OPERAÇÃO POLICIAL

Polícia apreende R$ 90 mil, armas, drogas e prende dois em SJC

Por Jesse Nascimento | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Polícia Civil em São José dos Campos
Polícia Civil em São José dos Campos

Após três meses de monitoramento de endereços e rotinas, a 1ª DIG (Delegacia de Investigações Gerais) deflagrou a Operação Argos para cumprir mandados de busca e apreensão em imóveis ligados a suspeitos de integrar a estrutura financeira do PCC (Primeiro Comando da Capital).

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O principal ponto de ação foi no Jardim Nova Michigan, na região leste de em São José dos Campos, na manhã dessa terça-feira (7), além de outros endereços relacionados à mesma célula criminosa.

Quinze policiais, distribuídos em seis viaturas, atuaram de forma simultânea para preservar o efeito surpresa e impedir a destruição de provas.

No endereço principal, os investigadores localizaram uma quantia significativa em dinheiro vivo, aparelhos eletrônicos e anotações de contabilidade que, segundo a Polícia Civil, indicam a sistematização do recebimento, ajuntamento e armazenamento dos lucros do tráfico para posterior remessa a escalões superiores da facção.

Dois investigados, de 30 e 34 anos, foram presos. A dupla, segundo a investigação, teria papel central no gerenciamento do caixa da organização criminosa na cidade, controlando tanto o fluxo de valores quanto a guarda de registros manuscritos. Além das detenções, foram recolhidos R$ 90.324 em espécie, sete celulares, um contador de cédulas e cadernos com contabilidade do tráfico.

Os policiais também encontraram um revólver calibre .38 municiado e 50 munições de fuzil calibre 5.56, munição de uso restrito e de alto poder lesivo, o que, segundo os investigadores, reforça o potencial ofensivo do grupo e o risco para a população.

Foram apreendidos ainda oito tijolos de maconha, reforçando o vínculo entre a estrutura financeira e a logística do comércio de entorpecentes.

Diante do conjunto de evidências, foi lavrado auto de prisão em flagrante por porte de arma de fogo de uso permitido e porte de munições de uso restrito. Os dois presos permanecem à disposição da Justiça.

A Argos nasceu de um inquérito voltado a mapear lideranças e operadores financeiros de uma célula regional do PCC. A partir de informes, vigilâncias e cruzamento de dados, a equipe identificou imóveis e pessoas que orbitavam o núcleo de arrecadação. Os três meses de monitoramento sustentaram o pedido de mandados de busca e apreensão, que foram deferidos pelo Judiciário.

A operação priorizou o recolhimento de dispositivos eletrônicos (dos presos e de terceiros ligados ao grupo) e de documentos contábeis, considerados cruciais para seguir o rastro do dinheiro.

A escolha do nome “Argos” remete ao gigante da mitologia grega Argos Panoptes, descrito como uma criatura de cem olhos, sempre vigilante. A metáfora resume a tática do caso: vigilância constante de múltiplos alvos, coleta gradual de indícios e execução cirúrgica para apreender aquilo que, na avaliação da Polícia Civil, sustenta a máquina financeira do crime — o dinheiro em espécie, os registros de caixa e as comunicações digitais.

Os crimes apurados incluem tráfico e associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo, porte de munições de uso restrito, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os autos produzidos na ação de hoje já foram anexados ao inquérito principal, e os investigados presos foram encaminhados ao sistema prisional para audiência de custódia.

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