ORAÇÃO E INDIGNAÇÃO

Assentamento do MST palco de chacina no Vale terá atos no sábado

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução / TV Vanguarda
Pessoas acompanhando o velório das vítimas em Tremembé
Pessoas acompanhando o velório das vítimas em Tremembé

O assentamento Olga Benário, do MST, em Tremembé, que foi palco de uma chacina com dois mortos e seis feridos, vai ser tema de um ato ecumênico na cidade do Vale do Paraíba no próximo sábado (18). Segundo o MST, o ato deve ocorrer na praça de Tremembé.

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Após a celebração ecumênica, marcada para as 9h, o movimento organizará um ato em Tremembé para exigir a “investigação e punição dos assassinos e mandantes”.

“Vão vir militantes e pessoas da sociedade de vários lugares, de São Paulo e de outras regiões do estado, nesse momento de protesto, luto e exigência de apuração célere e profunda”, disse Gilmar Mauro, um dos fundadores do MST e membro da direção nacional do movimento.

Na noite da última sexta-feira (10), homens armados, em carros e motos, invadiram o assentamento e atiraram em várias pessoas.

As vítimas fatais foram Valdir do Nascimento, de 52 anos, e Gleison Barbosa de Carvalho, de 28. Outras seis pessoas, com idades entre 18 e 49 anos, ficaram feridas e foram atendidas em unidades de saúde locais.

Prisão.

A Polícia Civil já prendeu aquele que é considerado o mentor do ataque, conhecido como “Nero do Piseiro“, de 41 anos. Ele foi localizado em um terreno na cidade de Taubaté. O suspeito já tem duas passagens pela polícia, sendo uma delas por porte ilegal de arma de fogo.

A polícia também conseguiu identificar um segundo suspeito de ter participado do ataque, um homem de 25 anos, que teve a prisão temporária decretada pela Justiça. Ele segue foragido.

“Queremos que tenha apuração não só para colocar na cadeia os executores, mas uma investigação com profundidade para ver quem está por trás desse crime”, disse Gilmar.

“Há indícios muito fortes de que é fruto da especulação imobiliária. Já aconteceram invasões de áreas. Todos os assentamentos têm reserva florestal e em alguns locais houve invasão dessas reservas. E não foram tomadas medidas”, afirmou.

Presidente Lula.

Gilmar contou que recebeu uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no sábado. O petista enviou dois ministros ao assentamento – Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Social e Agrário) – e pediu à Polícia Federal para acompanhar a investigação.

Segundo ele, Lula se comprometeu a visitar o assentamento quando estiver liberado a viajar de avião. “Assim que ele puder vir de avião ele vai vir à região”, disse Gilmar.

“Mas mais do que a visita [de Lula], que é importante, as medidas que ele anunciou pelo telefone ele está tomando, como a vinda dos ministros e da PF para acompanhar as investigações”, destacou o dirigente.

Gilmar também informou que agentes do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania estão vindo para Tremembé “acompanhar de perto na perspectiva de garantir algum grau de segurança dentro do assentamento”.

“Medidas vão ser tomadas de proteção de algumas pessoas e testemunhas”, completou Gilmar.

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