Tecnologia no luto.
A morte de um familiar é um dos momentos mais tristes na vida de qualquer pessoa, ainda mais quando o falecimento é precoce ou de maneira trágica.
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Para ajudar a superar o luto, o piloto de helicóptero e inventor Cleber Valadão (foto abaixo), 41 anos, de São José dos Campos, está criando o aplicativo ‘BoreAPP’ que promete ser pioneiro nessa área. “Nesse segmento não existe igual. Pesquisei muito e registrei o nome”, disse.
Segundo ele, o app poderá colaborar tanto nas tarefas burocráticas que envolvem um falecimento, como na escolha de cemitério, translado do corpo e flores, como em um inovador contato virtual com o parente morto.
É isso mesmo: o aplicativo, que ainda estão em desenvolvimento, promete “replicar” o falecido por meio de Inteligência Artificial, fazendo-o “conversar e interagir” com o familiar, por meio do celular.
Cleber explica que a câmera do celular será aberta e o falecido será projetado em imagem 3D no aparelho, como uma arte holográfica, mas bastante realista.
O inventor explica: “Vai abrir o holograma e essa pessoa vai conversar com você por IA. Tudo o que ele colocar no aplicativo para gerar essa ‘memória eterna’ [do falecido] vai ser usado: fotos, redes sociais e outras informações da pessoa que morreu. A IA vai pegar como aquela pessoa pensava e gerar o holograma 3D, falando o mais próximo possível da pessoa”.
Ele garante que o falecido em 3D vai poder ter a voz, o rosto e os trejeitos da pessoa que morreu, além da maneira como pensava, tudo a partir de publicações do falecido nas redes sociais e outras informações que vão abastecer a IA.
“O parente vai ouvir [o falecido] e a pessoa vai responder. Haverá interação entre o parente e o falecido. Ele vai poder abrir isso para outras pessoas ou deixar só para ele”, afirmou Cleber, que possui uma assistência técnica de consertar celulares e informática. "Nosso slogan é: Iluminando caminhos em momentos de escuridão".
Segundo ele, o BoreAPP não é apenas um aplicativo. "É um raio de esperança, uma ponte entre dor e acolhimento, entre profissional e cliente, entre passado e memória. É uma revolução silenciosa e amorosa, que transforma o luto, gera oportunidades, eterniza vidas e ilumina caminhos", completou.

Desenvolvimento.
O inventor de São José disse que o aplicativo está 70% desenvolvido, já operacional, mas ainda com um longo caminho a ser percorrido até estar 100% pronto. Para tanto, ele estima de seis meses a um ano de trabalho e precisa de investimento -- o valor não foi revelado.
Cleber disse que tenta contato com investidores no Brasil e no exterior para explicar o projeto e encontrar quem queira aportar dinheiro no negócio, que ele afirma ser pioneiro no mundo.
“É preciso desenvolver mais a IA do aplicativo, por isso preciso de investimento. App é funcional, mas ainda falta muita programação. Vai ter que subir muito arquivo e precisarei de servidor internacional. Demanda tecnologia e investimento”, contou.
“Há pessoas interessadas, mas não com o aporte necessário. Estou marcando pessoas dentro e fora do país para investir. Será um aplicativo único no mundo e pode ser global. Há 62 milhões de falecimentos ao ano no mundo, com milhões de famílias enlutadas e precisando de conforto humano e o tecnológico. Vai ser pioneiro”, disse o inventor.
Em um vídeo de demonstração do aplicativo, Cleber colocou um avatar parecido com o empresário Luciano Hang, das Lojas Havan. Em outro, há um jogador semelhante a Neymar, o craque do Santos e da Seleção Brasileira. A ideia é chamar a atenção de investidores "de peso" para o projeto.
Geolocalização.
O aplicativo também vai usar tecnologia de geolocalização para permitir ao usuário encontrar diversos serviços relacionados ao falecimento, como realizar os trâmites burocráticos, localizar cemitérios e crematórios, funerárias, flores, homenagens musicais, músicos, vestimentas e até líderes religiosos.
“A pessoa vai baixar o aplicativo e, automaticamente, se cadastrando, vai fazer login e ter acesso a descontos. Isso não isenta de a pessoa comprar um serviço funerário. Mas será uma mediação por meio do aplicativo, voltada para o momento de mais dor da pessoa”, afirmou Cleber.
Morando há 7 anos em São José dos Campos, na região sul, ele disse que está na terra certa para empreender. “Pessoas com visão e que queiram deixar um legado”, afirmou.