Com sítios pré-históricos, fósseis e museus, o Vale do Paraíba está na rota da “Trilha dos Dinossauros”, projeto desenvolvido no Instituto de Geociência da USP (Universidade de São Paulo) para mapear as cidades do estado de São Paulo que abrigam material sobre dinossauros.
Entre as 19 cidades que fazem parte da trilha (veja mapa abaixo), estão municípios da região, como São José dos Campos, Taubaté e São Bento do Sapucaí (Pedra do Baú), além de Tremembé, que pode ser reconhecida como “Capital Paulista da Paleontologia” (leia abaixo).
A expedição “Trilha dos Dinossauros” foi desenvolvida pelo paleontólogo e professor do Instituto de Geociências da USP, Luiz Eduardo Anelli. Um dos motivos é mostrar que, entre as 54 espécies de dinossauros encontradas no Brasil, existem algumas que já viveram no território que hoje conhecemos como o estado de São Paulo.
Para Anelli, o projeto é uma oportunidade de compreensão do mundo atual a partir do passado. “A era dos dinossauros foi um momento importante na história do mundo, no qual houve muitas transformações geológicas, como vulcanismos que alteravam as condições químicas da atmosfera. Todas essas transformações ficaram marcadas nas rochas, e a partir disso podemos entender como nasceu o mundo em que nós vivemos atualmente. Ele nasceu na época dos dinossauros”, disse ele.
Cidades.
Nas cidades da trilha pode-se encontrar museus ou coleções com esqueletos de dinossauros e de muitos outros organismos pré-históricos.
Segundo o paleontólogo, cidades como Taubaté abrigam um “vasto material sobre dinossauros, ainda pouco conhecido pela população do Estado de São Paulo e de outras regiões do Brasil”. São sítios geológicos, paleontológicos e museus com diversos fósseis em exposição.
O Museu de História Natural de Taubaté dispõe de diversos esqueletos de dinossauros completos em exposição, incluindo um crânio de Tyrannosaurus rex, e fósseis originais escavados na região, com o único esqueleto da ‘ave do terror’ conhecido no estado de São Paulo.
Em São José dos Campos está localizado o Museu Interativo de Ciências, que tem em seu acervo o único esqueleto do dinossauro brasileiro Oxalaia quilombensis e do pterossauro Tropeognathus.
A Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira, conta com estruturas geológicas formadas durante a primeira fratura do supercontinente Gondwana, a separação da América do Sul e da África.
“Nós temos um tesouro no quintal da nossa casa inexplorado, que é o conhecimento científico e cultural do mundo dos dinossauros. Esse é o recado que nós queremos dar para a população no Estado de São Paulo e em seguida para a região Sul do Brasil: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, afirmou Anelli.
Em vídeo publicado pelo Museu de História Natural de Taubaté no YouTube (veja aqui), Anelli aparece mostrando rochas do antigo Lago Tremembé, que existiu há 25 milhões onde hoje está o Vale do Paraíba.
“Estamos no fundo desse lago e essas são as rochas que encontramos aqui com muitos fósseis”, disse o paleontólogo, acompanhado de Graziella Couto-Ribeiro, pesquisa e curadoria do Museu de Taubaté.

Tremembé.
A “Trilha dos Dinossauros” foi um dos assuntos que o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli tratados em Tremembé, durante mais uma edição do Dia do Fóssil, evento promovido pela prefeitura da cidade em 31 de outubro.
Tradição no município, o evento teve como objetivo aproximar o público da paleontologia e das ciências da Terra.
O evento reforçou a campanha pelo reconhecimento de Tremembé como “Capital Paulista da Paleontologia”, iniciativa apoiada pela SBP (Sociedade Brasileira de Paleontologia) e também pelo Museu de História Natural de Taubaté.
“As escavações realizadas até o momento na região demonstram o potencial paleontológico do município, bem como revelam a importância da região no cenário científico, educativo, turístico e cultural, tendo os fósseis como temática de interesse nacional e internacional”, escreve Hermínio Ismael de Araújo Júnior, presidente da SBP em carta de endosso a Tremembé.
“A indicação de Tremembé como capital paulista da Paleontologia reforçará as ações já realizadas até o momento e, principalmente, promoverá novas ações de proteção aos patrimônios natural e cultural brasileiros. Além disso, tal indicação impulsionará as atividades culturais, educativas e científicas desenvolvidas na região, com vistas à promoção da economia da região baseada no turismo científico e desenvolvimento sustentável”, completou.
Segundo ele, Tremembé destaca-se por apresentar um registro fossilífero “muito expressivo” de fósseis de vertebrados, invertebrados, vegetais, microfósseis e icnofósseis, datados do Oligoceno final (por volta de 23 milhões de anos), os quais são “fundamentais para a compreensão da evolução da vida na América do Sul ao longo da Era Cenozoica, bem como para o conhecimento das mudanças climáticas ao longo do tempo geológico”.