Conhecida como “Cidade Proibida”, a cúpula do Pcc (Primeiro Comando da Capital) abriga os “generais” da facção — criminosos com a mais alta patente da organização, responsável por movimentar bilhões de reais em drogas, armas e lavagem de dinheiro.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
O termo, apesar de sugerir um local físico, não se refere a uma cidade, mas sim ao grupo que comanda o PCC em nível nacional, com decisões que afetam todas as suas ramificações dentro e fora dos presídios brasileiros.
Criada em 31 de agosto de 1993, dentro do Piranhão, anexo à Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, a facção nasceu em meio à repressão do sistema prisional e se tornou, três décadas depois, uma máquina multinacional do crime, presente em 23 estados e com influência no Paraguai e na Bolívia.
O “Glossário do PCC”, documento sigiloso produzido por um setor de inteligência prisional e obtido com exclusividade por OVALE, descreve a “Cidade Proibida” como a graduação mais alta da hierarquia da facção.
“Atualmente, é composta por alguns dos fundadores clássicos ou tradicionais, na sua maioria recolhidos em penitenciárias de São Paulo e presídios federais”, diz o texto.
Entre os integrantes mais conhecidos está Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, apontado como o principal líder da facção e referência máxima dentro da estrutura.
A ‘Cidade Proibida’, também chamada internamente de ‘Chefia-Geral’ ou ‘Sintonia Final’, reúne representantes de diversos estados. O grupo analisa tratativas de âmbito nacional, define punições internas e coordena os setores de finanças, armas, drogas, “RH” e até assistência jurídica e familiar.
Cada estado possui ainda sua própria “sintonia”, espécie de diretoria regional responsável por aplicar as ordens da cúpula. No caso do Vale do Paraíba, a área é controlada pela Sintonia 012, segundo o relatório.
Para as forças de segurança, o estrangulamento financeiro do PCC é um dos caminhos mais eficazes no combate à facção. O grupo, que já dominou o tráfico dentro dos presídios, hoje investe em lavagem de dinheiro, apostas ilegais e empresas de fachada.
O Ministério Público e a Polícia Federal têm ampliado operações de asfixia econômica.