inclusive o prefeito Anderson tem sido parceiro.

A gente conseguiu já inaugurar uma obra conjunta, que é uma nova ligação entre as duas cidades. A primeira ciclovia intermunicipal aqui do Vale do Paraíba, onde a gente faz a ligação do Parque da Cidade de Jacareí, até aqui a região do Colinas, Urbanova, numa única ciclovia. Hoje a gente tem esse pêndulo de 27 mil pessoas que fazem esse deslocamento.

Como a gente tem um sistema público de saúde complexo, a gente precisa discutir de forma metropolitana e trazer o Estado para a mesa, para discutir serviço de saúde, porque quando há uma melhora de um serviço de saúde, existe uma migração para as outras cidades e isso acaba gerando é um custo que deveria ser do Estado, mas muitas vezes os municípios é que estão sempre assumindo os custos.

Então, essa capacidade de diálogo é importante para a gente trazer para cá, para a nossa realidade, para cobrar quem é de fato, de quem tem o poder de decisão e também o poder de argumentação, para a gente conseguir ter bons resultados para a vida conjunta que hoje a gente fala em cidades. As pessoas aqui no Brasil, a gente tem mais de 50% das pessoas morando em regiões metropolitanas, ou seja, a pessoa trabalha numa cidade, mora em outra, tem o lazer em outra. Essas relações precisam estar muito bem definidas e esse diálogo precisa, que ainda é incipiente no Brasil, precisa crescer muito mais.

Conceitualmente o senhor viu alguma coisa que chamou a atenção? Essa história da cidade para as pessoas, mais lugares para se caminhar, reduzir o deslocamento. Essa discussão, que está posta lá fora, é uma coisa que o senhor acha que tem que ser feito aqui também?

Com certeza, mas a passos mais graduais. Barcelona, onde foi o evento, é uma cidade que tem metrô em toda esquina, tem ciclovia, tem uma redução do espaço do carro, que eu acho que é uma discussão que a gente vai ter, não agora, acho que a gente ainda não está preparado, porque o nosso transporte público também não é eficiente a ponto de a gente dizer: “Vamos começar a restringir os carros”. A gente tem que fazer esse diálogo quando a gente tiver um transporte público de qualidade.

Então, a gente precisa melhorar muito o nosso transporte público, e aí não é Jacareí, é o Brasil. A gente precisa fazer essa mudança e até para exigir que as pessoas possam ter uma vida mais caminhável, possa utilizar mais a cidade, possa ter uma qualidade de vida melhor sem ficar perdendo o seu tempo no trânsito, que isso acaba impactando muito negativamente a vida das pessoas, a qualidade de vida das pessoas.

Em termos de mobilidade, quais são os grandes desafios de Jacareí hoje na avaliação do senhor?

A gente tem uma cidade basicamente com mais de 370 anos, ruas estreitas, grande parte do fluxo passando pela região central e a gente tem alguns pontos de gargalos bem conhecidos, como a ponte do São João, a região do Vila Branca, a região do Santa Paula na Estrada Velha.

Então, inclusive, eu estive segunda-feira agora no DER, que deu um novo andamento porque ali a estrada, a Geraldo Scavone, que é uma estrada estadual, então as obras precisam ser feitas e autorizadas pelo DER, que é o Departamento de Estradas e Rodagem do Estado de São Paulo. Então a gente estava fazendo essa conversa para conseguir melhorar esses fluxos.

A gente licita esse ano ainda um novo projeto de uma melhoria viária na ponte ali, fazer uma quarta ponte na região central, ligando o Cidade Jardim ao Liberdade, para dar um melhor fluxo, porque hoje a ponte do São João já opera também no seu limite.

E a gente também tem outra obra importante que deve começar no próximo ano, que é a Via Oeste de Jacareí, que é a ligação da Lucas Nogueira Garcia com a Castelo Branco, para também conseguir desviar esse fluxo do São João, que chega exclusivamente na ponte do São João.

Nessa questão de mobilidade, Jacareí comporta, por exemplo, um projeto como um ônibus mais rápido, uma linha segregada, só para ônibus, algum alguma coisa que possa ser feito para melhorar, prefeito?

A gente já tem alguns corredores de ônibus na região central. Então, já existe esse espaço. Temos dificuldade de colocar outros espaços porque as vias são as mesmas. São vias estreitas, vias antigas, a gente precisa melhorar a fluidez do trânsito. A gente tem feito estudos com relação à fluidez de trânsito para melhorar e tirar os pequenos gargalos, inclusive dos bairros, que tem vários pequenos gargalos nos bairros que acaba atrapalhando também a vida das pessoas.

A gente muitas vezes vê os grandes pontos de gargalo, mas também tem os gargalos espalhados no bairro que a gente precisa arrumar, e aí com inteligência de trânsito para a gente melhorar.

Na área da segurança, uma das principais propostas que o senhor apresentou aos eleitores na campanha eleitoral foi o reforço das câmeras de segurança. Foi criado o COI 2.0. Como é que funciona esse Big Brother contra o crime em Jacareí?

