Quarenta e cinco dias após a morte violenta de Francisco Rodolfo Gomes Oricil, de 59 anos, em São José dos Campos, a família do aposentado tenta se reconstruir diante da destruição causada pelo assassino, cuja prisão preventiva foi decretada pela Justiça.
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Francisco Rodolfo era aposentado da General Motors, morava há anos no mesmo endereço e tinha esposa e três filhos. Ele foi morto de forma cruel, sem chance de defesa e por motivo fútil.
O aposentado foi morto a tiros por um vizinho no domingo, 8 de junho, no bairro Jardim Ismênia, na zona leste da cidade.
“A dor que trago no coração não tem explicação. De maneira traiçoeira, impiedosa, covarde e desumana, essa pessoa nem ao menos teve compaixão por meu irmão Rodolfo. Nem deu o direito do meu irmão se defender”, disse a irmã da vítima.
“Essa pessoa impiedosa destruiu uma família, feriu pessoas e crianças com sua atitude maldosa. Quero justiça, que não fique impune. Que a lei não falhe com essa família que sofre pela injustiça”, completou.
O crime.
Segundo a polícia, o crime foi cometido por William Garcia, de 47 anos, por motivo fútil e sem chance de defesa para a vítima. O homicídio aconteceu por volta das 13h na Rua Caparaó. Testemunhas relataram que o autor e a vítima eram vizinhos e tinham desavenças antigas relacionadas a uma rachadura no muro das casas.
No dia do crime, o autor teria ido até a frente da casa da vítima e efetuado dois disparos à queima-roupa. Em seguida, quando a esposa da vítima saiu da residência após ouvir os primeiros tiros, presenciou o agressor disparando outros tiros contra o marido, que já estava caído no chão. A perícia identificou pelo menos cinco perfurações de arma de fogo no corpo da vítima e sete cápsulas deflagradas no local.
Após o crime, o autor fugiu do local e começou a ser monitorado pelas câmeras do CSI (Centro de Segurança e Inteligência) de São José. Ele abordou uma Saveiro vermelha e entrou no veículo mediante ameaça, obrigando o motorista a dirigir até um ponto de ônibus no Jardim Satélite.
Na sequência, as câmeras identificaram o veículo circulando pela avenida Andrômeda, já na região sul da cidade. O carro foi abordado por equipe da GCM (Guarda Civil Municipal), que encontrou ao volante o motorista ameaçado pelo suspeito.
O motorista relatou que William teria se sentado no banco do passageiro e ordenado que ele o deixasse em frente à loja de material de construção, onde desceu e entrou em um ônibus que estava parado em um ponto.
As informações do motorista, combinadas com as imagens do sistema de monitoramento, permitiram que a GCM identificasse o ônibus. O coletivo foi localizado ainda em circulação. O suspeito foi abordado dentro do veículo e detido sem resistência.
Durante a revista pessoal, os guardas encontraram com o suspeito uma pistola calibre .380 da marca Taurus, quatro cartelas com 10 munições cada (totalizando 40 projéteis adicionais), roupas, pochete, óculos, relógio e chaves, que foram apreendidos. Além disso, 41 munições intactas foram lacradas e encaminhadas à perícia.
Dor eterna.
O autor teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, após pedido da Polícia Civil. Na audiência de custódia, em 9 de junho, o juiz entendeu que havia elementos fáticos e determinou a prisão preventiva de William.
A prisão preventiva é medida cautelar aplicada por um juiz, antes do julgamento, que determina que o acusado fique preso sem prazo determinado enquanto o processo criminal está em andamento. A medida é forma de garantir que o réu não fuja, não atrapalhe as investigações e não cometa novos crimes.
A irmã de Francisco Rodolfo disse que a família espera pela condenação do autor do bárbaro crime. “Que a morte do meu irmão Francisco Rodolfo não seja mais uma sem punição”.
Ela concluiu dizendo que o irmão, marido e pai faz falta para a família inteira, além dos diversos amigos que o estimavam.
“Meu irmão vai fazer muita falta. Era um irmão amigo, companheiro, brincalhão, nossos sobrinhos o admiravam pela maneira extrovertida de brincar com eles”, afirmou a irmã.