JULGAMENTO ADIADO

‘Vamos continuar brigando’, diz Sheila sobre julgamento em Dublin

Por Nathalia Mantovani e Xandu Alves | Dublin
| Tempo de leitura: 3 min
OVALE
Sheila Thomaz  e João Henrique durante participação em podcast de OVALE
Sheila Thomaz e João Henrique durante participação em podcast de OVALE

A mãe não desiste. Nunca.

O terceiro adiamento do julgamento do policial que atropelou e provocou a amputação da perna do joseense João Henrique Thomaz Ferreira não abateu o ânimo da família em esperar por justiça.

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Na manhã desta quinta-feira (25), o julgamento do policial Neil Doyle (foto abaixo, chegando ao tribunal), acusado de direção perigosa por ter causado lesões corporais graves em João Henrique, foi adiado pela terceira vez no Tribunal Criminal em Dublin, na Irlanda.

A advogada Allana Hughes, que representa João Henrique na Irlanda, explicou que a defesa do policial pediu mais prazo. O pedido foi acatado pela juíza Michelle Finan. OVALE acompanha o julgamento direto da Irlanda, com a repórter correspondente Nathalia Mantovani.

Primeira-dama de São José dos Campos e mãe de João Henrique, Sheila Thomaz disse que a família não vai desistir de continuar lutando pela condenação do policial.

“Mas para gente é ótimo, não tem problema nenhum [o adiamento]. Vamos embora, vamos brigar. Vamos fazer mais pressão para que daí todo mundo fique sabendo, e os jurados que estejam participando do julgamento a partir de então, fiquem do nosso lado, se Deus quiser”, afirmou ela.

Filho do prefeito de São José, Anderson Farias (PSD), João Henrique trabalhava como entregador em Dublin e teve a perna amputada após ser atropelado por um carro da polícia, em outubro de 2023. Amigos e familiares afirmam que o atropelamento foi intencional.

O julgamento já havia sido adiado por duas vezes, em 8 de maio e 12 de junho, após o policial não se pronunciar perante o tribunal. Ele terá que se declarar culpado ou inocente para a continuidade do processo.

“Os advogados do policial pediram mais prazo, alegando que não conseguiram analisar, preparar e ver todas as provas que foram apresentadas, que não tiveram prazo suficiente. E aí, o que acontece? Eles já adiantaram falando que ele vai se declarar inocente. Então, foi adiado para o dia 12 de janeiro de 2026”, confirmou Sheila.

“Eles já vão ter tido todos os prazos possíveis, permitidos na lei deles, então já não tem mais jeito. E nessa data também, do dia 12, ele se declarando inocente, aí a juíza vai colocar na instância superior. Quando vai para essa instância superior, aí é um juiz com 12 jurados. Então, aí ele vai para esse júri, e aí a coisa muda. Aí vira um julgamento mesmo. Por quê? Porque hoje ele estava na fase preliminar do julgamento e ele estava empurrando tudo isso”, afirmou a primeira-dama.

Instância.

A partir de 12 de janeiro, com a declaração do policial, a justiça irlandesa define para qual instância vai o julgamento do agente.

“Quais as acusações dele? Nessa de hoje, o promotor público se manifestou. Ele falou que já não queria mais que cedesse tanto prazo, pediu para juíza isso, por isso que ela não deu tanto prazo. Ela poderia ter dado até 6 meses, ela deu menos. Lá eles vão passando de instância e vai subindo o nível de intensidade de agravamento no processo”, disse Sheila.

Ela explicou que a lesão corporal que o policial produziu com a direção perigosa é uma lesão gravíssima, com a amputação de membro, o que justifica o caso ser transferido para uma instância superior mais agravada.

“Ele vai pegar um júri popular de 12 pessoas mais o juiz. Então aí começa um julgamento mais ferrenho em cima dele. E ele não admite se declarar culpado, não admitiu, ele é bem arrogante mesmo, ele quer se manter dessa forma, nessa postura, então vamos que vamos, para gente é até melhor, porque daí ele vai quebrar a cara e ele pode sair preso”, afirmou Sheila.

“O júri pode determinar a prisão dele. Então, lá na Irlanda, quando se vai a júri popular, o cara pode sair com multa e prisão. Então, ele está se arriscando.”

Desta vez, ela e João Henrique não acompanharam o julgamento em Dublin. O filho passou por duas cirurgias recentemente em São José dos Campos e, por orientação médica, não viajou para a Irlanda.

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