Jacareí foi pioneira em instalar o [programa] Muralha Paulista. O nosso sistema é extremamente avançado, com reconhecimento facial, câmeras de altíssima precisão e a gente conseguiu, por conta da tecnologia empregada em Jacareí, ser a pioneira no Vale do Paraíba na Muralha Paulista. E por que isso é importante? A gente tem uma base integrada junto ao governo do Estado.

A partir do momento que a gente tem, porque a prefeitura de Jacareí ou a secretaria de segurança pública de Jacareí, não tem os dados dos foragidos, a facial dos foragidos. Quem tem isso é a Polícia Militar. Quem tem isso é o governo do Estado. Então, quando a gente faz essa migração, e a gente já prendeu vários foragidos em Jacareí por conta desse novo Muralha Paulista junto com o nosso COI 2.0.

É extremamente importante isso que foi feito. Nos próximos anos, quem está foragido ou quem quer cometer um crime não fica em Jacareí, porque lá vai ser facilmente pego.

 

São quantas câmeras hoje?

Hoje a gente tem em torno de 200 câmeras, que dão uma abrangência bem grande, porque elas têm um raio muito alto. Elas conseguem alcançar uma distância bem grande.

Na avaliação do senhor, qual é o grande desafio hoje na segurança em Jacareí? São roubos, furtos, a questão das drogas? Qual é a avaliação que o senhor faz?

Acho que a gente tem bastantes desafios diversos. Jacareí tinha um índice alto de roubo de carros, isso como Muralha tem reduzido bastante, mas tem muito ainda furto de residência, isso agora a gente começa uma nova fase do COI que é utilizar as câmeras das residências, dos comércios, acoplar isso no nosso sistema de inteligência, e consequentemente ajudar na prevenção do crime, também relacionado a furtos de residência.

Temos também uma questão, e a gente tem feito muitas campanhas, instalamos o botão de pânico para as mulheres vítimas de violência, porque existe sim uma preocupação com a violência doméstica em Jacareí. Não só Jacareí, é uma realidade nacional, triste, mas a gente precisa também cuidar dessas mulheres. Temos a Patrulha Maria da Penha, que tem um instalado esses botões de pânico e tem ajudado muito. Várias mulheres têm acionado, que têm medidas protetivas contra os seus maridos, têm acionado esse botão de pânico e tem ajudado muito na segurança familiar também.

Há um projeto de conectar Jacareí decisivamente à história de Nossa Senhora Aparecida. E consolidar Jacareí como ponto de partida dessa história. Como é que é isso? Conta para a gente essa história.

A gente inaugurou agora na Semana da Padroeira um mural ao lado da igreja, da Capela de Nossa Senhora Aparecida em Jacareí, onde grande parte da história diz que foi ali lançada a imagem que foi encontrada em Aparecida anos mais tarde. E essa história faz todo sentido. Primeiro que Jacareí é a única cidade que tinha a igreja voltada a Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Até hoje a Padroeira de Jacareí é Nossa Senhora da Imaculada Conceição e a Nossa Senhora de Aparecida é Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida.

Havia também uma lenda da Cobra Grande que, para acalmar a Cobra Grande, atirou-se a Nossa Senhora no Rio Paraíba. Toda aquela região da prefeitura não existia, era uma várzea, o rio passava ali. Aquela região é aterro, onde está hoje a prefeitura, o Fórum.

O rio passava exatamente atrás da igreja matriz. Então, foi jogada essa Nossa Senhora por conta dessa lenda e anos mais tarde teria sido encontrada em Aparecida. Existem estudos técnicos que mostram, principalmente quando houve aquela quebra da Nossa Senhora, aquele atentado à imagem. Fizeram laudos relacionados à argila da Nossa Senhora e essa argila seria proveniente de Salesópolis.

Na época, Salesópolis só tinha interação comercial com Jacareí e Mogi das Cruzes. O Rio Paraíba do Sul não passa em Mogi das Cruzes. Ele passa em Jacareí. Então, existe diversos fatores que nos levam a crer que a Nossa Senhora, que está lá, a Padroeira Nacional, que está em Aparecida, ela foi atirada no Rio Paraíba em Jacareí, ou seja, Jacareí é o marco zero da Nossa Senhora Aparecida.

Então a gente vai trabalhar nos próximos anos para consolidar Jacareí como o marco zero, inclusive o mural da igreja matriz tem mais de 50 anos, ele retrata essa história da Nossa Senhora sendo atirada no rio em Jacareí.

O senhor já conversou com o Santuário Nacional de Aparecida? Há algum conflito do pessoal do Santuário aceitar essa história?

Não, a gente ainda não iniciou a conversa. Iniciamos a conversa com a igreja local, com a com a Igreja Católica de Jacareí, que permitiu que a gente fizesse uma benção, uma primeira expedição que foi de Jacareí até Aparecida, de barco.

