A Flim (Festa Literomusical) de São José dos Campos é financiada com 85% de recursos do setor público, com o restante aportado com recurso direto de empresas.
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Os percentuais foram divulgados pela Afac (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura) a pedido de OVALE. A entidade administra o Parque Vicentina Aranha e é responsável pelo evento.
A edição deste ano da Flim foi suspensa em decisão conjunta entre a Afac, a Prefeitura de São José dos Campos e a Fundação Cultural Cassiano Ricardo. Uma nova data ainda não foi divulgada.
O anúncio foi feito após onda de desistências de convidados em protesto ao veto do prefeito Anderson Farias (PSD) à participação da jornalista e escritora Milly Lacombe no evento, por críticas que ela fez à família tradicional. A medida foi noticiada em primeira mão por OVALE.
Após o veto, 16 dos 20 convidados cancelaram a participação na Flim, afetando todas as sete mesas previstas para o evento – seis delas com três convidados e a última com dois.
Recursos.
Questionada por OVALE, a Afac divulgou os percentuais do financiamento da Flim de 2025: 50% de recursos do Proac (Programa de Incentivo Fiscal de Cultura no Estado de São Paulo), 20% da LIF (Lei de Incentivo Fiscal) do município, 15% de recurso direto de empresas e 15% da Lei Rouanet (federal) – não foram divulgados valores absolutos.
No ano passado, de acordo com portal do governo estadual, a Flim de São José recebeu R$ 584,2 mil por meio do Proac de São Paulo.
“Contamos para a realização não só da Flim, mas também para outros grandes eventos do Parque, como Aniversário do Parque, Festival de Inverno e Carnaval. Esses eventos são, em sua maioria, custeados através de leis de incentivo, como Pronac (federal), Proac (estadual) e LIF (municipal), além da verba de marketing e permutas junto a empresas”, informou a Afac.
“Quanto aos valores, esses não são fixos, podem ter variações, dependendo do quanto se consegue captar e qual o custo de cada projeto. Vale ressaltar que os dados de cada um desses projetos vinculados às citadas leis de incentivo estão disponíveis nos respectivos sites”, completou.
Ministério.
Em razão dos recursos obtidos via Lei Rouanet para a Flim, o Ministério da Cultura repudiou a decisão do prefeito de São José de cancelar a participação da jornalista Milly Lacombe na 11ª Festa Literomusical de São José, “em virtude de não concordar com declarações que a referida convidada supostamente teria feito em uma entrevista a um podcast”.
Em nota divulgada em seu site, a pasta disse que o episódio relatado pelas curadoras do evento, que decidiram deixar a curadoria, se constitui um “grave caso de cerceamento à diversidade de pensamento necessária em nosso convívio social e, em especial, em eventos culturais que se propõem a discutir os temas mais urgentes para nossa evolução como sociedade”.
“Ainda mais lamentável é que isso aconteça em uma ação cultural financiada com recursos públicos oriundos da Lei Rouanet, que veda avaliações a partir de critérios subjetivos”, completou.
Em razão disso, o Ministério da Cultura informou que vai pedir informações detalhadas ao proponente da 11ª Festa Literomusical de São José dos Campos, “de forma a explicar quais motivos objetivos que levaram ao cancelamento”.