OPERAÇÃO SHAMAR

Violência contra a mulher é alvo de megaoperação policial no Vale

Por Jesse Nascimento | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Viaturas mobilizadas para a Operação Shamar
Viaturas mobilizadas para a Operação Shamar

A Operação Shamar mobiliza forças de segurança e cumpre mandados no Vale do Paraíba nesta quinta-feira (7). Trata-se de ação de combate à violência contra a mulher e de reforçar os mecanismos de proteção. A força tarefa mobiliza agentes de segurança pública em toda a região.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

A operação, que segue até 4 de setembro, comemora os 19 anos da promulgação da Lei Maria da Penha – marco histórico de 7 de agosto de 2006 – e integra as atividades da campanha Agosto Lilás, voltada para a conscientização e prevenção da violência de gênero.

No Vale, a Operação Shamar tem reflexos concretos. Todas as unidades da Delegacia Seccional de São José dos Campos, incluindo o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e a GCM (Guarda Civil Municipal), participam das ações.

No total, são cerca de 45 mandados de prisão e de busca e apreensão cumpridos em diversos municípios da região, como em São José dos Campos, Caçapava, Jacareí e Taubaté.

De acordo com informações locais, o efetivo mobilizado é composto por aproximadamente 90 policiais civis e 28 guardas municipais, somente em São José dos Campos. A logística foi planejada em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública do Estado e as delegacias da região.

Além de cumprir mandados, a ação verifica o cumprimento de medidas protetivas, recolhe armas que ainda estavam em poder de agressores e orienta mulheres sobre os canais de denúncia. A Guarda Civil Municipal, por sua vez, reforçou patrulhamento preventivo nas proximidades de abrigos, unidades de saúde e escolas, fornecendo suporte logístico às equipes da Polícia Civil.

Os mandados decorrem de investigações sobre violência doméstica, lesão corporal, ameaças e descumprimento de medidas protetivas de urgência, conduzidas pelas Delegacias de Defesa da Mulher e unidades especializadas.

A centralização das ações na Operação Shamar possibilitou acelerar procedimentos que já estavam em andamento e mapear casos que, sem intervenção rápida, poderiam resultar em feminicídio.

“A ideia é não deixar o agressor sentir que a lei é branda. É mostrar que há fiscalização, que há acompanhamento e que a vítima não está sozinha”, destacou um dos delegados encarregados.

A escolha de agosto não é casual. Em 7 de agosto de 2006, foi sancionada a Lei nº?11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, que instituiu mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Dezessete anos depois, ainda existem desafios no enfrentamento desse tipo de crime. A Operação Shamar vem para reforçar o compromisso do Estado e da sociedade com a proteção da vida das mulheres, alinhando ações repressivas e preventivas.

Segundo o Ministério das Mulheres, as ações buscam intensificar o atendimento às vítimas, o cumprimento de medidas protetivas de urgência e a execução de mandados de prisão. Além disso, o Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher – terá suas denúncias direcionadas a pontos focais estaduais da operação, a fim de agilizar o acolhimento e fortalecer a articulação entre os órgãos envolvido.

De acordo com nota do Ministério das Mulheres, o governo federal destinou R$?2 milhões para custear diárias de policiais em deslocamento e para financiar ações educativas de prevenção à violência de gênero. Essas iniciativas de sensibilização têm a intenção de informar a população sobre os direitos das mulheres e sobre os canais de apoio, reforçando a importância da atuação conjunta da sociedade na erradicação da violência.

Um dos principais pilares da Operação Shamar é tornar mais rápido o atendimento às mulheres em situação de violência. Isso envolve, além do cumprimento de mandados, a visita presencial para verificar se o agressor está cumprindo a distância imposta pela Justiça, a atualização de cadastros de vítimas em situação de risco e a inspeção de abrigos ou lares provisórios.

A centralização das denúncias via Ligue 180 para os pontos focais estaduais da operação é vista como chave para otimizar o tempo de resposta das forças de segurança. Ao receber a ligação, o atendente pode acionar diretamente a equipe de plantão da Polícia Civil ou Militar responsável, compartilhando os dados em tempo real. Isso ajuda a evitar que vítimas fiquem à mercê de agressores antes da chegada da polícia.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou cerca de 1.400 casos de feminicídio em 2024, além de milhares de ocorrências de lesão corporal contra mulheres. O Vale do Paraíba não está alheio a essa realidade: as Delegacias de Defesa da Mulher das principais cidades da região contabilizam aumento no número de boletins de ocorrência de violência doméstica desde a pandemia de Covid?19.

A Operação Shamar procura, portanto, suprir lacunas, integrando diferentes órgãos e agilizando a comunicação entre eles. A participação de 50 mil agentes disseminados em 2 mil município demonstra a dimensão do esforço e a prioridade dada ao tema. A iniciativa envolve polícias civis, militares, técnicos, bombeiros, guardas municipais, judiciário e órgãos de inteligência, bem como entidades da sociedade civil que atuam na proteção e acolhimento de mulheres.

O Vale do Paraíba é uma região estratégica para a Operação Shamar não apenas pelo número de habitantes — cerca de 2,5 milhões, distribuídos em cidades como São José dos Campos, Jacareí, Taubaté e Pindamonhangaba — mas também pela concentração de indústrias e universidades. A presença de grandes empresas atrai trabalhadores de várias partes do país, o que se reflete em um ambiente urbano diverso, com desafios específicos de segurança pública.

Em São José dos Campos, por exemplo, há duas Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher, uma no centro e outra na região sul. Mesmo assim, muitos casos de violência doméstica permanecem subnotificados. A Operação Shamar busca fortalecer essas unidades, disponibilizando equipes adicionais durante a execução dos mandados.

Apesar de a força?tarefa ter prazo para terminar em 4 de setembro, a expectativa é que os resultados perdurem. Os dados obtidos servirão para traçar políticas de médio e longo prazo, apontar quais regiões precisam de mais delegacias especializadas, aprimorar treinamentos de agentes e orientar campanhas educativas futuras. A partir das ocorrências mapeadas, será possível compreender quais formas de violência são mais frequentes e quais perfis de agressor demandam atenção redobrada.

Para os moradores do Vale do Paraíba, especialmente mulheres em situação de vulnerabilidade, a recomendação é clara: não hesitem em procurar ajuda. Em caso de emergência ou ameaça iminente, ligar para o 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar) é fundamental. O aplicativo SOS Mulher e o portal da Polícia Civil de São Paulo também oferecem canais para registro de denúncias e verificação de medidas protetivas.

Comentários

Comentários