Saíram os caiaques de Jacareí, então o padre fez a benção aos peregrinos, para que a gente crie essa rota. E Jacareí volte à história de Nossa Senhora Aparecida, como Marco Zero mesmo, como um ponto importante dado todos os elementos históricos que corroboram. É lógico que existem outras linhas, outras que vão dizer que pode ter saído daqui, pode ter saído dali, mas o que a gente acredita é, de fato, que saiu de Jacareí.

Aparecida estava discutindo um turismo aquático mais elaborado. É navegável esse trecho entre Jacareí e Aparecida? É possível ter um barco talvez maior?

Não, o rio Paraíba não tem trechos navegáveis até a Aparecida. Tem alguns trechos que dá para fazer de caiaque, mas na sua maior parte dos trechos não existe navegabilidade no Paraíba.

Quais são os três principais desafios que o senhor pretende resolver até o final do mandato?

Acho que os desafios eles se renovam e quando a gente fala de áreas complexas, a gente aperfeiçoa, mas o desafio sempre está lá. Quando a gente fala de saúde pública, eu espero entregar muito do que a gente prometeu, e tem já cumprido. Das seis UBSs que a gente prometeu, três estão em obras e uma já está em processo licitatório. Vamos melhorar a atenção básica. O Hospital Municipal vou trabalhar muito e vai ser realidade.

A parte do atendimento, do pronto-atendimento, a UPA Corujinha que a gente se comprometeu com as mães de criar um espaço mais adequado, mais carinhoso para o atendimento, para o pronto-atendimento das nossas crianças. Também já está em andamento, já desapropriamos a área que vai ser a UPA Corujinha. Estamos na finalização das negociações com os proprietários para desapropriar e começar a construção. E melhorar muito o sistema de saúde. Acho que a gente consegue melhorar com tecnologia, com informação. Então, acho que saúde, a gente vai dar um passo importante, principalmente nesses pontos.

Mobilidade, eu acho que é um desafio muito grande de Jacareí, e isso mexe com o jacareiense, com a qualidade de vida do jacareiense. Então, a gente tem feito uma série de estudos para melhorar a mobilidade em Jacareí e alguns projetos já começaram a sair do papel.

A gente vai dar ordem de serviço esse ano, todo mundo sempre me pergunta: "E a Padre Eugênio e Malaquias, vai dar a ordem de serviço esse ano, começa a obra esse ano?”. A gente quando começa a obra, as pessoas perguntam: "Quando é que termina a obra?”. Porque a obra sempre é um transtorno. É sempre um transtorno, mas a gente precisa começar essas obras importantes, a Via Oeste, a ligação do Vila Branca com Santana do Pedregulho e depois com a Nilo Máximo. Então, essas obras também são importantes da parte da mobilidade, resolver o gargalo da ponte do São João, também extremamente importante na mobilidade.

E acho que talvez um legado importante seria na geração de emprego e renda para a cidade. E aí a gente fala tanto de geração de emprego, de atrair novos negócios, que novos negócios aconteçam, de que o jacareiense tenha oportunidades para continuar vivendo bem em Jacareí. E também, consequentemente, essas novas empresas vão trazer receitas para o município, vão trazer arrecadação, vão trazer tributos que vão ser convertidos em serviço público para o jacareiense. Então, acho que essas três áreas que eu gostaria de deixar um grande legado para nossa cidade.

Em relação a esse clima de polarização, de ‘fla-flu’ político, a gente teve episódios recentes importantes para a história política do Brasil. Um desses episódios é a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que é do PL, do seu partido, por envolvimento na chamada trama golpista. E temos também, por outro lado, o bolsonarismo defendendo a anistia aos condenados pelo chamado 8 de janeiro, pela trama golpista. Qual a avaliação do senhor primeiro sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e também se o senhor é a favor ou contra esse projeto de anistia?

Primeiro, a condenação do presidente Bolsonaro, acho totalmente descabida. No jurídico você precisa trazer provas, você precisa trazer evidências, você precisa trazer um detalhamento para levar a uma conclusão, uma decisão judicial, nesse caso não houve. Então acho que existem vários vícios desse processo. Acho que é uma condenação totalmente equivocada, errônea, mas justiça a gente respeita.

Na questão da anistia totalmente desproporcional, uma pessoa pegar anos de cadeia porque pichou com um batom, porque escreveu com um batom numa estátua. Então acho que essa desproporcionalidade, essa perseguição política, só cria um processo ainda maior de polarização, de injustiça, de um sentimento de divisão do país. E eu acho que a gente tem que parar com essa sensação de divisão. A gente tem que em algum momento sentar e falar: independente dos lados políticos, a gente precisa construir algo que convirja, que vá em direção para frente.

E acho que essas injustiças só acabam tensionando ainda mais e leva o país a essa situação lamentável que estamos, tanto do ponto de vista econômico, quanto do ponto de vista social, quanto do ponto de vista institucional. A partir do momento que as instituições começam a perder credibilidade, a democracia fica em risco.

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