Na madrugada desta segunda-feira (3), logo após a transmissão do Oscar 2025, que consagrou o filme brasileiro ‘Ainda estou Aqui’ como melhor filme internacional, um grupo de foliões da região fundou, em Caçapava, um “novo bloco carnavalesco com forte cunho cultural e de resistência”, batizado de ‘Bloco Ainda Estamos Aqui’.
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O nascimento do grupo aconteceu na Estação Casa Amarela e foi fruto da união de atrizes, compositores e músicos para celebrar o cinema, a arte e a luta pelo fortalecimento do audiovisual brasileiro.
A idealizadora do bloco, Elda Varanda Dunley, já tem uma trajetória no Carnaval de Caçapava, tendo sido uma das fundadoras do Bloco Chitaiada, que completou 18 anos.
Agora, com o ‘Ainda Estamos Aqui’, ela resgata o espírito de mobilização e arte como ferramenta de transformação.
“Nosso bloco nasce como um grito pela cultura, pela valorização do cinema nacional e pelo direito de continuar contando nossas histórias. A arte não pode ser silenciada”, afirmou Elda durante o evento.

Oscar no telão.
A noite começou com a exibição da cerimônia do Oscar em um telão, reunindo um grupo de amigos e apoiadores do movimento. Entre trocas de reflexões sobre o cinema e a indústria cultural, o evento ganhou contornos ainda mais simbólicos quando Fabrício Correia, escritor, jornalista e crítico de cinema, declamou um poema especialmente escrito para a ocasião. O texto resgatou a memória daqueles que lutaram pela arte e reafirmou o compromisso do bloco com a resistência cultural.
No encerramento, a música tomou conta do espaço com uma apresentação ao vivo, contando com integrantes da Banda Allegro. O show embalou a fundação do bloco e reforçou sua essência de arte coletiva e compartilhada.
O Bloco Ainda Estamos Aqui já nasceu com um samba-manifesto próprio, composto por Talita Piups com contribuição de Elda. A música traz versos de protesto, exalta a arte e critica a precarização do setor audiovisual. O refrão, forte e envolvente, foi entoado pelos presentes na fundação: ““Ainda estamos aqui, a nossa voz vai ecoar! / Ainda estamos aqui, ninguém vai nos calar!”.
Os versos também fazem uma crítica direta à realidade dos trabalhadores do cinema no Brasil. Apesar do glamour do Oscar, o cenário da produção cultural nacional é marcado por desafios financeiros e falta de incentivos: ““O Oscar não paga nossos boletos / Viva o cinema, viva a cultura! / Liberem nosso dinheiro, pois / Ainda estamos aqui com nossa luta na rua!”.
Manifesto.
Segundo os fundadores, a criação do Bloco Ainda Estamos Aqui vai além da festa. É um manifesto em defesa da cultura, da arte e da valorização do audiovisual. O evento na Casa Amarela reforçou que a arte continua sendo um espaço de resistência e transformação social.
A proposta é não apenas ocupar as ruas no Carnaval, mas também promover encontros e eventos que fortaleçam a luta por políticas culturais mais inclusivas e acessíveis. “A arte é um direito, e nosso compromisso é manter viva essa chama”, disse Elda.
“Com sua estreia marcada por emoção, música e reflexão, o Bloco Ainda Estamos Aqui promete deixar sua marca em Caçapava e além, reafirmando que a cultura resiste, pulsa e segue ecoando”, completou.
